Crítica: Ele Está Lá Fora (2018) - Sessão do Medo

18 de fevereiro de 2019

Crítica: Ele Está Lá Fora (2018)


De todos os jeitos as histórias se repetem. Entra ano, sai ano, seguimos uma tendência correndo o risco de rever mais uma vez o mais do mesmo. O que se torna um diferencial em meio a tantas repetições é a maneira que nos sentimos assistindo: cativados, entediados, curiosos, para então saber se o universo funciona. Ele Está Lá Fora estreou no ano passado sem nenhum frescor de novidade, mas cumpriu o papel de ser um terror tenso.

O enredo comum trouxe uma família disposta a passar final de semana numa casa de lago. Belas paisagens, clima leve e bom humor faziam o momento valer a pena, até serem surpreendidos nas artimanhas de um psicopata calculista. 

Há pequenos spoilers no texto

Na estreia na direção, Quinn Lasher soube muito bem como criar a atmosfera perfeita e moldar o suspense para a trama. Começando de maneira lenta e bem sugestiva, todas as lacunas pareciam convergir para algo vantajoso. A impressão pela previsibilidade, de que algo esperado está chegando não passa, mas com todo cuidado e recursos certeiros consegue entreter e gerar a dose de interesse o suficiente para manter o espectador de olhos bem abertos.


Trazendo Yvonne Strahovski (a eterna Sarah da série Chuck) como Laura, uma figura materna ao lado das pequeninas Abigail e Anna Pinowsky (Maddie e Kayla) se tornam o grande trio feminino que sustentam os maus bocados que enfrentam contra o inimigo na escuridão. É um feito raro filmes de home-invasion desfrutarem de resultados como Os Estranhos, O Homem nas Trevas e Hush – A Morte Ouve, e por mais que as intenções do invasor tenham sido expostas em menos de dez minutos de projeção – com falsas pistas no caminho -, Lasher se esforçou para deixar sua marca para o gênero.

A coisa é óbvia, mas nem por isso deixou de apresentar fatores bem empenhados para instaurar o nervosismo e tensão pelas situações vividas pelos personagens. Em outro ponto bem-vindo, é como o longa pôde brincar com as ordens que sucedem os clichês em suspenses – como as vítimas tentando chegar ao carro e fracassarem – ao passo que, gradualmente, traçava o perfil do desconhecido que até então fazia jogos psicológicos, para depois se revelar brutal e impiedoso.


Se atendo para ambientação próxima a uma floresta, Lasher fez seu apreço pelo gênero ao trazer uma persona que lembra muitíssimo Jason Voorhees na franquia Sexta-Feira 13, ou pode ser apenas uma coincidência o vilão ser caracterizado no que parece uma versão engessada e emborrachada da máscara de hóquei usada por Jason. Seja como for, a presença e atitudes dele funcionam, somando para a proposta de ser um terror que flerta sobre o chocante.

Curiosa, a fábula do corvo e o rato estava se aplicando com eficiência para com o que foi apresentado. Tudo indicava um desfecho dentro do previsível, mas arriscar para um propósito diferente acabou quebrando todo o ritmo e tom que foram construídos, para depois voltar para o que qualquer aguardava acontecer. Deveria Lasher manter o tradicional ou dar a vitória para o Plasterface

Combinado com uma fotografia nada atraente, Ele Está Lá Fora é um terror genérico que se aventura por detalhes para ser diferenciado, mas por sugerir demais acaba não sendo além do esperado. Assim como o mal espreita a escuridão, Jason cara engessada está lá fora.


Título: He's Out There
Ano: 2018
Duração: 89 minutos
Roteiro: Mike Scannell
Direção: Quinn Lasher
Elenco: Yvonne Strahovski, Anna Pniowsky, Abigail Pniowsky, Justin Bruening, Ryan McDonald


é você, Jason?