Crítica: The Silence (2019) - Sessão do Medo

15 de abril de 2019

Crítica: The Silence (2019)


É engraçado como a fórmula de um filme de sucesso consegue ser repetida tão rapidamente em tão pouco tempo, não é? Ultimamente, tivemos uma série de produções que compartilhavam uma premissa familiar entre elas: a ausência de algum sentido como fator de sobrevivência em um cenário pós-apocalíptico. O primeiro que podemos apontar é Um Lugar Silencioso (2018), onde uma família recorria ao silêncio para evitar o ataque de criaturas alienígenas guiadas pela audição. Depois veio Bird Box (2018), onde os personagens abdicavam da visão para sobreviver à outras criaturas que matavam num piscar de olhos. E agora, novamente pela Netflix, veio The Silence.

No entanto, uma coisa que a grande maioria de vocês podem não saber é que outro fator que une esses três filmes é a coincidência. Todos eles entraram em produção no mesmo período de tempo, entre Maio e Outubro de 2017, sem nenhuma indicação de sucesso que pudesse influenciar um ao outro. Este último no entanto já estava finalizado há meses mas não conseguiu um lançamento até a Netflix adquirir os direitos após ver o sucesso de Bird Box

Com isso explicado, vocês já podem parar de culpar diretamente a Netflix pela grande atrocidade que é essa pequena produção que conseguiu um mínimo de relevância por ter pego o embalo dos supracitados longa-metragens. O grande pecado de The Silence, além de seu roteiro, é ser um filme que não tem auto-consciência. Junte isso aos péssimos dotes diretoriais de John R. Leonetti, o irresponsável por Annabelle (2014), O Perigo Bate à Porta (2017) e 7 Desejos (2017), e temos um dos piores filmes do ano.


A personagem de Kiernan Shipka (O Mundo Sombrio de Sabrina) é o centro da trama. Ally é uma jovem que perdeu a audição aos 13 anos. Desde então, ela e sua família - composta por seu pai Hugh (Stanley Tucci), sua mãe Kelly (Miranda Otto), sua avó Lynn (Kate Trotter), seu tio Glenn (John Corbett) e seu irmão mais novo Jude (Kyle Harrison Breitkopf) - se adaptaram às novas condições para auxiliar a garota. Eles só não esperavam que isso fosse ajudá-los quando o mundo começasse a ruir após um desmoronamento causado por arqueólogos libertasse uma raça pré-histórica de criaturas conhecidas como "vespas", desprovidas de visão e que caçam pelos ruídos. 

Sim, as semelhanças com Um Lugar Silencioso são bem curiosas - ainda que The Silence seja baseado em um livro de 2015. No entanto, há um detalhe que pode ser destacado como diferencial, ainda que ele não seja muito bem desenvolvido: a presença de um culto que se apresenta como uma ameaça tão perigosa quanto às criaturas.

Acontece que por mais que os noventa minutos de duração sejam relativamente curtos, parece uma eternidade visto que o filme falha em quase todos os aspectos principais. É uma tortura. Comecemos pelos personagens principais. Temos atores ótimos liderando o elenco, mas é incrível como todos eles são extremamente apagados - e nem é como se fossem eclipsados por outro fator. Sei que ficar comparando é chato, mas vou tomar com exemplo Um Lugar Silencioso novamente, onde os personagens são todos explorados o suficiente para que o público crie um laço com eles e se importem com seus destinos. Agora eu os desafio a ligar pra algum desses aqui...


Isso se dá por conta do roteiro que é todo esburacado, totalmente apressado na primeira metade e em menos de meia-hora já aconteceu coisa suficiente para um longa-metragem. Por conta disso, os personagens são desbotados e suas atitudes são bastante questionáveis. Em certo momento, era necessário deixar um membro da família e não há uma lágrima derramada. Na cena seguinte, o cachorro precisa ser abandonado (ok, entendo) e rola um grande slow-motion dramático...

Como falei lá em cima, o diretor parecia não ter o mínimo de consciência do seu orçamento e opta por sempre destacar as criaturas criadas em um CGI horrendo e nada convencível, empobrecendo mais ainda a produção. O tal do Leonetti poderia facilmente ter contornado isso com escolhas artísticas que investissem no suspense e na tensão, mas o resultado é desastroso.

No final das contas, além da radiação a qual o público é exposta, ainda há o descontentamento em ver nomes como Tucci e Otto sendo subutilizados em um filme tão mequetrefe. Se serve de consolo, pelo menos ninguém pagou um ingresso para ver essa "obra-de-arte".

Título Original: The Silence
Ano: 2019
Duração: 90 minutos
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Carey Van Dyke, Shane Van Dyke
Elenco: Kiernan Shipka, Stanley Tucci, Miranda Otto, John Corbett