Crítica: Corpo Fechado (2000) - Sessão do Medo

18 de janeiro de 2019

Crítica: Corpo Fechado (2000)


Antes da trilogia aclamada do Cavaleiro das Trevas dirigida por Nolan... antes do filtro escuro da DC... teve Corpo Fechado. A ideia de trazer as histórias de super-herói para uma realidade mais próxima da gente já esteve na mente de M. Night Shyamalan. Ninguém esperava que, 19 anos depois, essa ideia fosse concluída com Vidro, terceiro capítulo da trilogia que foi continuada com Fragmentado (2017).

O diretor indiano tinha um árduo dever a cumprir após o sucesso global de O Sexto Sentido (1999), suspense que o levou ao Oscar com seis indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Qualquer coisa que ele fizesse em seguida viria com muita expectativa. Então ele lançou Corpo Fechado, repetindo sua parceria com Bruce Willis, que aqui fazia o papel do segurança David Dunn.

Ele nunca imaginaria que ao embarcar no trem 177, seria o único a sair vivo. Após um terrível acidente que mata todos os outros cento e trinta um passageiros, Dunn começa a questionar o motivo de ter saído ileso e sem arranhões. Entra em cena, Elijah Price (Samuel L. Jackson), dono de uma galeria e fixado em revistas em quadrinhos que demonstra certo interesse no protagonista. O homem sofre de uma rara doença que o deixa com os ossos extremamente frágeis, limitando-o a uma cadeira de rodas e, segundo Price, David é o mais próximo que a humanidade chegaria de um "super-herói".

A semente da desconfiança é plantada e David começa a se auto-testar, visto que ele percebe que nunca em sua vida inteira ficou doente ou chegou a se machucar. Juntamente com seu filho Joseph (Spencer Treat Clark), o segurança precisa começar a lidar com suas habilidades ao mesmo tempo que tenta salvar seu casamento com Audrey (Robin Wright).


O que enche os olhos é, de fato, a direção de Shyamalan, talvez uma das melhores de sua carreira. Ele mergulha na sua abordagem realista e corre contra toda a cor e vida das histórias em quadrinhos para uma fotografia fria. Brinca com as cores, os ângulos, passeia com a câmera com movimentos estilosos e criativos... tudo é bastante inspirado e isso é de tirar o chapéu. O diretor consegue dar uma personalidade extra à cada cena e praticamente dá uma aula de direção, o que se mostra o ponto mais forte do longa, por que além de cuidar da parte visual, ele também abre espaço pro elenco brilhar e isso é essencial em qualquer tipo de filme.

O roteiro também é excelente até certo ponto. Shyamalan investe nos personagens, todos são bem construídos, assim como o suspense que te prende a partir da cena inicial, mostrando o nascimento de Elijah de uma forma simples mas perturbadora. No entanto, ele cai por terra no terceiro ato, quando conclui a história de um jeito morno. O clímax não tem gosto de clímax e, por mais que a sequência na casa empolgue e a reviravolta também, fica a sensação de que você está vendo algo incompleto. 

Sim, a proposta do diretor era explorar os primeiros passos de herói e ao ampliar o panorama para uma trilogia que hoje é, Corpo Fechado encontra um propósito maior. Mas ainda assim é uma maneira frustrante de finalizar um filme, coisa que acabaria se repetindo várias vezes ao longo da carreira do cineasta indiano.

Desde que lançou, esse foi uma película que dividiu opiniões. Isso é um fato. E ele não é exatamente ruim. Tem pontos positivos que pesam muito: direção, elenco, fotografia. Mas também tem pontos negativam que pesam muito e no final das contas a experiência é minada. O roteiro sabe enganar o público, pois ninguém em sã consciência poderia imaginar que o filme que está assistindo será sobre super-heróis. Agora, depende de cada um se gostará dessa decisão ou não.

Vidro conclui a trilogia Eastrail 177 (título dado pelo próprio Shyamalan) e chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta (17).

Título Original: Unbreakable
Ano: 2000
Duração: 106 minutos
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clarke