Crítica: A Sétima Alma (2010) - Sessão do Medo

28 de fevereiro de 2019

Crítica: A Sétima Alma (2010)


Em Agosto, completará 4 anos da morte de Wes Craven, que deixou um legado inestimável no cinema de horror desde que começou a dirigir nos anos 70. Ao longo de quatro décadas, ele entregou obras-primas que marcaram épocas, como Aniversário Macabro (1972), A Hora do Pesadelo (1984) e Pânico (1996), cujo quarto capítulo lançado em 2011 foi também o último filme de sua carreira. Mas algo que sempre me surpreendeu foi o talento que Craven tinha de também fazer bombas extremamente ruins, como seu penúltimo filme, A Sétima Alma (2010).

Vendo pela perspectiva atual, Pânico 4 foi a melhor escolha para seu último grande ato, ainda que ele só tenha falecido quatro anos depois. Finalizar com chave de ouro uma de suas criações mais importantes (senão a mais importante) fez com que o trabalho de Craven se diferenciasse por exemplo de John Carpenter, que não faz um filme bom desde os anos 90 e último crédito como diretor foi o pavoroso Aterrorizada, também de 2010.

O nome de um dos mestres do horror ficaria bem manchado se essa tentativa esdrúxula de simular o formato Pânico fosse de fato sua última contribuição para o gênero. Um filme extremamente problemático e genérico, A Sétima Alma (originalmente intitulado My Soul to Take) é um daqueles filmes ruins de doer que você só torce para que tudo acabe o mais rápido possível (e ironicamente tem mais de 1h40).

A trama envolve a pequena cidade de Riverton, que em 1994 foi horrorizada por uma série de assassinatos realizados pelo Estripador. Numa noite, descobre-se que o assassino é Abel Plenkov, um homem de família com transtornos psicológicos. Após sua segunda personalidade psicótica assassinar a esposa grávida, ele é perseguido por policiais e acaba sendo carbonizado em uma ambulância, mas ninguém nunca achou seu corpo.

Anos depois, sete jovens que nasceram nessa data fatídica são conhecidos como Os Sete de Riverton. Segundo lendas urbanas, o Estripador um dia voltará para colher as almas dos sete, portanto eles fazem um ritual anual onde um dos garotos precisa "matar" um boneco representando o serial killer. No entanto, neste ano eles terão que se preocupar com mais do que apenas uma marionete. Um a um, os jovens são assassinados e a questão é: está o Estripador realmente vivo ou alguém está copiando seus passos?


É uma premissa interessante. Não é nova mas poderia render um slasher bacana se não fosse a bagunça que é o roteiro, assinado pelo próprio Craven. Ele tenta misturar essa dinâmica com um lado mais sobrenatural. Some isso a personagens tão desinteressantes que chega a ser ultrajante e diálogos tão idiotas que dá vontade de bater a cabeça numa porta. Isso tudo é A Sétima Alma.

Nada nesse filme remete à direção afiada do cara em outros filmes, principalmente Pânico que parece ser a fonte principal da qual ele bebe, chegando até a ter uma cena envolvendo ligações do assassino. Já a mitificação do antagonista lembra um pouco à de Freddy em A Hora do Pesadelo, mas mesmo com tantas semelhanças entre esses clássicos, Craven não consegue extrair nada de bom deles.

Eu juro que ao revê-lo, eu tentei abrir minha mente na expectativa de que, mesmo que fosse ruim, pelo menos fosse divertido. Mas nem é o caso. O único ponto que achei positivo é o visual do Estripador, um pouco bizarro, mas que mesmo assim nem é bem-aproveitado nas cenas, o que chega a ser um desperdício.

Ao chegar no desfecho, temos a situação dando voltas e voltas, repetindo-se até cansar, finalizando com uma reviravolta preguiçosa e que não resulta em muita coisa, além de você finalmente atestando que perdeu seu tempo precioso com um filme feito para esquecer. Já podemos começar a apreciar mais Pânico 4 por ser o título perfeito para fechar a carreira irregular de um dos grandes nomes do gênero.


Título Original: My Soul to Take
Ano: 2010
Duração: 107 minutos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Max Thierot, John Magaro, Emily Meade, Jessica Hecht, Frank Grillo