Crítica: Into the Dark 1x01 - "O Corpo" - Sessão do Medo

19 de abril de 2019

Crítica: Into the Dark 1x01 - "O Corpo"


Muito provavelmente Into the Dark não deve ser um nome estranho para você. Talvez como a série antológica do Hulu ou a série de terror que vem recebendo recepções negativas ao longo de cada episódio exibido, ao menos já ouviu falar. Então, caso não tenha assistido por receio ou qualquer outro motivo, essa é a sua chance de acompanhar o show aqui no Sessão do Medo, onde toda sexta-feira falaremos sobre os capítulos lançados até o momento. Preparados ou não, vamos ao corpo.

Além do formato antológico, a atração tem um estilo especial, o qual ao longo de doze meses um episódio com mais de uma hora de duração será lançado na primeira sexta-feira do mês. Na bola da vez, a estreia se deu em cinco de outubro do ano passado, mirando o vindouro Halloween. Temático e ambicioso, o piloto ou telefilme (como preferir) pode ter fisgado os menos exigentes, ou os que aceitaram sua proposta.

"Um raio não cai no mesmo lugar duas vezes". Desmitificando o ditado, O Corpo não caiu duas, e sim três - coincidentemente, foram necessárias três tentativas para eu encarar o episódio. Inicialmente idealizado em 2013 no curta-metragem dirigido por Paul Davis, a atração também pôde ser vista no curioso Patient Seven (2016) até chegar aqui, na superprodução do Hulu em parceria com a Blumhouse, a casa queridinha do horror.

Apontar o telefilme como um possível remake não é errôneo, visto que a dupla de roteiristas (Davis e Paul Fisher) voltaram a trabalhar juntos, com a diferença que esticaram a pauta para algo mais arrojado. Focada numa noite de Halloween, o assassino frio e calculista Wilkes (Tom Bateman) estava apenas cumprindo mais um de seus serviços perfeitos a fim de receber uma recompensa. Confiante do seu esquema, Wilkes realmente esperava que iria conseguir andar pelas ruas de LA, arrastando um corpo enrolado num plástico sem que ninguém notasse. Sossegado seu esquema, ele só não esperava que viveria uma série de situações que tornaria a tarefa de transportar um corpo o pior dos seus pesadelos.

Tom Bateman como Wilkes.

Mais do que um dito remake, O Corpo é uma investida que se preocupa em honrar a casa a que pertence. É nítido como em sua primeira apresentação o projeto mostra que será um atrativo relevante para o terror, pois afinal, o que poderia dar errado numa noite do dia das bruxas? O que poderia ser um diferencial com base no que já foi feito? São questionamentos como esses que o show lança no que se arrisca para não se limitar.

Abrindo com alta dose de suspense e tensão, a direção trata de destacar os detalhes de um cenário marcado por uma luta, até sermos direcionados pela câmera para o corpo caído no chão. Apontando para a urgência que envolve Wilkes e simultaneamente atiçando a curiosidade para o ocorrido, ficamos sabendo que sua vítima se trata de um famoso e que para levar o corpo ao seu destino, no período de quatro horas, ele tem apenas a metade do tempo.

Nesse contexto, conforme o assassino é desviado de sua missão, a coisa começa a ficar mais interessante conforme surge a questão do que acontece se o corpo não for entregue do tempo estimado. Para o amargo do que a narrativa vinha reforçando, esse já se torna um fator frustrante para história, uma vez que tanto insinuou, mas acabou seguindo por caminhos baseados em reviravoltas. Ainda assim, serial legal ver até onde a premissa estaria disposta em misturar elementos perigosos e explodir ao amarrar todas as pontas soltas.

Dentre todas as inconstâncias, O Corpo se torna um exercício de possibilidades que irão de encontro aos personagens. Do humor às críticas aos comportamentos e atitudes egoístas e insensíveis  das pessoas, o episódio ainda consegue funcionar como um ensaio no que diz respeito às posturas estúpidas dos personagens que tanto vimos em filmes de terror. Daria mesmo certo pensarem logo no que está tão óbvio e saírem ilesos da situação ou seguirem o bloqueio do desespero e encontrarem um triste fim?

a brilhante Rebecca Ritenhouse em cena ao lado de Bateman


Ainda sobre as muitas variações do episódio, fica claro aqui o quanto a direção quis que as referências para o gênero estivessem presentes. Desde títulos de filmes mediante a caracterização dos personagens e as situações em que se encontram, como o local (P2 - Sem Saída mandou um salve) em que contracenaram. Não bastando isso,  O Corpo também arranjou espaço para inserir o estilo slasher (as perseguições, as mortes, os lugares inusitados para se esconder), e assim fazer com que o capítulo aproveitasse o máximo a categoria a qual faz parte.

E diante de todas esses atributos, de todos altos e baixos, o que mais assusta são os personagens. O que iniciou com um serviço, vai tomando proporções que, pouco a pouco se tornam embaraçosas. A partir disso, vem a contestação, o encarar de onde estão as intenções das pessoas. Seguida de tantas coisas erradas, tomamos exposições de suas personalidades, mas ainda assim, nada se compara ao horror das inclinações que almejam cumprir apenas para fugirem das inevitáveis consequências, ou atingirem seus objetivos.

Com reviravoltas derivadas de conveniências que pareciam não terem fim, e esbanjando referências bem encaixadas, The Body foi o início de um projeto que demonstra ter identidade com estilo para agregar para o terror.


Título: Into the Dark - The Body
Ano: 2018
Duração: 82 minutos
Direção: Paul Davis
Roteiro: Paul Davis e Paul Fisher
Elenco: Tom Bateman, Rebecca Ritenhouse, Aurora Perrineau, David Hull, Ray Santiago