Crítica: Escape Room (2019) - Sessão do Medo

15 de fevereiro de 2019

Crítica: Escape Room (2019)


Filmes lançados em Janeiro não costumam ter uma boa reputação, principalmente quando é de terror. Sei que é meio estranho julgar a qualidade de um filme pelo mês que é lançado, até por que realmente uma coisa não tem mesmo relação com a outra, mas quando você começa a entender a estratégia de divulgação e lançamentos das produtoras, as coisas ficam mais claras. Acontece que Janeiro é considerado um mês de "descarte". Filmes pequenos, baratos, genéricos, que a distribuidora não coloca muita fé, costumam ser lançados nele, mas é óbvio que tem exceções, como Cloverfield - Monstro (2008) e Fragmentado (2017).

Ainda que a bilheteria deles seja razoável, é quase certeza que esse não será um filme muito bom. É por isso que quando vi as primeiras informações de Escape Room (incluindo, a data), já fiquei com dois pés atrás. Mesmo assim, resolvi conferir. No Brasil, ele estreou na última semana, dia 7, mais de um mês após a estreia internacional bem-sucedida.

Após sua estreia diretorial com A Possessão de Deborah Logan (2014), Adam Robitel conseguiu chamar atenção do mainstream e comandou o péssimo Sobrenatural: A Última Chave (2018), que curiosamente também foi lançado em Janeiro (vou deixar isso aqui). Mesmo sendo péssimo, a bilheteria foi ótima e garantiu seu próximo projeto com a Sony Pictures.

Escape Room é uma tentativa de resgatar e modernizar o formato mecânico estabelecido por Jogos Mortais na década passada: personagens colocados em situações extremas de sobrevivência. Aqui, ele pega algo mais próximo da realidade, as populares salas de fuga. Um grupo de desconhecidos recebem convites para experimentar a mais inovadora versão do jogo, onde o ganhador levará 10 mil dólares para casa. Ao chegarem lá, eles percebem que não é apenas uma brincadeira e terão que lutar por suas vidas.


Flertando com o já citado longa de James Wan, Cubo (1997) e até mesmo O Segredo da Cabana (2012), Escape Room na verdade tem uma trama bem simples e não muito inovadora. Mas isso não é exatamente um problema pelo fato de que essa fórmula sempre vai funcionar se for feita de forma criativa, como é o caso daqui. A troca de salas temáticas, sempre contendo pistas para as charadas, além de objetos relacionados à segredos pessoais de cada personagem, envolve bastante. O grupo passa por um forno enorme, um cenário que parece ter saído de Frozen - Uma Aventura Congelante (2013) e até mesmo um bar virado de cabeça para baixo!

A experiência em si é divertida e faz você passar pano para os problemas do roteiro, como a ideia de colocar os personagens pra derreter um cubo de gelo com o calor do corpo ou a inesperada união entre duas personagens que se conhecem há dois minutos e logo começam a falar uma da outra como se fosse há décadas. No entanto, o que acaba com a brincadeira é quando Escape Room chega no seu terceiro ato, atirando para todos os lados, com reviravoltas previsíveis, flashbacks, flashforwards, vários cortes e nenhuma preparação. 

Se o roteiro de fácil digestão certamente tem o dedo no sucesso de bilheteria, ultrapassando a barreira dos $100 milhões, ele também é o responsável por impedir que o filme vá mais além e concluísse tudo de forma mais satisfatória. A sensação deixada é que os roteiristas tinham um prazo e precisaram concluir tudo às pressas. Mesmo com momentos divertidos, é melhor ver Escape Room sem tirar o seu dinheiro do bolso.


Título Original: Escape Room
Ano: 2019
Duração: 100
Direção: Adam Robitel
Roteiro: Bragi F. Schut, Maria Melnik
Elenco: Taylor Russell, Logan Miller, Deborah Ann Woll, Tyler Labine, Jay Ellis, Nik Dodani