Análise: Remakes e continuações, até onde dá para esticar? - Sessão do Medo

3 de fevereiro de 2019

Análise: Remakes e continuações, até onde dá para esticar?


Babyface está voltando...

Verdade seja dita, sequências e remakes não se enquadram apenas para o gênero do horror, mas o que rege os fundamentos para tal decisão? A fórmula, a bilheteria, a boa recepção são fatores que podem influenciar quando se trata de uma continuação. Adaptar para um novo público, tentar uma narrativa diferente investindo numa série, por exemplo, são pontos que no momento de criação indicam que a cosia pode dar certo.

Partindo para o terror, é um tanto curioso quando dá para misturar estilos diferentes do que já foi feito e combinar em um só. Como foi o caso do elogiado slasher A Morte Te Dá Parabéns (2017): baixo orçamento, rendeu boa bilheteria depois da inspiração com Feitiço do Tempo (1993) e encaixar um pouco da trama para o subgênero. O resultado, por mais que tenha passeado no que alguns filmes de terror têm sido recentemente (previsíveis e com uma dose de comédia), se tornou um frescor para o slasher tão ofuscado que o gênero tem entregado. Títulos como Como Eu Morro (2016) ou Most Likely to Die (2015) são bons exemplos disso.


Obtendo frutos tão dignos assim, logicamente o longa ganharia uma sequência que não demorou muito para ser confirmada, e irá chegar aos cinemas mais rápido do que poderíamos imaginar – no próximo dia 21. Até então, o que pode se esperar do enredo é que estará envolto numa aura de ficção científica e mais uma vez apelando para o estilo do antecessor e ser um slasher. Se alcançar o sucesso novamente, considerações para um terceiro filme já está nos planos da Blumhouse, assim como as ideias para criar um universo compartilhado – forçaria menos que A Freira (2018)? 

Falando em Blumhouse, vamos aqui pegar mais um exemplo de sequência e também reboot ao falarmos de Halloween (2018). Talvez a ideia surja na falta de criatividade - de pegar algo que fez sucesso e tentar repetir o efeito ou querer que a história continue sendo contada para fisgar nova audiência e no meio disso, a obra original seja mais requisitada. Seja como for, somando dez filmes, parecia mesmo que a franquia e o legado de Michael Myers já tinha encontrado o fim – até porque um remake foi produzido em 2007, e dois anos mais tarde uma sequência pelas mãos de Rob Zombie – mas ignorar nove sequências e fazer uma direta do longa de 1978, foi uma sacada e tanta. Por mais que o retorno recente de Michael tenha se equilibrado entre homenagens e tom previsível do gênero, foi um grande salto flertar sobre a possibilidade de uma nova leva de longas. 

Se tratando de mais uma refilmagem, seria injusto ignorar o curioso caso de Chucky. Só este ano, o boneco assassino garante três produções: o remake, que irá estrear em 20 de junho e tem o primeiro trailer agendado para o dia 8 de fevereiro; uma série produzida pelo canal Syfy que será continuação direta de O Culto de Chucky (2017) e também um fan movie titulado de Charles. O motivo pelo qual o brinquedo de cabelo ruivo foi tão querido para as telas a ponto de render três empreitadas distintas é desconhecido, mas é um tanto animador saber que se uma não der certo, teremos mais duas opções, sendo que a série promete se aprofundar sobre Chucky de um jeito nunca visto antes, no entanto, se mantendo fiel e inspirada nos primeiros longas metragens da saga.

Atualização: a série ficou marcada para 2020.

 Chucky 3x

Por último, confesso que a notícia sobre esse exemplo me pegou de surpresa, uma vez que não esperava mais nada. Aparentemente finalizada em 2011, a franquia de terror sobrenatural Premonição desde então entrou num de dilema entre ganhar ou não um sexto filme. Mas quase oito anos depois, eis que surge a revelação de que a New Line Cinema está trabalhando num recomeço, escrito pelos roteiristas de Jogos Mortais 4, 5, 6 e O Final, Patrick Melton e Marcus Dunstan. Ao meu ver, uma sequência baseada no que foi feito no terceiro filme seria uma boa iniciativa, mas daí tinha o terrível quarto filme a considerar e também o quinto - que tratou de tapar muitíssimo bem os buracos desastrosos do antecessor – que mesmo com o final promissor, produzir mais filmes depois dele seria um tiro no pé, pois rapidamente a fórmula já conhecida se tornaria cansativa considerando que os enredos seriam apenas aglomerados de histórias paralelas de onde parou. O que não significa que o remake seja uma ideia inteligente, pois traçar toda a lógica por trás da mitologia requer muita criatividade e firmeza do universo que se está criando.

Refilmagens e continuações, seja até onde der para esticar são riscos que além da criatividade, ao menos saber reproduzir a nostalgia e alcançar o nível de relevância a ponto que não torne o investimento uma perda de tempo - e assim também o resultado da obra um produto esquecível - são no mínimo aspectos que possam validar o feito já que nem sempre precisamos que boas histórias sejam recontadas.