Crítica: Espinhos (2008) - Sessão do Medo

26 de março de 2019

Crítica: Espinhos (2008)


É possível todo clichê ser ruim? Quase que inevitável (ou não), é de praxe termos obras que esbanjam o comum, tendo por trás uma boa ideia que não vai além das limitações do óbvio. O filme "Espinhos" (2008) foi embasado nesse perfil, mas ao menos conseguiu se destacar pelo visual da criatura espinhosa, responsável pelo que teve de melhor na produção.

Como supracitado, o longa vestiu de um enredo raso e escrachado, sem nem mesmo construir uma atmosfera habilidosa que empolgasse, dando até a impressão que estava seguindo retalhos de sequências vistas em outros filmes, até que de fato viesse a engrenar e envolver com o seu conceito, quando na verdade teve a sorte de não cair no ridículo que o título sugere.

Dirigido por Tolby Wilkins (do desnecessário "O Grito 3", de 2009), a trama acompanhou um jovem casal disposto a acampar no final de semana. Porém, antes que pudessem desfrutar do amor e da boa natureza, foram surpreendidos por um casal de fugitivos em busca de carona. Tudo poderia se resumir a um suspense movie road, mas o que encontraram foi um terrível parasita que transformava suas vítimas (vivas ou mortas) em hospedeiros mortais.

A boa sacada em unir quatro pessoas desconhecidas em prol da luta contra uma ameaça e sobreviverem poderia ser um excelente engajador da trama, mas se opondo a isso, foi não ter desenvolvido os personagens de forma interessante. Apenas seguimos a intimidação dos fugitivos, a tensão dos outros em fugirem, sabendo que logo, logo encontrariam a figura bizarra de espinhos para chacoalhar a viagem sem rumo.

Compondo melhor do que poderia se imaginar, Wilkins fez de "Espinhos" um daqueles casos de quando a "vilania" sobressai da trama meia boca e personagens automáticos e ao não permitir que a película caísse no desgosto de ser um desperdício. 


Indo para um caminho diferente do que a abertura apresentou, entender o funcionamento do parasita contra suas vítimas pode ser pontuado como um atrativo curioso e agonizante de acompanhar, visto que os conviventes efeitos práticos não pouparam o horror gráfico nem o gore, para provar que "os espinhos" não ficariam na sugestão de explorar mais ou não do conceito.

Talvez os movimentos rápidos da câmera e os cortes abruptos da edição - o que indica o baixo orçamento - sejam um incomodo para a percepção de algumas cenas, mas consequentemente positivas, esses artifícios tornaram a caracterização do parasita ainda mais bizarra, destacando a criatividade para uma criatura perversa e sedenta, assim como conseguiu dá um toque vantajoso para a sua mobilidade.

Assumindo várias formas e todas elas sendo proveitosas dentro do terror, somemos tudo isso com outro acerto ao fato de não sabermos a origem do parasita, apenas tomamos conhecimento de suas ações para possuir o hospedeiro e com isso garantindo uma distração suficiente, enquanto o Wilkins não consegue sustentar certas abordagens (como a claustrofobia) por se entregar ao que obviedade pede.
No final, "Espinhos" se contenta em fazer o esperado do jeito mais genérico possível e para quem busca um terror básico e sem compromissos, cai como uma luva. Mas com todo o cuidado, pois tudo que ele precisar é estar deixado de sua pele.



Título: Splinter
Ano: 2008
Duração: 82 minutos
Direção: Toby Wilkins
Roteiro: Ian Shorr, Kai Berry
Elenco: Jill Wagner, Paulo Constanzo, Shea Whigham, Rachel Kerbs, Laurel Whitsett