Crítica: Grito de Pânico (2005) - Sessão do Medo

9 de fevereiro de 2019

Crítica: Grito de Pânico (2005)


Partindo de um estilo simples, basicamente o subgênero slasher se estende sob um serial killer mascarado que traça uma trilha de vítimas. Dentro desse contexto, muitos foram os títulos que se inspiraram nesse conceito, para o bem (como Halloween, 1978) ou para mal (como Meu Super Aniversário de 16 Anos, 2009) o slasher aos poucos tenta se reinventar. Desprovido de qualquer essência positiva que o torne relevante, Grito de Pânico (Silent Scream ou The Retreat) lançou-se sobre uma jornada entediante e irritante em nome do horror.

A trama segue um grupo de alunos de faculdade que, tendo a bênção do professor depois de cooperarem tão bem para um trabalho em classe, recebem o prêmio para passar o fim de semana numa casa de campo. No climão de inverno, os jovens não esperavam ser alvos de um homem encapuzado com um machado em mãos que os caçava um a um, o que coube a “final girl” desvendar esse mistério e manter seus amigos a salvo.


Boa parte dos clássicos slashers, especificamente a partir das décadas de 70 e 80, equilibravam o enredo em cima da fórmula de trazer adolescentes embriagados, drogados e sedentos por sexo para logo depois serem surpreendidos com a morte. Raramente se criava um texto para desenvolver os personagens que iriam para o abatedouro - não é à toa que, por um bom tempo a franquia de Sexta-Feira 13 (1980) altamente apostou em filmes com tais características – e apesar de algumas ressalvas e Pânico ter sido um marco de releitura, nada impediu que viessem produções duvidosas na crença de um potencial inexistente.

Dito isso, podemos então falar de Grito de Pânico, o qual o maior desespero aqui é desejar que termine logo. Mesmo que tenha se inspirado no que foi os clássicos, o desenrolar da trama é estranha e incomoda desde o começo, e o pior é perceber o quanto a presunção cegou a dupla de diretores Lance Kawas e Matt Cantu, que realmente acreditaram que estavam prestando algum tipo de homenagem a um estilo marcante do subgênero. O problema foi ter formado um resultado tão oco e mal aproveitado que se torna ridículo de acompanhar.


Como se não bastasse ter contratado um elenco com zero pessoas talentosas, os conflitos escritos para os personagens pioram cada vez o quadro, uma vez que as atitudes e diálogos são fatores vagos e idiotas incapazes de sustentar o que está sendo trabalhado. Não tendo essas figuras cumprido um papel básico para o enredo, de pelo menos poder conduzir as diversas passagens que enfrentam, lamentavelmente não resta nada para Grito de Pânico, além do julgo de ser esquecível como uma obra cinematográfica. 

Atentando para o que o longa mais almejou ser, um slasher, foi o momento ideal para comprovar o quanto nada colaborou para aliviar a bola de desastre que se formava em cada take. Estupidamente apostando numa edição abrupta que mal se permitiu uma pausa para respirar assim como as esperadas cenas de perseguições, o longa conseguiu entregar mais de cinco mortes em menos de seis minutos em sequências que esbanjavam violência e perversidade. O que foi proposital, mas não serviu para gerar importância e conexão para quem assiste. A impressão, é que os envolvidos na produção tinham um enorme desejo de trabalhar com o gênero com um pouco da visão que partilhavam, daí entregaram exageradamente tudo que os fãs curtem ver.

Resumindo, é deselegante, sem alma, incoerente, ilógico e previsível. Depois de tudo isso, por incrível que pareça sobrou espaço para uma reviravolta que poderia ser bem mais aceita e proveitosa, se tudo que foi trabalhado até então não tivesse sido tão mal-feito que nada mais poderia causar impacto, além dos créditos finais.

Grito de Pânico em meio a adolescentes vazios e um pensamento de boas intenções para prestar homenagens ao slasher, pareceu querer explorar todos os caminhos e limites a fim de ser audacioso, sagaz e importante, mas depois de tanta pressa correu para o esquecimento.

Título: Silent Scream
Ano: 2005
Duração: 85 minutos
Direção: Lance KR Kawas, Matt Cantu
Roteiro: Lance KR Kawas
Elenco: Melissa Schuman, Shanti Lowry, Scott Vickaryous, Walter Harris, Michael Mckiddy