Crítica: Morte Instantânea (2019) - Sessão do Medo

22 de maio de 2019

Crítica: Morte Instantânea (2019)


Previsto para ser lançado em 2017, o longa baseado no curta-metragem Polaroid (2015) teve sua estreia barrada depois que o produtor Harvey Weinstein foi denunciado por uma série de crimes envolvendo assédio, abuso sexual e estupro. Desde então, produções que faziam parte de sua antiga companhia, a Weinstein Company, se meteram num grande limbo com poucas chances de encontrarem a luz do sol. No caso de Morte Instantânea, quase foi lançado pela Diamond Films, depois pela Netflix até que teve a sorte de ser distribuído em home vídeo.

Assim como Mama (2013), Quando as Luzes se Apagam (2016) e O Babadook (2014), a película das fotos amaldiçoadas segue a ideia de esticar uma narrativa que deu certo, agora numa versão que explore mais do tal universo. Mas, dos citados acima, o terceiro foi o bem-sucedido no enredo; o mesmo não pode se dizer do filme de Lars Klevberg, que, apresentando uma mesmice teen, interligada a uma crítica social e um conceito visual ousado não deixa de ser oco.

A história acompanha a jovem tímida Bird Fitcher (Kathryn Prescott), reservada para as poucas amizades que tem, mas mostra uma enorme paixão e habilidade em tirar fotografias. Após ganhar uma rara câmera polaroid, ela descobre que o objeto carrega uma terrível maldição: cada pessoa que aparece nas imagens tem um fim obscuro e violento reservado.

Parece familiar, não é? Mas muito diferente do conceito visto em Premonição 3 (2006), o curta adaptado pintou uma mitologia curiosa para definir a sua trama - porém, com menos gás do que acredita, as subtramas ficaram mais como sobras que não agregam.


Por mais que tenha uma ideia interessante pela frente, estamos diante de um filme muito fraco. Um dos tropeços que mais se evidencia é com a construção dos personagens. Se engana quem pensa que a protagonista é uma exceção, pois ainda que tenha uma intérprete carismática, as camadas que a envolvem simplesmente estão presas a uma fórmula. Logo, apresentá-la com uma cicatriz no pescoço, a qual lhe deixou um trauma que a bloqueia nos relacionamentos e como se sente com a própria aparência, perde um pouco a força quando a razão por trás disso é revelada num ápice genérico.

Partindo para os secundários, são meros adjuntos usados para complementar a cota de vítimas; sem qualquer composição satisfatória, são arrastados para o molde como consequências depois da descoberta real da câmera, isso sem se poupar da abordagem previsível para entregar tais cenas. Se não houve preocupação para estruturar pessoas aqui, por que trazer o típico interesse amoroso que do nada começa a fazer parte da vida da personagem central?

E as conveniências só aumentam quando a ambientação e a fotografia são propositalmente arquitetadas para o estúpido objetivo do "lugar do matadouro". Ora, para alguém que queira fugir de uma entidade, como poderia devidamente ficar em lugares escuros sendo essa a forma com que o mal atua contra os padecentes? Na lógica era para os locais serem evitados, certo? Mas como aqui tudo é esquematizado, é com luzes falhando ou lanterna nas mãos que se preparam para morrer.

Desse jeito, Morte Instantânea se encaixa como mais um desses filmes que entregam um compilado de situações manjadas dentro de um modelo esperado ao mesmo tempo que tenta transmitir potencial com cenas apelativas, isso tudo sem indicar que há uma intervenção menos superficial do que adolescentes resolvendo mistérios. 


Logo, em um longa em que jovens aparecem desconectados do hábito febril do uso de smartphones, mas conformados em tirar selfies com um dispositivo polaroid, o posicionamento para os perigos da exposição na Internet e até a tendência de se apoiar nas redes sociais para relatar o que estão fazendo termina sendo um argumento raso em um terror óbvio.

Seja como for, Morte Instantânea pode ser aproveitado pela prontidão que entrega o inerente susto fácil e pela inusitada figura de um espírito vingativo, mas que está longe de ser mais que isso, afinal, não há muito o que se esperar de um roteiro frouxo.

Título: Polaroid
Ano: 2019
Duração: 88 minutos
Direção: Lars Klevberg
Roteiro: Blair Butler
Elenco: Kathryn Prescott, Tyler Young, Samantha Logan, Keenan Tracey, Priscilla Quintana