Crítica: Into the Dark 1x04 - "Réveillon Macabro" - Sessão do Medo

10 de maio de 2019

Crítica: Into the Dark 1x04 - "Réveillon Macabro"


Pegue seu champanhe, senta numa cadeira, olhe para o céu e contemple o estourar dos fogos, pois a Virada do Ano chegou em Into the Dark. Em seu quarto telefilme, o projeto do Hulu se mostrou mais uma vez interessante ao fazer uma crítica ácida às redes sociais, trazer o impacto para os usuários, nos relacionamentos pessoais e o estilo de vida maquiado através das postagens. Tudo isso num show que ainda não encontrou seu tom certo de originalidade.

Por mais que estar conectado a todo tempo na Internet e os seus meios seja um hábito, é preciso dizer que não é um lugar para todos e muito menos saudável. Em algum momento, a constante mudança de plataformas como Instagram e Whatsapp foi se tornando um influenciador em nossos comportamentos, autoestima e a intenção que usamos tais espaços tecnológicos. 

Claro que nem todo usuário com um perfil ativo tem os mesmos propósitos de outros, mas boa parte abre portas de sua vida, compartilha momentos e até justifica situações vividas com pequenas frases, textos esperando um retorno, ou somente para soltar aquele grito da alma, demonstrar o quanto se sente realizada e feliz para quem quiser que leia e veja. Poderia a web proporcionar esta liberdade? 

Mas do outro lado da tela, como é reação de quem vê uma foto com um texto dando história a ilustração cheia de significados? "Queria ter aquela vida", "Por que não sou feliz assim?", "olha como ele é perfeito", "coisas assim não acontecem comigo" e muitas ideias carregadas de negação e inferioridade ao ver postagens feitas para dizer o que querem dizer, permeiam a mente de uma pessoa que se atinge com aquele casulo proposto por um sotfware.

Há as exceções de pessoas que não vivem na Internet dentro destes moldes, como também os que percebem e foge do lado tóxico e tentam aproveitar a pequena superfície boa que resta, enquanto ao redor é um sufoco.


Na noite de Réveillon, quatro amigas decidem separar o último dia de 2018 para compensarem o tempo que passaram separadas, largarem o velho e pintarem novas expectativas para o ano que está por vir. Ressentimentos, solidão, timidez, manipulação e vaidade tornam o reencontro um brutal palco de terror.

O melhor em Réveillon Macabro está na forma que a diretora Sophia Takal (Brilho Eterno) construiu um retrato que mediasse entre os dois lados da coisa: quem posta coisas e o receptor. Para isso, o grande foco ficou nas duas amigas Danielle (Carly Chaikin) e Alexis (Suke Waterhouse). A primeira, uma digital influencer famosa que faz tutoriais de como fazer produtos veganos livre dos perigos dos laticínios, a segunda uma jovem frustrada por não ter aproveitado outros horizontes após sofrer uma crise traumática de um acidente que deixou uma cicatriz no seu rosto.

Aqui podemos citar um deslize que se repete (assim como em Carne e Unha) em Into the Dark: a forma vaga de explorar os subtextos apresentados nos episódios. O que acontece é que a informação é inserida para gerar a curiosidade, porém no desenrolar da trama é esquecido o retorno em que o objeto narrativo deveria ser explicado, deixando assim uma lacuna para que as histórias contadas sejam melhor compreendidas.

Enquanto o ritmo lento é o que caracteriza o vídeo, as personagens são o pilar que representarão os efeitos de uma vida midiática vazia. Chega a ser engraçado como, de maneira irônica, as falas de Danielle se resumem a adjetivos frequentes para cada conversa do grupo de amigas, como se não conseguisse ter um diálogo verdadeiro além do que o espaço digital internalizou: "que incrível", "que maravilhoso", "que fofo", "muito lindo", "aaaaah, amei"...


À medida que o posicionamento social se estabelecia, assustava o jeito com que as frustrações escondiam pensamentos e intenções obscuras, o que convergiu para que Réveillon Macabro aprontasse o seu horror e revelasse as loucuras que o ser humano pode cometer. O momento esperado para ver o show alcançar o seu ápice infelizmente foi agredido com a persistência em obviedades que vimos tantas vezes se repetir no gênero.

Estava tudo bem com o enredo aproveitando o longa-metragem com quatro protagonistas sem se afastar dos reflexos que tinha definido, mas então decidiu correr para as saídas fáceis inserindo elementos que sabemos bem como terminaria, e assim o fez.

É sempre bom lembrar que, não importa quantas vezes a história é revisitada, o que importa é maneira que é ou foi conduzida. Aqui Sophia Takal utilizou elementos como o espelho para dar seguimentos aos movimentos, expressões e mudanças de cenários com os personagens, ainda assim, foi um recurso que se tornou massivo no desenrolar da narrativa, do mesmo modo, aplicou deslocamentos rápidos da câmera em cenas que exigiam uma coreografia habilidosa das dublês. A impressão que ficou foi uma conclusão rápida de ocasiões que pareciam ter mais a entregar.

Réiveillon Macabro foi proveitoso em sua perspectiva social e performances de personagens, mas se mostrou apressado demais para concluir um terror que aparentava não fazer parte do seu contexto, mas que foi encaixado de última hora. Não espere o Ano Novo chegar para projetar mudanças, a oportunidade aparece todo dia para esse fim.
Título:
Ano: 2018
Duração: 85 minutos
Direção: Sophia Takal
Roteiro: Sophia Takal e Adam Gaines
Elenco: Suki Waterhouse, Carly Chaikin, Kirby Howell-Baptiste, Melissa Bergland, Isabella Acres