Crítica: American Horror Story - Apocalypse | 8ª Temporada (2018) - Sessão do Medo

10 de dezembro de 2018

Crítica: American Horror Story - Apocalypse | 8ª Temporada (2018)


Já se foi a época que American Horror Story era uma série de qualidade. Desde sua terceira temporada, nos encontramos cada vez mais com narrativas promissoras mas desperdiçadas em episódios confusos e preguiçosos e quando chega a conclusão, é difícil se sentir satisfeito. Por esse e outros motivos, grande parte do público abandonou a série, que está renovada até sua décima temporada, mas ainda existe aqueles que acompanham. Eu sou um deles.

Se ainda acompanhamos, uma coisa é certa: não criamos mais expectativas. AHS é um seriado bastante visual, te ganha pelas promos e cartazes, mas geralmente, o roteiro é muito pretensioso e ultimamente não costuma chegar ao mesmo nível. Apocalypse aparentava ser basicamente o fim da série. Não como se ela fosse ser cancelada, mas como se ela fosse chegar no fundo do poço. É basicamente uma temporada que serviria de crossover para unir duas anteriores: a primeira, Murder House (2011) e a terceira Coven (2013). Numa, temos uma história clássica de fantasmas. Noutra, temos um clã de bruxas. E na própria Apocalypse, teríamos... bem, o apocalipse. Como fazer com que uma bagunça dessas não se tornasse ruim? A resposta é, abraçando a ruindade.

Para minha surpresa, Apocalypse não foi a radiação toda que aparentava ser. Um problema que eu vinha notando nas últimas temporadas, como a intragável Hotel (2015) e Cult (2017) é que as tramas absurdas se levavam muito a sério. E isso tirava toda a graça da história, por que não dava pra levar muita coisa ali a sério. Roanoke (2016) foi um sucesso por ter esse viés cômico e embora Apocalypse não tenha muita comédia em si, eles entenderam que para fazer tudo aquilo dar certo sem enterrar o show, eles tinham que ir na onda da breguice.


A trama de Apocalypse começa com o fim do mundo. Bombas nucleares destroem tudo que conhecemos e os únicos sobreviventes são algumas pessoas riquíssimas que tinham um lugar guardado em bunkers subterrâneos espalhados pelo planeta, construídos pela Cooperativa. Num desses bunkers, o Outpost 3, conhecemos nossos personagens nada carismáticos. O lugar é comandado pela mão de ferro de Venable (Sarah Paulson), que pretende jogar por suas próprias regras. Mas tudo muda a partir do momento em que um misterioso representante da Cooperativa, Michael Langdon (Cody Fern), chega para selecionar duas pessoas para ir a um novo bunker, garantindo assim o futuro da humanidade. 

Para garantir sua posição, Venable e sua parceira, Ms. Meade (Kathy Bates), envenenam todos os sobreviventes. Acontece que Michael Langdon é ninguém mais ninguém menos que o próprio Anticristo e obviamente faz questão de matá-la. E é aí, no episódio 3, que vamos começar a entender a proposta da temporada. A chegada de três personagens bem familiares ao bunker, a Suprema Cordelia Goode (Paulson, de novo) e as bruxas Madison Montgomery (Emma Roberts) e Myrtle Snow (Frances Conroy), traz a reviravolta necessária para a trama. 


O trio está lá pra recuperar três bruxas, que não sabiam de suas verdadeiras identidades e derrotar Michael de uma vez por todas. Os episódios seguintes voltam alguns meses para que possamos nos situar naquele universo. Revisitamos a Academia Miss Robichaux e conhecemos o clã dos feiticeiros, a contraparte masculina das bruxas e que sempre foram subjugados mas que agora tem a chance de ter pela primeira vez em séculos um Supremo ao encontrarem um jovem dotado de grandes poderes: Michael Langdon.

Cordelia, a atual Suprema, está disposta a deixar seu posto caso Michael passe pelo teste dos Sete Poderes. Mas logo ela e suas companheiras desconfiam das verdadeiras intenções do rapaz e resolvem investigar seu passado. Isso nos leva ao sexto episódio da temporada, sem dúvidas o pico, intitulado "Return to Murder House". O capítulo é um grande presente para os antigos fãs do seriado pois não só revemos personagens queridos mas também temos o retorno triunfal de Jessica Lange ao papel de Constance Langdon, avó de Michael. E sim, Michael é o garotinho do fim de Murder House.


A temporada funciona com base nesses reencontros e participações especiais que, querendo ou não, dão uma sensação divertida de nostalgia. Embora irregular, Coven foi uma temporada que se sobressaiu por conta de suas personagens marcantes e foi incrível vê-las de novo em ação. O fanservice é absurdo e realmente, só vai ser uma temporada bacana para quem gosta dos personagens e da série em si. E por incrível que pareça, a história ficou amarradinha e mesmo que as desculpas para unir essa algazarra toda sejam esfarrapadas, dá pra relevar.

Não me levem a mal, Apocalypse é uma tosqueira sem limites, mas por esse motivo é divertida. Tem algumas coisas que a atrapalham, como os episódios 8 e 9 que são péssimos ao extremo, quebram o ritmo da temporada e nem na melhor das intenções conseguem se passar por bons. Mas no geral, esta foi uma temporada mais para os fãs mesmo. Acredito que a produção conhece o público que ainda tem e a solução agora não é chamar mais atenção, mas sim mantê-la.

Título Original: American Horror Story - Apocalypse
Temporada: 8
Canal: FX
Ano: 2018 • Episódios: 10
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cody Fern, Kathy Bates, Emma Roberts, Frances Conroy