Crítica: Into the Dark 1x03 - "Pooka!" - Sessão do Medo

3 de maio de 2019

Crítica: Into the Dark 1x03 - "Pooka!"


O Natal chegou para Into the Dark, e no seu terceiro episódio, tivemos a história menos previsível até então, e com a pegada de terror psicológico mordaz, que muito provavelmente caiu no gosto dos fãs do gênero. Prepara-se, pois, como o capítulo deixou claro em alto e bom som, não tem como saber o que vai acontecer, dado que o Pooka! é imprevisível.

Quem é tão bom que não haja algo ruim para o corromper? Ou melhor dizendo, quem é perfeito que não possa falhar? No final dessa linha que tentamos manter para parecermos quem não somos, reside a culpa por não superarmos a boa imagem que forjarmos só para sentirmos o orgulho de nós mesmos. Quando deixarei de ser isso que tanto odeio, mas que me pertence?

Para Wilson Clowes, em meio ao desanimo perante o desemprego, o que mais importava era arranjar um trabalho que pudesse mostrar o potencial que tinha no ramo da atuação. Se vale tudo por um sonho, eu não sei, mas o que Wilson encontra e abraça é a oportunidade de trabalhar fantasiado como mascote de uma propaganda de brinquedos, o Pooka, só não imaginava que se veria dividido em duas personas: ele mesmo e o do Pooka. 

Sabe quando você termina de assistir a um filme ou série e se dá conta de que todos os sinais estavam ali, mas não tinha percebido antes? Mesmo o final do episódio sendo revelador, a ponto de não precisar mais de acréscimo, Pooka! é capaz de ficar na mente por alguns minutos depois que os créditos se apresentam, e te deixam com o impacto do que acabou de ver.

Desde os primeiros minutos, a edição aponta para a questão de que vamos entender o porquê o show começou de tal modo, mas o hábito de esperar que teremos respostas mastigadas - e até mesmo pelo tom didático dos telefilmes anteriores -, acaba fazendo que nos convençamos fácil do que o enredo está entregando, nisso, a conformação vem, e por mais que a descrença queira surgir para dar continuidade até o desfecho, a curiosidade se mantém firme para ver até onde vai.

a maior loucura é tentar negar, Wilson.



Uma coisa é certa: depois de mergulhar, será difícil voltar a superfície e retomar o fôlego, visto as proporções inimagináveis que presenciamos aqui. Aquela vozinha chata repetindo várias e várias vezes que essa história já foi contada, que é mais uma vez o lance do "somos os pior de nós" e que os personagens se veem atrelados a uma figura distinta que servem para revelar seus lados sombrios, tá presente ao mesmo tempo que você procura sentido para todo o embaraço avassalador e angustiante que o protagonista enfrenta.

Mas é nessa familiaridadeque talvez se conste a maior força de Into the Dark: a oportunidade de contar histórias com identidade. E nesse capítulo, é notável essa característica, ainda mais se atentar para toda produção que desenha a imagem do Pooka; certamente, além do visual bizarro e assustador, a musiquinha é também um elemento que dificilmente será esquecido.

Um natal que parece fazer parte de um loop, personagem que aparece com funções diferentes dentro de uma mesma trama, insistência em objetos que se transformam em simbologia para revelar perturbação e terror; cores como se fizessem parte de um quadro combinado com vermelho, laranja e azul e um enorme mascote que assemelha ter pedaços de um quebra-cabeça que se espalhado, mas como supracitado, parecia as peças já tinham sido encaixadas e não precisava de mais nada. Engana-se quem pensou assim.


Ainda que Nacho Vigalondo não tenha mantido uma narrativa mais ágil, mas que uma hora enjoa por parecer ser monótona, o terror foi bem embasado e distribuído em tela. Assim como a escolha de induzir a audiência a se apegar num entendimento, enquanto segurava as pontas para apresentar algo bem mais complexo que a narrativa simples sugeria, colaborar para manter a essência da coisa. Inclusive, parecer ter tudo definido sem um ápice, tem sido um aspecto comum entre a trilogia de episódios, que assim, desponta o melhor da história.

Sem dúvidas, a maior perda numa batalha, é quando você não se reconhece mais. Permanecer nos erros, magoando, decepcionado, enquanto adiava ter atitudes mais saudáveis e proveitosas pode reservar algo amargo no final. E o processo de ter que revisitar todo o trajeto quando optou em não ser diferente, nenhuma desculpa poderá compensar, apenas seguir a ponte que está em frente para encarar as consequências das escolhas ruins e poder pintar escolhas melhores.

Em sua terceira empreitada, Into the Dark continuou mostrando que tem bala na agulha para entregar terror, e pior, que qualquer coisa pode acontecer em meios as datas comemorativas em que os episódios são inspirados.

Título: Into the Dark - Pooka!
Ano: 2018
Duração: 83 minutos
Direção: Nacho Vigalondo
Roteiro: Gerald Olson
Elenco: Nyasha Hatendi, Latarsha Rose, Jon Daly, Dale Dickey, Jonny Berryman