Crítica: Anna e o Apocalipse (2018) - Sessão do Medo

21 de janeiro de 2019

Crítica: Anna e o Apocalipse (2018)


Não sei por que mas toda vez que o horror e a comédia se juntam em uma produção audiovisual, sempre há zumbis no meio. Já perceberam isso? E não é apenas um lance passageiro, pois desde que Todo Mundo Quase Morto fez seu caminho até os corações da crítica e do público lá em 2004, viemos recebendo incontrolavelmente uma enxurrada dos chamados "terrir" com os cadáveres reanimados. Tivemos Zumbilândia (2009), Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (2015), Cooties - A Epidemia (2015) e por aí vai. Obviamente isso vem bem de antes com os clássicos A Volta dos Mortos-Vivos (1985) e Fome Animal (1992), mas não é impressionante que um subgênero como esse tenha tanta força após todo esse tempo?

O exemplar mais recente a se juntar à esse grupo é o britânico Anna e o Apocalipse, que poderia cair no lugar comum se não fosse por um detalhe: é um musical! Consegue imaginar uma pancadaria envolvendo zumbis enquanto os personagens cantam? É isso que acontece quando nossa protagonista Anna (Ella Hunt), ansiosa para terminar seu ensino médio e sair daquela cidadezinha, se encontra em meio a um apocalipse zumbi. Juntamente com seus amigos, ela terá que trucidar e cantar pela cidade para chegar até a escola, onde poderá se reunir com seu pai.

Aviso importante: se você não gosta de musicais, pode passar longe. É uma escolha ousada e que surpreendentemente não havia passado pela cabeça de Hollywood ainda. Mas seria uma pena pois você estaria perdendo noventa minutos de pura diversão em um filme que pode não ter muito orçamento, mas tem muita simpatia.

É um filme que poderia muito bem ser do Disney Channel se não fosse pelos galões de sangue usados. O padrão das canções é muito parecido com os musicais televisivos do canal do rato, mas isso não é exatamente ruim. Quando o filme chega ao final, é quase impossível não cantar uma certa música que é repetida em cena.


Os personagens são muito carismáticos e isso é o suficiente para que você torça por suas vidas. O que é posto em prática muito bem pois o roteiro tem suas maneiras imprevisíveis de descartar alguns personagens, o que acabou me surpreendendo positivamente ainda que eu tenha ficado triste, digamos assim, por certas mortes, mas ninguém precisa saber disso então vamos pular pro próximo tópico...

Por não ser uma super-produção, o filme esbarra em algumas limitações que são dribladas facilmente pela direção, mas particularmente, só me senti incomodado com uma coisa: as coreografias de luta são eram das melhores e não sei houve muitos ensaios nessa parte, mas parecia que os atores tinham medo de bater um nos outros e durante sequências mais intensas, essas hesitações mereciam mais atenção.

E apesar da boa dose de gore, Anna e o Apocalipse ganhará pelas risadas. Sem um humor muito forçado, o roteiro consegue usar as músicas para dar um contraste à situação e é impossível não rir quando Anna sai de sua casa cantando sobre como o seu dia vai ser incrível, sem perceber que todo mundo está se matando ao seu fundo. Em outro momento, dois personagens debatem se Robert Downey Jr., Ryan Gosling e até Taylor Swift já viraram zumbis ou não.

Eu sei que a essa altura do campeonato, esse tipo de filme pode causar preguiça, mas se você se interessou por tudo que eu falei acima, então definitivamente deve conferir. Se não tiverem pressa, dá até pra esperar o Natal chegar para entrar no clima.


Título Original: Anna and the Apocalypse
Ano: 2018
Duração: 92 minutos
Direção: John McPhail
Roteiro: Alan McDonald, Ryan McHenry
Elenco: Ella Hunt, Malcolm Cumming, Marli Siu, Sarah Swire, Christopher Leveaux, Ben Wiggins