Crítica: A Mosca (1986) - Sessão do Medo

17 de agosto de 2018

Crítica: A Mosca (1986)


“A mosca, entrou na cápsula transmissora comigo na primeira vez. O computador se confundiu. Não deveria ter dois modelos separados de genética e o computador decidiu nos mudar, ele uniu eu e a mosca” – Seth Brundle.

Eita filme louco esse... Galera... The Fly é um filme intenso! Ele foi dirigido por David Cronenberg, que é responsável por filmes legais e bizarros como: Filhos do Medo (1979), Scanners (1981) e Videodrome (1983). Ainda é protagonizado por um ator bastante conhecido no mundo por seus papéis em Invasores de Corpos (1978), Jurassic Park (1993) e Independence Day (1996); estamos falando de Jeff Goldblum. É claro, além da presença de Geena Davis, famosa por seu papel em Os Fantasmas se Divertem (1988). 

O filme segue a história de Seth Brundle (interpretado por Goldblum), um físico cientista que trabalha em sua casa para uma empresa chamada ‘Cooperação Bartok’. Seth é um cara esperto, entusiasmado, e sedutor, ao mesmo tempo desajeitado com as mulheres. 

Para impressionar uma jornalista chamada Veronica Quaife (Davis), Seth a leva até sua casa e mostra no que ele estava trabalhando. Em máquinas tele transportadoras que, a priori, consegue fazer qualquer objeto inanimado se tele transportar de uma cápsula para outra. 

Veronica fica deslumbrada com a invenção, e Brundle sugere que ela documente todo o trabalho dele, assim, quando as máquinas estiverem funcionando perfeitamente, ela será a primeira jornalista a falar sobre o assunto, ela aceita, e com o passar do tempo, Seth e Veronica começam um relacionamento, conforme os testes vão avançando, a relação vai ficando mais séria.

Os problemas começam quando Seth finalmente descobre a resposta para a charada: “Porque a máquina só aceita tele transportar objetos inanimados?” já que com seres vivos, a máquina faz as criaturas derreterem e objetos orgânicos viram sintéticos. Ele descobre que as coisas são mais fáceis do que ele pensava, tudo que era preciso é fazer a máquina aceitar seres vivos através de uma programação simples. 

Quando o teste funciona, Seth fica sedento de vontade de se tele transportar. E quando ele resolve fazê-lo, não percebe que tem uma mosca dentro da cápsula. Ao serem tele transportados para outra cápsula, ocorre uma fusão de DNA entre Seth e a Mosca. A partir daí, o cientista começa, lentamente, a se transformar num homem mosca. 


Vão por mim, são bem nojentas as formas de como as mudanças vão acontecendo com Seth, pelos vão aparecendo, as unhas caem, a pele vai criando bolas e furúnculos, o cabelo cai, partes do corpo caem, líquido branco sai jorrando de tudo quanto é lugar, e por aí vai. Veronica, fica muito perturbada com as mudanças que acontecem em Seth, e pede ajuda a Stathis Borans (John Getz), um rival romântico de Seth.

Um ponto bem curioso dessa história é que em determinado momento Seth aceita seu destino como se ele fosse uma evolução histórica. É interessante porque essa ideia combina com o jeito excêntrico do cientista. 

Mas é aquele ditado: “Não há nada ruim que não possa piorar”, Veronica descobre que está gravida de Seth, fruto de um relacionamento que eles tiveram depois que o homem se tele transportou com a mosca. Então, com medo de ter um filho defeituoso, ele e Stathis decidem que ela deve fazer um aborto. 

E quando Seth fica sabendo da gravidez, ele fica louco de vez e decide modificar as cápsulas para que ele, o seu filho, e Veronica possam se fundir e viver juntos num único corpo. A partir desse momento, a única pessoa que pode impedir Seth, é Stathis.

Evolução de Seth.

A Mosca é um filme nojento, bastante nojento, mas é muito bom. Acho muito legal que mesmo sendo de 1986, ele ainda é atual e com uma história boa de envolver. O elenco é ótimo, Jeff Goldblum nos dá um personagem complexo, mas divertido e facilmente empático, isso faz a gente se entusiasmar com ele e ao mesmo tempo sentir pena dele porque você sabe que ao transformação é um caminho sem volta. E a trilha dramática combina perfeitamente coma situações em que Seth e Veronica se encontram. 

Eu adoro os efeitos práticos e a maquiagem desse longa, são bem feitos e realistas, e conforme a transformação de Seth vai acontecendo, nós vamos percebendo que a fisionomia de uma mosca, um ótimo trabalho dos maquiadores. 


E sim, esse longa também possui alguns problemas de coerência como: Seth todo deformado consegue invadir um hospital, carrega Veronica no colo e vai embora sem que ninguém na rua ou no hospital veja. O fato de Seth conseguir sozinho criar aquelas máquinas em seu apartamento, não tendo, aparentemente, nenhum tipo de fiscalização da empresa Bartok. Mas são problemas que podemos superar porque a proposta da história é bem interessante. 

No fim, A Mosca é um clássico que nos dá um dos filmes de terror mais forte dos anos 80: simples, mas impactante. Não acho que esse seja um filme que a pessoa vá ver e sentir medo, até porque a proposta dele é causar repulsa, nojo e desespero, mas de uma forma bem pensada e com cuidado. E esse filme é obrigatório para qualquer pessoa que adore filmes de terror, então, se você ainda não viu, assista! Nota: 8,0. 

Curiosidades:

– A Mosca ganhou o Oscar de “Melhor Maquiagem em 1987” e também o Saturn Award de “Melhor Ator”, Jeff Goldblum, “Melhor Filme de Terror”, e “Melhor Caracterização”.

– É um remake de A Mosca da Cabeça Branca de 1958.

– A maquiagem do personagem de Jeff Goldblum levava cerva de cinco horas para ficar pronta.

– Foram várias cenas deletadas que não entraram na versão final do filme. Entre elas, está um teleporte feito pelo personagem Seth Brundle com um babuíno e um gato juntos, resultando em uma criatura híbrida ao término da operação. A outra seria um final alternativo, onde Verônica tem outro sonho com seu bebê, desta vez com belas asas de borboleta.

- Originalmente, o diretor do projeto seria Tim Burton.


– Cronenberg é considerado um dos melhores diretores do gênero “Terror” do cinema e um dos poucos que conseguem aterrorizar de verdade. No Filme ele faz uma ponta, como um Ginecologista.


– Foi a melhor atuação de Jeff Goldblum fez em sua carreira.

Título Original: The Fly
Ano: 1986
Duração: 96 minutos
Direção: David Cronenberg
Roteiro: George Langelaan, Charles Edward Pogue, David Cronenberg
Elenco: Jeff Goldblum (Seth Brundle), Geena Davis (Veronica Quaife), John Getz (Stathis Borans), Joy Boushel (Tawny), Leslie Carlson (Dr Brent Cheevers), George Chuvalo (Marky)