Crítica: Semana do Pânico (2016) - Sessão do Medo

22 de fevereiro de 2019

Crítica: Semana do Pânico (2016)


Embarcando na onda de sucesso de Pânico (1996), Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997) brincou com sua versão arrastada e previsível de coisas manjadas em filmes slashers, principalmente a ideia de que alguém estaria determinado a um acerto de contas sangrento, como visto em A Morte Convida Para Dançar, o original de 1980. Com uma investida "moderna", Semana do Pânico trouxe seus talentos para se enquadrar no subgênero, contudo, pior do que ser clichê foi não saber o que fazer com a própria ideia.

Recém-formados, os seis amigos holandeses decidem comemorar partindo em uma viagem no final de semana para o litoral, com direito a muitas festas e gincanas - o chamado Sneekweek. Pondo o fim em toda curtição, o passado conturbado dos jovens vem à tona para provar que nem tudo pode ser esquecido. A base de pouquíssimos galões de sangue falso, a viagem se tornará o pior de seus pesadelos. 

Carregado de tons voltados para o terror e comédia, o filme dirigido por Martijn Heijne se lançou numa visão extensa para explorar os mistérios por trás do killer muito simples na vestimenta: luvas de borracha barata, capa de chuva e máscara plástica. Já as armas, qualquer furadeira ou serra circular dá para o gasto. Falando assim, qualquer mascarado em histórias do tipo se apropriou dessas características, mas aqui vai um grande exemplo de um slasher com um assassino nada marcante, ou melhor, que não cumpre o papel de intimidar e dar medo. 

Tendo dois quesitos importantes para desenvolver, o primeiro sendo a identidade do assassino e o segundo o suspense a respeito do mesmo, foi pedir demais para obter êxito em alguma das partes. São muitos os títulos envoltos na mesma temática, logo fica fácil saber quando o cara da máscara cinza cintilante iria agir contra suas vítimas, mas nem jogar de um jeito convincente com o óbvio Martijn acertou. Ao menos, por mais que o longa seja sofrível, entregar cenas de perseguições que empolgam é o mínimo que podem fazer. 

Nesse caso, foi atirando em cima da breguice, porém mirando no humor despojado que alcançou um resultado tosco combinado de um elenco que não domina uma atuação eloquente - exceto por Carolien Spoor que sobressaiu. Os personagens são o pilar que impulsiona todo o mistério por trás da matança, mas de novo, acompanhando a série de erros se tornaram outro fator que nada acrescentam para a trama: sem desenvolvimento relevante, são resumidos em atitudes infantis e diálogos bestas na intenção de gerar alguma tensão. Do que vale as intenções se não se aproveitam?

Uma questão de grande valor para o cinema e que se mostra um problema nítido desde os primeiros minutos aqui é a edição. Ora mostra cinco personagens, em seguida um some totalmente da cena e parece minutos depois. Aparentemente é um detalhe simples que pode passar batido, mas é algo que se intensifica quando o longa precisa mostrar o terror ao qual está se dedicando. Imediatamente, o que deveria causar apreensão, cai no desleixo, gerando confusão para o que está acontecendo. Por erros de continuidade e coerência, a magia vai perdendo a força.


Diante de tantos tropeços, a direção não se deu conta de quão ruim estava se tornando a história, se esquecendo de preparar o enredo para o clímax e até mesmo de elaborar todas as ideias para um ritmo empolgante. Com mais de uma hora de filme, estávamos a par de um terror fraco, onde o vilão era incapaz de exercer sua vilania além de cortes superficiais que não lançavam curiosidade, e um mistério nada interessante.

O reflexo de altas coincidências e exposições demais para espectros que sabemos que não são usados com frequência no gênero soluciona o enigma rapidamente para quem estava atento e não esperando pistas. Desprovido de habilidades para ser um thriller favorável, apenas se apoia em obviedades e faz exatamente o imaginado, adaptando assim uma história já contada e negativamente esbanjando a hiper sexualização feminina

A promessa era de que um slasher iria invadir o final de semana e explodir com consequências do passado, mas a verdade é que não dá para ser um bom filme sem uma boa execução. Sneekweek, aí vamos nós, para um evento desastroso.


Título: Sneekweek ou Scream Week
Duração: 107 minutos
Ano: 2016
Direção: Martijn Heijne  
Roteiro: Alex Van Galen
Elenco: Carolien Spoor, Jelle de Jong, Jord Knotter, Hollly May Brod, Yootha Wong-Loi-Sing