Crítica: Into the Dark 1x07 - "Era Só Uma Brincadeira" - Sessão do Medo

31 de maio de 2019

Crítica: Into the Dark 1x07 - "Era Só Uma Brincadeira"


Ainda há quem leve o Dia da Mentira a sério? Talvez para quem não se lembre da data seja fácil enganar com alguma brincadeira, mas parece que mesmo que alguém não caia numa piadinha, vale a pena tentar qualquer coisa só para não passar o 1º de abril em branco. Em seu sétimo telefime, Into the Dark se inspirou na tal fase para trabalhar sua história; o amargo foi seguir com a fórmula à medida que dava o passo mais fraco no seu projeto.

O enredo já inicia relevando práticas nada legais do protagonista Larry Adams (Keir O'Donnell, de Dominação) ao mesmo tempo que deixa muito claro a situação em que se encontra: a caminho do casamento de sua ex-namorada, em meio a insegurança de ir ou não para o evento, ele decide, ao lado de sua irmã Rachel (a carismática Jessica McNamme, vista também em Megatubarão) passar a noite num motel. A ideia era ter um momento de descanso, mas o que os dois encontram são pegadinhas que vão tomando proporções cada vez mais embaraçosas.

Sabe aquele membro do grupo de amigos que não sabe a hora de parar com as brincadeiras inconvenientes? Aqui é Chester (Hates MacArthur da comédia Juntos Por Acaso), o gerente do motel, quem ocupa esse posto. A fim de manter o espírito do dia da mentirinha, a narrativa investe numa atitude invasiva de Chester, alternando com posições duvidosas de sua pessoa para depois falar que era apenas zoação. O problema é que, de tanto repetir as piadinhas, se torna um fator que perde a credibilidade e interesse facilmente, já que todos sabem o resultado.

Por mais que essa questão seja usada para passar tensão (ainda que falsa) e apontar para um suspense, o melhor alívio é quando o desenvolvimento volta para Larry e o conhecemos mais: além do TOC (transtorno compulsivo obsessivo), ele é alguém infeliz, tímido e completamente obcecado com a ex. Essas características são essenciais para compreendermos os rumos dessa história.


Quem é tão perfeito que não possa falhar? Ou melhor, quem é desconstruído a ponto de não precisar mudar? A verdade é que todo dia é uma nova oportunidade para descobertas e aprendizados que se abrem para nós. A diferença está no que fazemos a respeito. O incômodo de Chester em Larry não corresponder bem ao seu jeito de brincar cresce tanto a ponto de gerar um conflito.

Por trás da timidez, há alguém que escolheu a pior maneira para depositar a tristeza e decepção sentida, e por focar somente nessa carga negativa de sentimentos, Larry não percebeu a magnitude em que estava se afundado mais e mais na amargura, e deixando de enxergar que no final agia errado assim como as pessoas a quem acusava e punia. E manter o ódio ao invés de reconhecer sua participação contraditória e machista só dificultava a saída para esse quadro.


Apostando alto na fotografia, Era Só Uma Brincadeira tem um excelente uso de cores marcando os altos e baixos de sua trama: o rosa acompanhando a ingenuidade de Larry no primeiro contato com Chester; o vermelho a ação do perigo; o azul os poucos momentos de harmonia e depois a inversão para a frieza exposta dos personagens. As emoções são variadas, mas depois dos tropeços, a direção de Adam Mason (A Cadeira do Diabo) consegue brincar com a dúvida de que tudo é um jogo ou realmente parou de zombar e se levou a sério.

Mesmo que a proposta tenha sido aplicar o cenário do dia da mentira entre quem trolla e é trollado, a estrutura é abalada com algumas conveniências e a inserção de clichês para segurar a trama - que depois volta com a abordagem que foi anteriormente poupada. E ainda é possível perceber um didatismo da câmera em apontar para alguns detalhes, e como nos episódios 2 e 5, a impressão que fica é que subestima a percepção do espectador.

Apesar de muita balela, a transição do drama para o terror não soou abrupta como se estivesse forçando para ser encaixado no enredo. A lição final é que brincar demais dá nisso: saber a hora de parar é essencial. Isso se quiser ser encarado até o final com muita paciência.

Título: Into the Dark 1x07 - I''m Just Fucking With You
Ano: 2019
Duração: 82 minutos
Diretor: Adam Mason
Roteiro: Gregg Zehentner, Scott Barkan
Elenco: Keir O'Donnell, Hayes MacArthur, Jessica McNamee, Charles Halford, John Marshall Jones