Crítica: Catacumbas (2007) - Sessão do Medo

5 de maio de 2019

Crítica: Catacumbas (2007)


"Minha irmã me mandou um cartal postal que dizia 'Venha pra Paris. Vai ser bom pra você.' 48 horas depois de eu chegar, ela e todos que conheci estavam mortos."

É assim que começa Catacumbas, um terror pouco conhecido dos anos 2000 cujo único ponto de destaque talvez tenha sido a presença da cantora Pink (creditada como Alecia Moore). Lembro-me de ter o DVD pirata dessa pérola há quase dez anos e era um filme que eu curtia bastante até então, mas sempre evitava uma revisão por já saber que meu gosto conseguia ser um pouco duvidoso na década passada. 

Lançado sem muita cerimônia lá fora e direto em DVD aqui pela Europa Filmes, Catacumbas é um filme situado nas locações que o nomeiam. Como vocês já devem saber, no subsolo de Paris, existem quase 400 quilômetros de túneis que foram utilizados como depósito de cadáveres no século 18 após uma crise de superlotação nos cemitérios locais. Hoje em dia, as catacumbas são um ponto turístico da cidade e por incrível que pareça, sua presença não é tão recorrente em filmes de terror, tanto que o único que me vem à cabeça além deste é Assim na Terra Como no Inferno (2014), uma recomendação igualmente interessante.

Já aqui, é onde o terror se desenrola após Victoria (Shannyn Sossamon, Uma Chamada Perdida) ir visitar sua irmã mais velha Carolyn (Pink) em Paris. A intenção é participar de uma festa organizada por um amigo de Carolyn. Ele idealizou o conceito dessas raves secretas que são realizadas esporadicamente nas catacumbas, organizadas de uma forma que a polícia nunca poderá encontrá-los, visto que uma das principais regras é não fazer mais de uma festa no mesmo lugar. E como eles quilômetros a disposição, a tarefa fica mais fácil.

Victoria obviamente não consegue acompanhar o ritmo da irmã e seus amigos, que estão sempre tentando soltá-la de seu jeito introvertido. Acontece que as coisas saem do controle após Victoria se perder nas catacumbas - e para piorar a situação, ainda é perseguida por um assassino com máscara de boi saído diretamente de uma lenda urbana. Logo ela se vê sozinha no escuro, tendo não apenas que se preocupar em achar a saída daquele lugar, mas não esbarrar com o maníaco a solta na escuridão.

O dilema de Catacumbas é que ele é um daqueles filmes que atiram pra vários lados. E enquanto isso é um ponto negativo, também é um ponto positivo. Tecnicamente, eu o classificaria como um filme de sobrevivência, com toques de slasher. A primeira metade prepara o terreno para uma ótima perseguição entre a protagonista e o "vilão", mas após essa cena, o roteiro muda de direção e acompanhamos um tipo de horror diferente.

O medo personificado no assassino acaba perdendo para o medo de estar sozinha, trancafiada em um labirinto de túneis subterrâneos onde o som não se propaga bem e correndo não só o risco de definhar até a morte se ninguém se lembrar dela mas também correndo o risco de encontrar o seu fim nas mãos de um medonho personagem que pode ou não estar te observando na escuridão. Qual das duas opções é pior? Eu mesmo não quero descobrir.


Essa mudança de foco pode decepcionar aqueles que entraram no ritmo frenético da chase scene que eu falei, mas acaba sendo um ponto negativo também por nos prender com a chata da protagonista, que não é nada carismático e convenhamos, a dublagem anti-climática (se for ver dessa forma) não ajuda NADA nesse quesito. Além da Victoria ser uma mosca morta e a atriz não contribuir muito para contornar a situação, isso se torna problemático por que ela vira uma protagonista pela qual não nos vemos torcendo com tanta facilidade, portanto, pouco importa se ela vai sair daquele perrengue ou não.

Claro que algumas coisas são justificadas se for parar pra pensar que o roteiro constrói uma certa linha como preparação para a reviravolta final - que não é imprevisível mas dá pra engolir. Mesmo assim, parece que é uma oportunidade perdida nas duas opções que o filme tenta seguir. Daria mais certo se dois filmes diferentes fossem feitos com essas duas premissas? Talvez, mas acho que nunca saberemos, não é?

Mas ah, Neto, você só reclama! Não tem nada de positivo nesse filme? Claro que tem! Se tem uma coisa que faz ele funcionar o suficiente para prender sua atenção (e seu fôlego em alguns momentos) são as catacumbas. Elas por si só já contribuem numa atmosfera sinistra e a dupla de diretores por vezes sabem aproveitar isso para criar não apenas um suspense, mas um desconforto. Una isso à algumas tomadas desconfortáveis (a sequência da lenda do Anticristo é no mínimo perturbadora) e já é o suficiente para você ficar de orelha em pé, mesmo que o resultado final não seja lá essas coisas.

Fiquei surpreso de ainda ter curtido esse filme, pois como falei, minhas "segundas impressões" quase nunca são positivas. E mesmo que com seus problemas, Catacumbas ainda consegue ser uma produção esforçada e na média. A pulga que ainda pode surgir atrás da orelha é por que raios ainda não fizeram O filme definitivo das Catacumbas, sabe? Fica a dica...

Título Original: Catacombs
Ano: 2007
Duração: 92 minutos
Direção: Tomm Coker, David Elliot
Roteiro: Tomm Coker, David Elliot
Elenco: Shannyn Sossamon, Pink (Alecia Moore), Emil Hostina, Mihai Stanescu