Cenas Marcantes do Terror: A Casa de Cera (2005) - Sessão do Medo

13 de junho de 2019

Cenas Marcantes do Terror: A Casa de Cera (2005)


Melhor do que poder desver algumas coisas, seria poder esquecer de outras coisas duvidosas que assistimos - como a série O Nevoeiro (2017) -, o que pode levar um tempo, a depender da experiência com a obra. A boa notícia são os títulos que emplacaram para o gênero do terror, trazendo cenas icônicas que definiram suas identidades.

Muito são os filmes, mas para abrir essa nova coluna do site, escolhi um injustiçado, mas que de qualquer forma é inesquecível. Lançado em 2005, o terceiro remake de Os Crimes do Museu (1933, que também foi uma refilmagem de Mistery of Wax Museum), o slasher A Casa de Cera dividiu opiniões - conquistando muitos prêmios no Framboesa de Ouro, o Oscar dos detestados - foi comparado com Armadilhas Para Turistas (1979), faturou muito bem nas bilheterias, até ser reconhecido como um baita filme teen para o subgênero. 

Indo para o que interessa, vamos relembrar a ceninhas que marcaram o longa.




Essa foi bem rápida. O grupo de amigos só queria chegar em Lousiana, para então assistirem ao jogo de futebol que determinou a viagem, só não contavam que mesmo para conseguir comprar os ingressos, uma porrada de imprevistos aconteceria - como ter a correia de ventoinha de um carro cortada.

Numa das conversas fiadas em que conhecemos os dramas dos personagens, a protagonista Carly (Elisha Cuthbert, Show de Vizinha) escorrega na floresta em que acamparam. Na queda, acabou descobrindo algo muito estranho no local: um "cemitério" de restos de animais. A cena é nojenta, mas foi graças a ela que um novo rumo narrativo se deu na trama.


A criação das estátuas 

Um dos aspectos que mais chamou a atenção, foi a casa a qual se deu o nome do filme. Na cidade de Ambrose, a trágica história da família Sinclair deixou um legado primoroso: uma casa repleta de pessoas, objetos e bichos totalmente feitos de cera. A produção caprichou para não inserir tal informação no enredo e representar de qualquer jeito as artes de cera; no curto tour no recinto, o espectador vai se encantando pelos talentos de Vincent Sinclair (Brian Van Holt).

A verdade não demora a vir à tona, e quando vem, descobrimos que por baixo da cera existia uma pessoa que foi vítima do artista renomado, apodrecendo debaixo da cobertura. Numa sequência chocante, pudemos ver uma parte do processo torturante da criação através de Wade (Jared Padalecki, Sexta-Feira 13).



Mais tarde, em um daqueles momentos inesperados em que o terror te deixa agoniado, vemos Dalton (Jon Abrahams, de Todo Mundo em Pânico) achar Wade sentando numa cadeira aparentemente tocando piano. Vendo que não recebia uma resposta, decide então tocar no rosto do amigo, revelando a cera mole, e ali vai tirando os pedacinhos, extraindo o material fresco e assim a "pele" do jovem encerado.

O que amenizou a agonia é a chegada de Vicent errando a facada em Dalton e arrancando um pedaço enorme do rosto: além da cena gráfica, o terrível foi perceber que Wade pedia socorro por debaixo da cera que o moldou como uma estátua.


Nick, estou aqui embaixo!

Se isto não foi o suficiente para chocar, o diretor Jaume Collet-Serra (A Órfã) encontrava-se determinado para fazer de A Casa de Cera um remake com cenas próprias. Com a mitologia tomando forma, Carly paga o preço por se aproximar cada vez do que realmente acontece na cidade "fantasma" de Ambrose.

Depois de capturada pelo irmão gêmeo de Vincent, Bo, o psicopata não permitiria que a jovem andasse livre correndo o risco de expor para os amigos (que restavam) o segredo dos Sinclair. Por isso, a leva para o "porão" do posto de gasolina e a amarra numa cadeira, porém, no mesmo instante, Nick, irmão de Carly chega ao local gritando pela maninha.


Claro que não faltaria a típica cena do antagonista dando o jeito de tirar o mocinho do caminho. Para assegurar que a moça não gritaria, Bo usa super cola na boca de Carly - e a atriz insistiu que usassem uma de verdade, mas acabou usando próteses nos lábios. Estando ele negando para Nick ter visto qualquer mulher, é quando ela consegue se soltar da cadeira e passar o dedo indicador entre a tela de ventilação do chão em frente à loja, na tentativa que irmão notasse e desse um jeito na situação.

Ao contrário do almejado, quem vê o dedinho indo de um canto a outro é Bo, que agacha em seguida, finge estar amarrando o cadarço da bota, retira um alicate do bolso e corta um pedaço do indicador. E não acabou por aí! Como boa protagonista que se preze, Carly não desiste e então descola a própria boca enquanto o sangue do dedo escorre.


Sem dúvidas, todo esse perrengue enfrentado por Carly se tornou uma das cenas mais cruéis de se ver, e se a ideia era não executar um produto esquecível, Jaume conseguiu.


Onde não deveria estar

Elisha Cuthbert brilhou com o protagonismo, mas havia outra estrela que faria muita gente ir assistir ao filme: Paris Hilton. Para poupar quem estivesse achando que a veria num grande papel, a produtora Warner Bros. permitiu que Hilton vendesse camisas com a frase "See Paris die may 6", o que traduzindo ficou "em 6 de maio, veja Paris morrer". Ou seja, a atriz foi contratada exatamente para isso.

Como marca do slasher, foi Paris que protagonizou as cenas sensuais e fez-se a personagem burra que de um jeito ou de outro, simplesmente escapa pro lugar que deve morrer.


A estupidez foi irritante, mas serviu para pontuar mais uma cena memorável do filme: não tem como citá-lo sem lembrar do que aconteceu com Paige (Hilton).


Derretendo tudo

Para fechar com chave de ouro, A Casa de Cera entregou um final brilhante: no embate decisivo entre Carly, Nick e os gêmeos assassinos, a luta por sobrevivência rolava a solta enquanto a belíssima casa derretia.

Os 40 milhões investidos na produção pôde ser prestigiado em todos os detalhes que enriqueceram os trabalhos de Vincent, mas sem dúvidas, ver os personagens sufocados em saírem o mais rápido possível do local que estava comprometido pelo fogo, foi um dos fatores que acrescentou para o longa.


Para uma estreia como diretor, Jaume se saiu melhor do que o esperado por arriscar em exageros e crueldades tão independentes, o que significaram elementos acima da média para um terror adolescente. 

A gente quer saber: que outras cenas do filme não foram mencionadas ao longo deste texto? Diz aí nos comentários.