Crítica: Velvet Buzzsaw (2019) - Sessão do Medo

2 de fevereiro de 2019

Crítica: Velvet Buzzsaw (2019)


Eu vou tentar evitar falar o quanto é absurda a esnobação que a Academia deu em 2015 quando deixou de premiar (ou de se dar o trabalho de pelo menos indicar) Jake Gyllenhaal por O Abutre, filme de Dan Gilroy que acompanha um câmera que induz acidentes para lucrar com a exclusividade dos canais de TV. Mas aproveitei para introduzir já que a parceria entre os dois é repetida em Velvet Buzzsaw, lançado pela Netflix nesta sexta (01). 

O longa é uma espécie de terror com tons satíricos situado no mundo da arte em Los Angeles. Conhecemos uma série de personagens "excêntricos" como um crítico renomado (Gyllenhaal), uma galerista fria (Rene Russo, que também retorna de O Abutre), uma assistente ambiciosa (Zawe Ashton), entre outros, quando eles se envolvem com uma série de pinturas de um autor desconhecido recém-falecido. Ao decidir monetizar em cima das artes, eles começam a perceber que elas trazem algo obscuro consigo.

É um enredo que poderia ter sido facilmente realizado numa tranqueira dos anos 80. Envolve personagens sendo mortos um a um por uma força peculiar através de mortes sangrentas. E talvez ele funcionaria melhor assim. Velvet Buzzsaw é um filme extremamente pretensioso, por que é quase como se ele não se considerasse um terror por ser "inteligente demais para isso". Ao tentar tirar sarro não só daquele mundo que está inserido (sem êxito, devo destacar), mas também dessa fórmula do gênero, ele peca justamente por se levar a sério demais. Tanto que é um pouco difícil considerar uma "comédia".


Os personagens são todos caricaturas de figuras superficiais e exageradas como o crítico de arte afeminado e opinativo ou a consultora com o corte Chanel. Me fez lembrar imediatamente de Demônio de Neon (2016) de Nicolas Winding Refn, que assume uma postura semelhante com o mundo da moda, mas que acaba caindo nas mesmas armadilhas e se tornando um produto do material que tanto critica.

Por mais excêntricos que sejam, eles também são absurdamente desinteressantes. Ou irritantes. Ou os dois. Ainda que eles esta seja intenção, fica difícil de sustentar um filme que não anda bem das pernas e cujos personagens também não caem na graça do espectador. Então a tarefa de levar tudo nas costas recai nos atores. Um elenco estelar com vários nomes indicados ao Oscar e em ascensão. De Toni Collette (Hereditário) à Natalie Dyer (Stranger Things) à John Malkovich (Bird Box). Gyllenhaal, que é basicamente o protagonista, acaba sendo ofuscado pelos coadjuvantes (especialmente Russo).

Já que não temos para quem torcer (e os personagens não chegam a ser tão odiosos quando poderiam), nos resta apenas esperar que morram o mais rápido possível. O que nos leva a outro ponto negativo: as mortes. No geral, são mal-elaboradas, não são chocantes tampouco muito originais e se você viu o trailer, com certeza já sabe de basicamente todas elas.

Por mais que tenha uma premissa intrigante (e a composição do filme em si chame a atenção), Velvet Buzzsaw é só uma bobeira esquecível e pretensiosa, um roteiro que perde muito tempo batendo na mesma tecla, tentando passar uma mensagem que simplesmente não funciona. Ao fazer isso, ele acaba perdendo a oportunidade de aproveitar a única chance que o restava pra ser bom: investir no terror. No final das contas, se ele fosse uma página de Facebook, provavelmente seria a Crítica social fuderosa demais lacrou.

Título Original: Velvet Buzzsaw
Ano: 2019
Duração: 112 minutos
Direção: Dan Gilroy
Roteiro: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Toni Collette, Zawe Ashton, Tom Sturridge, Natalia Dyer, Daveed Diggs, John Malkovich, Billy Magnussen