Crítica: Cadáver (2018) - Sessão do Medo

20 de fevereiro de 2019

Crítica: Cadáver (2018)


Após um incidente que a deixou traumatizada e viciada em remédios controlados, a ex-policial Megan Reed (Shay Mitchell, Você) consegue um serviço noturno que a ajudará a manter o foco e evitar más atitudes: supervisionar o necrotério do Hospital de Boston. Sozinha, o maior medo dela não são os corpos, mas sim a vontade de abrir sua bolsa e tomar um Xanax. Mas tudo isso muda quando o cadáver de Hannah Grace dá entrada. Totalmente mutilado, parcialmente queimado, o cadáver é um mistério perigoso que começa a atrair a atenção de Megan, incapaz de deixar seus métodos policiais para trás.

Ficou curioso para saber a história desse cadáver? Não se preocupe, o filme já entrega tudo nos primeiros segundos. O que vem depois é tudo que você previu e um pouco mais. Cadáver (originalmente intitulado The Possession of Hannah Grace) é uma produção que veio rodando nas gavetas da Screen Gems há dois anos, sinal de falta de confiança do estúdio, até que conseguiu uma estreia pequena no fim de Novembro do ano passado. Mas é um daqueles filmes que poderiam facilmente ter saído direto em VOD que não faria tanta diferença.

Apesar de muito potencial, é um filme que insiste no pobre e barato. Lembrando que já tivemos um exemplar semelhante há dois anos atrás, o ótimo A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe). Tomemos ele como amostra: na trama, pai e filho trabalham num necrotério e viram a noite fazendo a autópsia do corpo de uma desconhecida. Não é um filme com muitas locações e as poucas são bem utilizadas em sequências de puro suspense e terror. 

O mistério por trás da cadáver poderia até parecer similar com o longa de André Øvredal mas isso poderia ser facilmente driblado se os roteiristas se importassem em fazer isto. Aqui, a história inteira é entregue nos primeiros vinte minutos e as poucas surpresas guardadas para o resto de projeção vão de mal à pior. 


O resultado final não é um filme que funciona. A direção de Diederik Van Rooijen em sua estreia americana até tenta sair um pouco da caixinha mas diversos fatores influenciam para que não dê certo. Vale lembrar que Rooijen chegou a ser contratado pela Universal para dirigir a refilmagem engavetada de Os Pássaros (1963). Aqui, ele aposta em ambientes gigantes e escuros, além da ausência de trilha sonora em algumas cenas.

Assinado por Brian Sieve (O Pesadelo 3), o roteiro é cheio de furos e atitudes idiotas (como uma personagem correndo para o lugar menos seguro para salvar sua vida e ainda mantendo a porta aberta!), além de saídas preguiçosas e repetitivas. A pós-produção com cortes demandados pelos produtores também deve ter afetado o ritmo. Numa certa cena, há um corte tão estranho durante uma narração que parece que você está vendo uma simulação ou ilusão, mas então coisas começam a acontecer rapidamente e tudo fica extremamente confuso. 

A Shay Mitchell, por mais esforçada que seja, não consegue vender a imagem de uma ex-policial com problemas, não consegue entrar na personagem (e creio que isso seja mais um miscasting). Isso acaba sendo um problema no resto da película, pois não conseguimos ver muita credibilidade num filme que não aproveita o tom macabro natural da história, do cenário e da "grande vilã". E pensar que eu quase ia pagando para ver isso no cinema...


Título Original: The Possession of Hannah Grace
Ano: 2018
Duração: 86 minutos
Direção: Diederik Van Rooijen
Roteiro: Brian Sieve
Elenco: Shay Mitchell, Grey Damon, Stana Katic, Kirby Johnson