Crítica: You Might Be the Killer (2018) - Sessão do Medo

18 de abril de 2019

Crítica: You Might Be the Killer (2018)


Abram os portões, pois o slasher está de volta no acampamento de verão! Bem, essa não é a primeira tentativa do cinema em homenagear o subgênero através da nostalgia. Em 2015, por exemplo, tivemos o delicioso Terror nos Bastidores, prestigiando o ano de 1980 com sua mistura de horror e comédia. Não muito diferente dele, recentemente foi a vez de You Might Be the Killer mostrar potencial nesses quesitos. O frustrante, foi ver que nem em toda sua originalidade foi capaz de manter a essência viva.

Contém mais spoilers que o próprio nome

Assim como o título, trailer, poster ou qualquer outro material de divulgação sugere, a trama não tem nada de misterioso a esconder. Como tradição, o instrutor e coordenador do acampamento Sam (Fran Franz) segue a todo vapor para trazer curtição para as crianças que ali harmonizam, e para isso conta com a ajuda da confiável equipe de conselheiros. Quando de repente, Sam se ver fugindo de um assassino e, em meio a blackouts de suas memórias, invoca a ajuda da amiga - e não da polícia - Chuck (Alyson Hannigan) para desvendar quem está por trás dos assassinatos. O "chocante", é chegarem a conclusão de que talvez Sam seja o verdadeiro culpado.

Até para quem caiu de paraquedas no longa (como eu), em menos de vinte minutos de filme pode sacar o que deveria ser o enigma tradicional dos slashers: a revelação do killer, porém, ao mesmo tempo que a suposta incógnita fica exposta, percebe-se a condução proposital para a conclusão de que não era essa a grande sacada do filme. De fato a premissa é bem mais ambiciosa. 

Seguindo a vibe cômica, a esperada reverência para com as películas oitentistas do slasher é muito bem explorada através de Chuck e o seu conhecimento com as regras da categoria. Logo, trocadilhos repletos de spoilers de grandes clássicos se tornam contagiantes e envolventes, graças ao senso cínico em que a dupla de amigos é colocada a dialogar, enquanto Sam é tomado pelo desespero. Indo mais a fundo, e adquirindo aspectos marcantes, a trilha sonora, a locadora de vídeo, o telefone, os riscos no vídeo abrangem uma estética para tal época.

Alyson Hannigan como Chuck.

Superando as limitações da previsibilidade, Brett Simmons faz de You Might Be the Killer um excelente exemplar de quando um gênero pode ser desconstruído. Diferente de seguirmos a típica história de personagens fazendo coisas estúpidas e que ironicamente atraem suas mortes, Simmons propôs uma narrativa eficaz, onde nem mesmo o desenvolvimento dos jovens conselheiros se tornou um adendo que não foi visitado.

Invertendo o processo tradicional, o ponto alto do longa se encontra exatamente no fato de que o assassino se torna o protagonista. Mas ora, ideia nada nova para um vilão, certo? Mas nesse caso, não acompanhamos a perspectiva dos personagens de encontro com a morte e depois descobrindo como saírem vivos, e sim, o carrasco mascarado obtendo o conhecimento do universo que rege o slasher, como ele e de onde várias figuras fizeram parte e se tornaram memoráveis para a Sétima Arte.

Pausar, confundir as ordens dos assassinatos, brincar com as lembranças de Sam promoveram uma narrativa descontraída e engraçada, tirando a temática de um lugar comum e fazendo o óbvio não ser tão ruim quanto indicava, contudo divertido. 


Sem dúvidas, Simmons fez um filme bastante moderado quando o horror precisava tomar forma (até mesmo brutal) e intermediar com a comédia sem nenhuma dificuldade, e depois de tantas investidas duvidosas do diretor com o terror, aqui temos um produto certeiro e com finalidade fechadinha, sem pretensões de estender uma boa fórmula em sequências repetitivas. 

No entanto, tal fórmula apresenta um desgaste depois que o usual se fazia presente novamente, mesmo para uma produção que se preocupava em subverter as regras e lógicas que consistem em seu âmbito. Como se não bastasse, depois de tanto esforço para lapidar a história e conduzi-la a base da genialidade e originalidade, acabou dando um tiro no pé e vestindo a boa ideia que arriscou por caminhos bem pensados, com a carcaça da predição.

You Might Be the Killer pode não ser o filme que fez barulho por ser diferente, mas vale a pena por oferecer uma perspectiva distinta e ousada para um gênero que não cansa de repetir. Não se deixe frustrar pelo "talvez" título, pois é tudo verdade, mas vale a descoberta.


Título: You Might Be the Killer
Ano: 2018
Duração: 92 minutos
Direção: Brett Simmons
Roteiro: Kevin Berzoyne
Elenco: Fran Franz, Alyson Hannigan, Brittany S. Hall, Jenna Harvey,Patrick R. Walker