Crítica: Head Count (2019) - Sessão do Medo

3 de junho de 2019

Crítica: Head Count (2019)


Infelizmente não posso dizer que estou sendo bastante ativo no ano de 2019. Comparado a outras datas, este ano eu acabo vendo alguns dos lançamentos que ganham mais destaques e faz um tempinho que eu não escolho um filme aleatoriamente para me surpreender, seja em como ele é bom ou em como ele é ruim. Acontece que talvez pela primeira vez em meses, eu fiz isso e foi assim que conheci Head Count.

Essa pequena produção americana independente dirigida pela iniciante Elle Callahan narra a história de Evan (Isaac Jay), que ao visitar o irmão mais velho durante o período de férias da faculdade, acaba conhecendo um grupo de amigos durante uma trilha no deserto californiano e é convidado pelos nove a se juntar para um happy-hour na casa onde eles estavam ficando. O fato de ter se engraçado com uma das garotas, a fotógrafa Zoe (Ashleigh Morghan), acaba pesando na hora dele aceitar o convite.

Lá, enquanto estão sentados em volta da fogueira, bebendo e contando histórias que deveriam ser assustadoras, Evan acaba se deparando com uma espécie de creepypasta sobre algo chamado Hisji, que é invocado ao ter o seu nome chamado em voz alta cinco vezes - o que é irônico já que o nome da creepypasta é na verdade Hisji repetido cinco vezes. No início, parece algo idiota, mas aos poucos, os dez vão percebendo que algo realmente foi despertado. E esse algo consegue assumir a forma de qualquer um, enquanto busca cumprir uma espécie de ritual...

Como falei, Head Count é uma produção independente e pequena e isso transparece em alguns detalhes do filme (como os breve efeitos na conclusão), mas é interessante notar como Callahan dribla as limitações ao apostar numa direção criativa e experimental. É como se ela fosse uma criança prodígio, brincando com a câmera entre os cenários e isso acaba funcionando perfeitamente quando a tarefa é criar um suspense sutil. Em certa cena, durante uma brincadeira de "Eu Nunca", o bate-volta da câmera ajuda a distrair o espectador para que ele não perceba que na verdade um dos personagens na roda está duplicado...


A jovem cineasta, que até então só havia trabalhado em setores editoriais de filmes como Krampus: O Terror do Natal (2015) e Mulher-Maravilha (2017), explora bem a remota paisagem desértica para criar uma sensação de prisão a céu-aberto. Indo além disso, ela sabe como manter as coisas simples, pelo menos em boa parte do longa, já que no fim ela se sente obrigada a expor um pouco demais o que está acontecendo.  

O roteiro, co-assinado por ela e Michael Nader, é super simplista mas efetivo em certos momentos (óbvio que com a ajuda de sua confiante direção). Talvez o seu maior problema seja a grande quantidade de personagens, a maioria não chega a ter um tempo de tela suficiente para você sequer aprender seus nomes. O elenco também não chega a ter grandes destaques para ajudar nesse setor. Então, se a "superpopulação" foi intencional para ajudar na confusão da situação, creio que não foi exatamente uma boa escolha.

O filme também sofre pelo fato de não saber aproveitar melhor os picos de tensão, que ao invés de funcionar como uma crescente, quase sempre é quebrada por uma passagem de dia. O final também parece se extender sem muita necessidade. A cena que serve como um prólogo, por exemplo, não exerce uma função muito significativa e poderia ter sido facilmente cortada.

Indo na veia do terror independente fruto da A24, Head Count parece um Corrente do Mal (2014) aventuresco. Embora o seu conceito não seja nada novo (alô Enigma de Outro Mundo), é sempre interessante ver novos talentos emergindo e aqui parece ser um desses casos. Tem suas limitações mas consegue contornar algumas delas apresentando alternativas interessantes e isso faz valer a conferida! 

Título Original: Head Count
Ano: 2019
Duração: 90 minutos
Direção: Elle Callahan
Roteiro: Elle Callahan, Michael Nader
Elenco: Isaac Jay, Ashleigh Morghan, Bevin Bru, Cooper Rowe