Crítica: A Última Casa (2009) - Sessão do Medo

18 de março de 2019

Crítica: A Última Casa (2009)


A década passada foi marcada no terror como a década das refilmagens. Desde que o sucesso inesperado de O Massacre da Serra Elétrica (2003) chamou a atenção das produtoras, outros clássicos do horror foram reimaginados. Dos sobrenaturais asiáticos (O Chamado, O Grito, Água Negra) aos slashers setentistas/oitentistas (Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Halloween), vários desses remakes variavam de qualidade, o que preocupava o público cada vez que um novo projeto era anunciado. Chegou então o momento de Aniversário Macabro (1972), uma obra controversa por si só, ser adaptado novamente. 

Para quem não conhece, o originalmente intitulado The Last House on the Left foi o primeiro filme de Wes Craven, que acompanhava uma trupe de psicopatas que se refugiavam numa casa sem saber que ela pertencia aos pais da sua vítima mais recente. Lançado no início dos anos 70, uma década que seria posteriormente conhecida como bastante liberal para o gênero, essa pequena produção independente colecionou banimentos ao longo do mundo pelo seu conteúdo altamente violento. Hoje em dia, Aniversário Macabro não funciona da mesma forma e seus quase cinquenta anos de idade não lhe fizeram muito bem, portanto, refilmar seria um desafio uma vez que a visão sobre a violência se tornou mais branda nesse espaço de tempo.


Para tornar a experiência ainda mais real, o diretor Denis Iliadis resolveu cortar um elemento distrativo do original: as cenas envolvendo um par de policiais atrapalhados que só aparecem para causar um alívio cômico em meio a chocantes cenas de estupro e esquartejamento. A presença da dupla é uma coisa que eu nunca vou chegar a entender e ao cortá-la, Iliadis deixa em foco a seriedade da questão.

Ao contrário da versão de 72, a jovem Mari (Sara Paxton) não está fazendo aniversário no fatídico dia em que ela e sua amiga Paige (Martha MacIsaac) se deparam com a família do assassino Krug (Garret Dillahunt). O que começa com uma simples compra de maconha leva as duas garotas à uma situação apavorante: no meio da floresta, elas são brutalmente violentadas e deixadas para a morte. Após o ocorrido, durante uma tempestade, Krug e sua gangue formada pelo seu filho Justin (Spencer Treat Clarke), seu irmão Francis (Aaron Paul) e a sádica Sadie (Riki Lindhome) procuram ajuda na casa mais próxima, a dos Collingwoods (Tony Goldwyn e Monica Potter). O que eles não imaginavam é que eles são os pais de Mari, ainda alheios ao que aconteceu com sua filha.

Particularmente, não sou um grande fã do original, o que tornou a tarefa de A Última Casa ser superior à ele muito mais fácil para mim. É um filme que mantém a brutalidade da história na medida certa, sem parecer muito apelativo ou propositalmente chocante. Por ser um filme mais sério, é mais fácil se apegar aos personagens e compadecer com o sofrimento deles.

O roteiro procura dar mais profundidade aos rostos em tela e os personagens ganham mais personalidade e individualidade, o que influencia diretamente na história. Mari, por exemplo, é uma nadadora. Por conta disso, a fuga dela para o lago e sua quase morte (outra diferença grande visto que ela realmente morre no original) é ainda mais justificada por fazer uma relação direta com uma cena anterior.


A mão de Iliadis é boa por ele saber priorizar certos elementos na história e conduzi-la de forma responsável. Tomemos como exemplo a sequência do ataque: por mais degradante e horrorosa que seja a situação, não nos preocupamos em ter uma visão muito sexualizada dos acontecimentos, coisa que constantemente rola nesse tipo de filme. 

Outro ponto positivo é que a segunda metade é muito mais elaborada, visto que o original, por ser um filme de duração curta, acaba apressando bastante a parte da vingança dos Collingwoods. Outra alteração grande foi dar ao filho do Krug um papel mais esperançoso, ainda que a forma que a família o "acolhe" tão facilmente não seja muito verossímil. Mas pelo menos, o desfecho de cada um dos vilões (em especial o de Krug) é bastante satisfatório.

Mas ainda que seja um filme acima da média, há algumas coisas que não me agradaram tanto. Quem viu o original, sabe o quão doente, perversa, asquerosa e odiosa é a trupe de Krug. Senti que amenizaram um pouco isso neles, talvez para que não soasse tão gratuito, mas isso fez com que Francis e Sadie, por exemplo, ficassem um pouco apagados. Em contraponto, os Collingwoods se tornaram mais humanos, o que é uma pena visto que seus atores não são tão carismáticos para que o público se conecte com eles a um nível mais profundo. 

De resto, A Última Casa foi uma produção que hoje em dia já está meio esquecida, não fez muito burburinho na época e digamos que passou despercebida. Mas é um filme decente, um remake que conseguiu extrair o que há de bom no original e melhorar em quase todos os aspectos. 


Título Original: The Last House on the Left
Ano: 2009
Duração: 110 minutos
Direção: Denis Iliadis
Roteiro: Adam Alleca, Carl Ellsworth
Elenco: Tony Goldwyn, Monica Potter, Garret Dillahunt, Sara Paxton, Spencer Treat Clarke, Aaron Paul, Riki Lindhorne