Crítica: 7etenta e 5inco (2007) - Sessão do Medo

14 de fevereiro de 2019

Crítica: 7etenta e 5inco (2007)


Seja qual for a ideia e o seu propósito, no momento de sua execução é muito importante estar preparado para lógica que rege todo o fundamento. Logo, de nada adianta ter um plano se o mesmo não construir um bom desempenho. No caso de 7etenta e 5inco, a faca e o queijo estavam em mãos para fazer a coisa dar certo, pena que não dá para ser eficiente a base da mesmice.

Lançado em 2007, o slasher segue o típico texto que já cansamos de ver e rever diversas vezes com adolescentes em filme de terror. Dez anos depois que uma terrível noite de massacre aconteceu, de repente os sobreviventes começam a ser caçados um a um. Um final de semana com drogas, bebidas, sexo, estupidez e trotes telefônicos pareciam ser os elementos perfeitos para garantir a diversão dos jovens, até que o grande casarão que se encontravam se tornou palco de um violento assassino munido com um machado e motivações misteriosas.


Iniciando de um jeito brutal, tudo indicava que a abertura tão sangrenta serial ideal para compreendermos os eventos atuais. Considerando o mistério por trás de toda a matança 7etenta e 5inco foi apresentando um dos pontos mais fracos de narrativa: manter a curiosidade para o que se sucedia. O problema foi a falta de engajamento para dar um pouco de cadência, mas assim como o passado voltara para um acerto de contas, o roteiro não estava disposto a contar sua história sem parecer medíocre.

Se de um lado as peças do quebra-cabeça coincidentemente se formavam, do outro parecia que tudo gritava a necessidade de ser um filme genérico, o que mais uma vez influenciou negativamente na aura de suspense que o filme pretendia passar. Dividido entre esses dois pontos, o objetivo era que o enredo se tratava de um precursor afiado sustentando um suspense que logo iria explodir com plot twist. De boas intenções não passou.


Apelando para o que tinha para entregar como um slasher, o longa provou não ser um total desperdiço, somando um misto de alívio para o tédio que se tornara com um estilo imprevisível e contagiante do killer. Diante de tantas figuras nos inúmeros títulos do subgênero, é muito fácil lembrar de vítimas sendo caçadas, fugindo desesperadamente enquanto o réu se dirige a passos lentos e as alcança. Despertando até uma sensação de humor, o encapuzado aqui é quem correu desesperado, brutal e violentamente contra quem que esteja em seu caminho. Nisso, 7ententa e 5inco explorou o que tinha de melhor, até pesar a mão.

Por mais que tenha ao menos entregado sequências exageradas e dignas para proposta, não foi o suficiente para amenizar o pessimismo acompanhado de personagens mal escritos que nem ao menos sobressaíram do contexto machista, e apenas foram objetos do que a previsibilidade pedia. Mas nada se comparou ao golpe baixo do elenco sem carisma, belos caricatos e pouco talentosos. Com certeza, para o gran finale funcionar precisaria do apoio dos mesmos, mas envolto num movimento corriqueiro para fazer revelações, a direção optou por poupar takes e orçamentos para entregar o desfecho que parecia épico, que na verdade serviu para comprovar o nível de ruindade da produção.

Passar trotes é uma brincadeira de mau gosto e covarde e poderia ter sido um ótimo plano de fundo de um ótimo filme, mas que infelizmente não obteve êxito para convencer. 7etenta e 5inco era o tempo limite para fazer o jogo acontecer, mas nunca, nunca quando a ameaça tocar a campainha apague as luzes de casa para atender a porta.

 
Título: Dead Tone / 7eventy 5ive
Ano: 2005
Duração: 98 minutos
Direção: Brian Hooks, Deon Taylor
Roteiro:  Brian Hooks, Deon Taylor
Elenco: Antwon Tanner, Brian Hooks, Wil Horneff, Jud Taylor, Aimee Garcia