Crítica: Slasher - Solstício | 3ª Temporada (2019) - Sessão do Medo

26 de maio de 2019

Crítica: Slasher - Solstício | 3ª Temporada (2019)


Quase dois anos depois da segunda temporada, a série antológica Slasher está de volta com uma nova história. Desde que o show foi anunciado, muitas fãs do terror depositaram as esperanças por ter um projeto com boas intenções sobre um subgênero que estava difícil de agradar - isso antes do prestigiado A Morte Te Dá Parabéns (2017). O inegável é que a figura assassina pode ser até um acerto, mas o enredo é o que tem deixa a desejar.

O tema é centrado no esperado solstício de verão, e nele rapidamente vemos o caos tomar conta depois que um indivíduo mascarado ataca brutalmente um dos jovens que comemoravam a festa temática. Um ano depois, o nomeado Druída voltou a repetir os crimes, agora mirando no que tudo indica serem as testemunhas do assassinato passado.

Certamente, o que ainda mantém as expectativas para Slasher é a ideia de apresentar histórias diferentes para a audiência, o que vem a chance de se mostrar criativa num curto formato de oito episódios por temporada. Há quem diga que, menos capítulos são sinônimos de arcos bem amarrados e ritmo fluído para se trabalhar o enredo, coisa que a série ainda não consegue orquestrar com eficiência.

Na narrativa, somando a cada três horas que os eventos tomam forma, todos os episódios se convergirão num só dia. No intervalo do tempo presente, ficamos a par de flashbacks em que conhecemos um pouquinho dos personagens que alocam o prédio de apartamentos atribulados. O que era para ser um ciclo significativo em que a tensão só aumentava para toda vítima que o Druída fazia, se torna um instrumento cansativo.

Seria um desafio e tanto se os acontecimentos focassem num único ambiente, nesse caso, o complexo de apartamentos, mas ao contrário disso, os produtores resolveram colocar a série no seu caminho de origem, abraçando a tosquice e o exagero. Nessa ótica, Slasher tenta ser lembrada por um estilo singular, e nisso experimenta qualquer chance que seja fruto de diferença.


Não que nunca tenha acontecido, mas o de praxe é termos perseguições com personagens burros às escuras, mas aqui o Druida é protagonista de brutalidades a luz do dia, sem ser visto e não importa onde seu desígnio esteja, lá estará para executar seu plano a todo custo. Dentro nisso, nos remetemos a primeira temporada, a respeito de que toda extravagância de um assassino teatral era refletida em quem caía em suas mãos.

Assim, Solstício assume uma roupagem mais investigativa, o que prova que o enredo está se levando mais a sério e está longe de entregar a típica fórmula de mortes e revelação do mascarado, pelo menos não de maneira fraca. A matança nessa temporada está tão perversa que fará o espectador (de estômago fraco ou não) virar a cara. Nesse aspecto, a série não poupou gráficos pesados e muito sangue para desenhar os traços de ação do killer.

Nesta mesma onda de brutalidade, a série esteve no seu melhor momento ao construir uma crítica social necessária ao expor o comportamento da sociedade em meios a tantos crimes, depois, o fator Internet e a ampla exposição quando se trata de compartilhamento. Realmente vale fotografar um corpo para difundir nas Redes Sociais? Quando nem mesmo a humanidade está sendo considerada, a família da vítima, ou em como a pessoa se sentiria em ter versões do lhe aconteceu debatidas depois de morta. 

Alguém cai, uma briga acontece, um acidente, um assalto e  primeira reação é olhar através das lentes do celular enquanto filma a desgraça alheia, para em seguida estourar na web e ninguém nem lembrar depois que o calor de comentar durante a repercussão das postagens passar. 


É interessante notar que somente dois cenários centrais foram o suficiente para representar a sociedade atual. O prédio sendo o primeiro, nisso, os apartamentos e os respectivos moradores e aos poucos tivemos os vislumbres de suas condutas: racismo, preconceito, xenofobia, homofobia, hipocrisia, irreverência. O segundo cenário é virtual, ou seja, a Internet e todos os espaços que agregam interação com comentários. A depender da pauta, uma vez online, vai tomando proporções irreparáveis.  

Convivências turbulentas, raiva, decepções, traições e estupidez e de alguma forma as pessoas direcionaram suas vivências e sentimentos para o mundo online, o que fez as consequências se tornarem cada vez piores. Afinal, tudo precisa mesmo ser postado?

Mesmo com um posicionamento voltado para a tecnologia e ponderando tão bem com os personagens, Slasher: Solstício foi inconsistente, conveniente e previsível (não precisa chegar nem perto do final para saber quem é o Druída) depois a nova estratégia narrativa se tornou um elemento enfadonho, e não tão articulado para o desenrolar da trama que parecia não sair do lugar. Em suma, a série voltou a ser chata.


Título: Slasher - Solstice
Ano: 2019
Duração: 44 minutos por episódio
Criação: Aaron Martin
Direção: Adam MacDonald
Elenco: Baraka Rahmani, Lisa Berry, Salvatore Antonio, Mercedes Morris, Dean McDermott