Crítica: The Haunting of Sharon Tate (2019) - Sessão do Medo

8 de abril de 2019

Crítica: The Haunting of Sharon Tate (2019)


O assassinato de Sharon Tate, na noite de 8 de agosto de 1969, é o crime mais famoso e cruel envolvendo uma personalidade de Hollywood. Grávida do cineasta Roman Polanski (do clássico O Bebê de Rosemary), a atriz de apenas 26 anos foi surpreendida em sua casa por membros da seita de Charles Manson e apunhalada 16 vezes. Susan Atkins, uma das assassinas, ainda usou o sangue de Tate para escrever a palavra pig (porco, em português) na porta principal da residência. Mais quatro pessoas morreram naquela noite. 

Inspirando por uma entrevista real (feita um ano antes da tragédia) na qual Tate afirma ter pesadelos em que é assassinada, Daniel Farrands (roteirista de Halloween 6 - A Última Vingança) recapitula os últimos dias de vida da atriz em The Haunting of Sharon Tate (2019). A história começa com a protagonista (interpretada por Hilary Duff, de A Nova Cinderela) voltando para sua luxuosa casa em Los Angeles depois de uma viagem à Europa com o marido, que ficou em Londres para trabalhar no roteiro do seu novo filme. Acompanhada de um casal de amigos, Tate se sente estranha na sua própria residência e vê aumentar o pressentimento de que algo terrível está prestes a acontecer. A paranoia cresce ainda mais quando ela descobre fitas de áudio misteriosas que seus amigos tentaram esconder.


The Haunting of Sharon Tate (A Assombração de Sharon Tate, em tradução literal ao português) é aquele típico caso de filme que parte de uma ideia boa, mas acaba prejudicado por uma execução terrivelmente ruim. Se o primeiro trailer divulgado prometia uma obra carregada de tensão e violência, o longa escorrega em um roteiro burocrático e cheio de clichês do subgênero de home invasion: o cachorro morto, o telefonema anônimo, o visitante misterioso que bate na porta, entre outros. Farrands ainda distribui doses de vergonha alheia inserindo pseudoreflexões de Tate sobre destino (uma tentativa falha de conferir complexidade dramática à trama) e cenas como a da carne podre na geladeira. Ao mesmo tempo, desperdiça oportunidades de explorar o suspense, especialmente na parte em que Tate confessa a Jay (Jonathan Bennett, de Meninas Malvadas) que desconfia que Abigail (Lydia Hearst) e Wojciech (Pawel Szajda, da série Elementar) estejam escondendo algo. Afinal, por que não prolongar o comportamento estranho desses personagens e plantar a dúvida também no espectador?

No elenco, repleto de rostos desconhecidos, não há ninguém que se destaque. Em seu primeiro papel em um filme de terror, Hilary Duff se mostra presa às mesmas expressões de pânico e medo, não agregando nenhuma complexidade a Sharon Tate. Sabemos que estamos diante de uma grande interpretação quando o personagem se torna tão verossímil e envolvente que nos esquecemos que se trata de um ator, o que não é o caso de Duff nesse filme.


Roman Polanski, marido de Tate na época do assassinato, é citado nominalmente em vários momentos, mas nunca o vemos em cena - quando Tate conversa com ele por telefone, só ouvimos a fala dela, em um momento no qual fica ainda mais visível a fragilidade da atuação de Duff. Por mais que estivesse viajando na história, a aparição de Polanski não seria uma má ideia. Seguindo a lógica de que mostrar é melhor do que contar, por que não colocar um flashback do casal em vez dos diálogos em que Tate se diz insatisfeita com o casamento e afirma que estaria sendo traída?

The Haunting of Sharon Tate não é uma bomba, mas está fadado ao esquecimento e parece não ter outra função senão trazer ainda mais dor aos familiares das vítimas - a irmã de Sharon, Debra Tate, criticou a exploração do caso. "Isso [a história] tem sido transformado em uma coisa que é mais ficção do que verdade. Celebrar os assassinos e a porção mais obscura da sociedade como algo sexy ou aceitável de alguma forma é simplesmente perpetuar o que há de pior. Precisamos parar com isso", afirmou Debra. Por mais que adoremos filmes de terror, está aí um ponto que merece reflexão.

Título Original: The Haunting of Sharon Tate
Ano: 2019
Duração: 94 minutos
Direção: Daniel Farrands
Roteiro: Daniel Farrands
Elenco: Hilary Duff, Jonathan Bennett, Lydia Hearst, Pawel Szajda, Ryan Cargill, Bella Popa