Análise: O tema que se repete - ideia batida ou falta de criatividade? - Sessão do Medo

17 de março de 2019

Análise: O tema que se repete - ideia batida ou falta de criatividade?


É manjado, como também o fato para nós cinéfilos que, de vez em vez esbarraremos em histórias já vistas. Talvez naquela sequência fracassada de um bom filme; ou nos conhecidos remakes, seja até mesmo num formato de série... Em resumo, a mesmice está presente em qualquer tipo de obra e gênero.

No terror ou no suspense é de praxe ideias ruins que simplesmente se lançam ao óbvio, ou quando filmes promissores se perdem sendo previsível - mas claro que há exceções. Pensando nas repetições, vamos começar falando do filme Maligno, que estreou no último dia 14.

Verdade seja dita, crianças do mal não é novidade para o gênero - filmes como A Órfã, A Profecia ou O Chamado são alguns exemplos - e por mais que alguns clássicos sejam reconhecidos, para se tornar um fator diferenciado para algo repetidamente revisitado, precisa estar bem estruturado invés de recorrer a meios comuns para fins esperados. 

Na trama de Maligno o jovem Miles (Jackson Robertt Scott) é o responsável por espalhar o terror, ao qual leva Sarah (Taylor Schilling) se fortalecer na maternidade para descobrir e o lutar contra o mal que rodeia o filho. A descrição do enredo já sugere que o longa irá se apoiar em aspectos usuais, já atraindo um pouco de desesperança, mas ao mesmo tempo continua chamativo por parecer querer oferecer mais isso. Infelizmente terei que parar por aqui, pois não tive a chance de o conferir.

Ok, é mais um entre outros. Mas além dele, The Hole in the Ground é mais um filme lançado esse ano que se baseia na mesma temática de criança malvada. Basicamente, na trama conhecemos Sarah - até o nome é comum - (Seána Kerslake), uma mãe solteira que se muda com o filho Chris (James Quinn Markey) para uma casa isolada na Irlanda, a fim de se restaurarem. Coisas estranhas começam acontecer depois que ela observa que uma enorme cratera se aloca num bosque próximo a sua casa, e que de algum jeito o comportamento de Chris está diferente, passando acreditar que talvez não seja o filho que conhecia.

James Quinn Markey como Chris.


Em sumo, o filme consegue ser proveitoso, mas recorrendo (de novo) a atalhos persistentes, como se fosse o único jeito para construir o clímax necessário. Dito isso, a produção pode ser rapidamente esquecida na história, mas merecidamente lembrada pelo desempenho de James e Seána. 

Indo para o segundo exemplo de temática, o terceiro filme ainda não foi lançado nos cinemas, somente foi exibido no grande SXSW Film Festival. Dessa vez, amigos imaginários é o tema presente, mas pelo menos não é usado com frequência. O longa referente se trata de Daniel Isn't Real ("Daniel Não é Real", em tradução livre), trazendo a história de Luke (Miles Robbins) o qual ao passar por trauma familiar, decide trazer seu amigo inventado de infância, Daniel (Patrick Schwarzenegger) para lidar com o problema. Até então, o longa tem rendido elogios e realmente conseguiu gerar a curiosidade. 

Porém, para somar como mais um material repetitivo teremos Z (será que no Brasil ganharemos um título especial como "Z - Um Amigo Imaginário"?), o qual trará a história de uma família que vivencia momentos de terror diante da presença do amigo imaginado de um garoto de 8 anos. Nenhuma opinião divulgada sobre o mesmo, mas seria amigo imaginário uma tendência? Sabemos que, esses se tornando populares ao decorrer do ano, com certeza deveremos ver produções similares tentando alavancar em cima do sucesso alheio.

cartazes de Daniel Isn't Real e Z, qual amigo será o mais macabro?
Como terceiro e último exemplo, vamos para o suspense fazendo crítica social a Internet. Ao citar o tema, não deve ser muito difícil lembrar de Buscando, o qual é dos títulos que mais souberam transitar sobre o formato e consolidar algo bom e memorável. Felizmente o longa conseguiu provar o potencial e não cair nas graças de comparações a Amizade Desfeita (que ganhou uma sequência no ano passado, indicando que pode se tornar uma franquia antológica) ou mais veterano The Den (2013).

Os quatro compartilham algo em comum: o estilo em que os personagens interagem através da tela de um computador, enquanto estão envolvidos em situações embaraçosas. De longe, são exemplos dentro do formato e temática que mais puderam se destacar, mas além deles, por mais que se trate de críticas a sociedade virtual, o gênero carrega notáveis perdas de tempo.

imagem de Medo Viral
O penúltimo exemplo dentro do tema é o desperdiçado Medo Viral, também do ano passado. Já imaginou se um app prometesse ser um bom auxiliador na sua rotina, mas ao ceder permissões (como o acesso aos contatos do smartphone) se revelasse um tipo de Siri maligna, ciente dos medos dos usuários e disposta a usá-los até causar suas mortes? Ambicioso mesmo, certo? Só que o longa é mais um dos exemplos de quando a produção abandona um conceito interessante para ser previsível e vazio.

Para encerrar, essa semana foi divulgado a trama de Countdown ("Contagem Regressiva", na tradução) ao qual trará Elizabeth Lail (das séries YOU e Dead of Summer) como protagonista. A jovem garçonete que decide instalar um app que prevê a morte de uma pessoa, para em seguida se ver presa, correndo contra o tempo, com 3 dias para escapar de uma entidade que a persegue não é algo inovador, mesmo lembrando e muito o filme Ligação Perdida (que ganhou um remake americano, o Uma Chamada Perdida)

Com isso, a questão não se trata sobre repetir ideias até sair algo relevante, mais ao fato de tanto revisitar e tentar um resultado diferente em cima da mesmice e acabar fracassando, apontando um desgaste e uma criatividade rasa.