Crítica: O Buraco (2009) - Sessão do Medo

11 de abril de 2019

Crítica: O Buraco (2009)


Entre sequências indesejáveis (como Halloween 2), filmes ruins demais da conta (Pacto Secreto), remakes (Sexta-Feira 13) e gratas surpresas (o inesquecível A Órfã), podemos dizer que 2009 foi um ano interessante para os gêneros de terror e suspense. Se enquadrando como um longa que poderia ser bem mais rentável, O Buraco trouxe um tema maduro destrinchado nos moldes do terror psicológico, entretanto, apenas colocar os pés na água só deixou o gostinho que poderia ter se aprofundado.

Contém spoilers

Típica e batida, a ideia não poderia ser melhor. Depois de tantas mudanças, a mãe Susan (Teri Polo) arranja um novo lar para se reerguer com os dois filhos, Lucas (Nathan Gamble) e Dane (Chris Massoglia). Além do nervosismo de Dane quando perto da vizinha Julie (Haley Bennett), e as briguinhas de irmãos, o que poderia dar errado para a família? Maldição antiga após as mortes dos antigos moradores? Espírito travesso que quer ser entendido? Nada disso, um buraco no sótão que claramente não deveria ser aberto é o causador de estranhas manifestações para quem viu sua escuridão.

Conhecido por títulos como Gremlins (1984) e Pequenos Guerreiros (1998), Joe Dante se lançou no seu estilo de misturar terror, comédia e fantasia nessa empreitada que prometia ser sombria e assustadora. O tom descontraído, de momentos bobos e uma pegada juvenil foram aspectos propositais para compor o perfil do filme, o que não chega a ser incomodo, se junto a isso deixasse de desenvolver os personagens.

A mudança da família, o encontro com algo sobrenatural para confrontá-los, a garota festeira que mora ao lado mas que encontra um norte ao se aproximar dos irmãos e nisso acham um meio em comum que os une, são um conjunto de características genéricas que regem o desenrolar do filme, mas que o tornou preguiçoso. Sendo assim, não tivemos nenhum subtexto que favorecesse os personagens, mas apenas se contentou em entregar situações consequentes da previsibilidade.


Não dispensando a abordagem de pôr os personagens em situações a fim de enfrentarem seus limites, o buraco é o que promoveu o ponto alto do filme ao funcionar como um mundo paralelo que releva os piores medos de quem entra em contato com ele. A inocente curiosidade dos mocinhos em tentar acessá-lo foi o que desencadeou uma série de acontecimentos aterradores, mas que ainda não relevaram o desdobramento da história.

Se limitando em colocações sugestivas, infelizmente O Buraco caiu no embaraço da conveniência, ao apontar em direções que poderiam ser mais exploradas - como o trauma de Julie - e em seguida, se sabotou apresentando resoluções prontas sem envolver os expoentes em seus próprios mistérios - novamente o exemplo de Julie, a mais afetada, pois de maneira disparada soube como encarar o seu medo, fazendo então um momento mastigado sem muito significado.

Ao todo, tivemos dois traumas e um medo sendo visitados. Apesar de uma composição com slow motion, cenário esfumaçado e variados tons de azuis que conseguiram criar um sentido curioso para o mundo que desafiava as questões que apavoram os personagens, Dante cometeu o erro de preencher o filme com o didatismo, sem dar a chance das representações do medo falarem por si, optou por reforçar a todo tempo com os diálogos o que queria dizer.


Com isso, a mensagem ponderada sobre enfrentar a série de dificuldades que os moldaram e terminaram influenciando em seus comportamentos e estabilidade, recebe um ponto a menos quando avaliada junto ao quanto o filme perde tempo em sua aventura de descoberta autoexplicativa, para depois comprovar o óbvio. 

Até quando deixará seu medo te definir, a ponto de consumir suas virtudes? A tarefa não é fácil, mas O Buraco de um jeito "tenso" propôs essa reflexão acerca do quanto deixamos esse sentimento paralisante tomar conta e no lugar mais escuro, as lições que não aprendemos a lidar. Do trágico, o temor, a fraqueza de não conseguirmos ir além dessa parede que nos reduzem, e encobrimos.

Por mais que não tenha ido mais a fundo na mitologia - e ficado em decisões simplórias da ideia -, ao menos Dante conseguiu definir o que queria passar. Mesmo fraquejando em fatores que ajudariam na construção do gênero estabelecido, o buraco é apenas a maneira que ainda você não descobriu para romper com seus empecilhos por trás de toda escuridão.


Título: The Hole
Duração: 92 minutos
Ano: 2009
Direção: Joe Dante
Roteiro: Mark L. Smith
Elenco: Chris Massoglia, Nathan Gamble, Haley Bennett, Teri Polo