Clichês: o que não aguentamos mais ver em filmes de terror - Sessão do Medo

30 de maio de 2019

Clichês: o que não aguentamos mais ver em filmes de terror


Que o clichê está em tudo não é mais novidade - mesmo em obras elogiadas a coisa escapa um pouco -, mas para nós, amantes do terror, já se tornou lastimável. Salvando-se os filminhos indie, na maioria das vezes esbarramos em filmes tradicionais que não cansam de ficar na mesmice.

Por que repetir tanto como se fosse a primeira vez? Não sei a resposta, mas venha se divertir relembrando os clichês irritantes que você não aguenta mais ver!


Pobres cachorros

Harry, o cão da família no filme Horror em Amityville (2005).

Há quem diga que o melhor amigo do homem enxerga o sobrenatural e sente presenças além de muitas pessoas. Por isso, não é à toa que tanto no gênero do terror quanto no suspense, os cachorros fazem a mera participação de gemer para câmera em sinal de que tem algo maligno no recinto, enquanto o dono nem desconfia - como no recente Morte Instantânea (2019).

Tudo bem se fosse só para esse fim, mas já reparou que os queridos dogs não duram até o final do filme? O próprio Harry que ilustra essa primeira parte do texto é um exemplo de uma vítima da trama sinistra que fez parte. Outro filme com temática envolvendo família que trouxe morte ao cão é Invocação do Mal (2013) - aí corta para as cenas típicas da procura do animal perdido, até chegar na parte mais inesperada da casa e encontrar o bicho brutalmente morto.

Parece que quanto mais se pensa no assunto mais nomes surgem, então podem ser citados aqui filmes como: A Visita (2015), 7 Desejos (2017), Ao Cair da Noite (2017) e O Babadook (2014). Por que simplesmente não deixam os cães em paz?


Para onde correr?

A imagem que ocupa a capa desse texto pertence à cômica abertura do filme Todo Mundo em Pânico (2000), e ela representa muito bem as inúmeras sequências de perseguições em que a personagem em perigo não sabe o que fazer. Mais presente nos slashers, o nervosismo é inevitável depois de ver alguém morrer por burrice.

O assassino vem em disparada pronto para derrubar a vítima, e o que ela faz: A) corre para a porta do fundo, B) Sobe as escadas, C) Se tranca no banheiro ou D) Se tranca no quarto e tenta pular a janela? Das quatro alternativas, a primeira é a única que raramente acontece, e se calhar, o psicopata já espera na saída ou a moça (na maioria dos casos) tenta pegar uma faca rápida na cozinha para tentar brigar. O resto é se trancar no banheiro mesmo e quando tenta se trancar no quarto é quando o assassino já se encontra do lado de fora forçando a porta ao mesmo tempo em que o personagem que a gente torce para sobreviver empurra alguma cômoda para barrar a entrada.

Falando em escadas, dá para matar mais uma trivialidade num só tópico com mais um clichê emblemático quando os personagens correm para escapar da ameaça já caindo com a cara no chão. É de praxe: quando se trata de fugir, é lerdeza que teremos, porque descem e sobem escadas desmoronando, depois nem tentam levantar, mas se arrastam enquanto esperar o mascarado dar o último golpe.

Só porque você precisa, não tem

Pegando de novo o exemplo de Morte Instantânea, é mais um daqueles filmes que trabalha com o óbvio em cima da sua premissa. Para uma mitologia que se embasa no fator "escuridão" para incrementar o enredo, seria demais tentar algo criativo como em Quando as Luzes se Apagam (2016)? Mas parece que o ideal era forçar mesmo com a ausência de luz para o terror se fazer presente.

Logo, coisas irritantes como personagens simplesmente andando em lugares escuros (mesmo sabendo que deveriam evitar) e claro, com lanternas em mãos, indicam que querem morrer de fato, seguindo apenas a lógica do que não teriam como sobreviver caso atacados.

Cena do filme No Cair da Noite

Outros títulos que seguem a regra do escuro é No Cair da Noite (2003) e Não Tenha Medo do Escuro (2010). É só manter tudo aceso que tudo ficará bem... Longe desse universo com advertências estabelecidas, a falta de energia é tão habitual que tudo indica ser padrão quando o perigo está à espreita: a luz tem que cair, o telefone ser cortado, sinal de celular sumir, para assim os mocinhos serem entregues à morte.

Esse é o caminho certo?

Assim como temos personagens em lugares escuros, há também os que procuram os lugares mais inusitados só para soltar um "Hello, it's me"... Brincadeiras à parte, como não perder a paciência quando vão para o porão falar "olá?" ou andam pela casa silenciosa, escura, vazia, perguntando "quem está aí?"? É realmente um saco, mas como o clichê nunca se cansa, esse será um mal que veremos se repetir muito.


A polícia, os jovens detetives e espelhos

Quando acontece do sinal do celular funcionar e a polícia ser finalmente acionada, sempre há o que torna sua participação uma total perda de tempo. Na primeira opção, os oficiais aparecem no final do filme, apenas para encontrar os sobreviventes. A segunda é mais frustrante: os homens da lei até chegam (incrivelmente rápido) depois que recebem o pedido de socorro, mas a versão da vítima é simplesmente enfraquecida pelos argumentos do opositor e em quem a polícia acredita? Isso mesmo, no bad guy.

A última é quando a vítima até consegue o apoio das autoridades, mas o vilão surge e mata os policiais sem maiores dificuldades.

Há também os casos de quando as autoridades não são convidadas para a dança - nisso os próprios adolescentes utilizam seus dons investigativos, incorporam os detetives e unicamente dando uma pesquisada no Google ou indo até a biblioteca descobrem o mistério de 20 anos em 20 minutos (ou menos). Não há dúvidas de que todas as peças do enigma se encaixam nesse momento.

Joey King como a protagonista Wren em Slander Man: Pesadelo Sem Rosto (2018)






De tantas formas para o mal se manifestar, nem mesmo ir ao banheiro, atividade básica do nosso dia a dia, é um lugar de paz numa casa em filmes de terror. A pessoa está lá, escovando os dentes, a câmera dá uma volta no ambiente, retorna para o personagem e, no momento em que irá erguer a cabeça, encerra a escovação, guarda o objeto no armário e, ao fechar a pequena porta, o jumpscare entra em cena. É comum ver também o namorado chegando por trás e ainda perguntando "te assustei?".

O Sessão do Medo quer saber: qual clichê você não aguenta mais ver? Nos conte o que te irrita nos filmes de terror!