Crítica: Into the Dark 1x08 - "Tudo o Que Destruímos" - Sessão do Medo

7 de junho de 2019

Crítica: Into the Dark 1x08 - "Tudo o Que Destruímos"


O amor de mãe tudo suporta e há até quem diga que esse amor é semelhante ao amor de Deus com a humanidade. Pensar no bem-estar do filho antes do seu, perder a noite só porque o progênito ainda não chegou em casa, por não ter uma cama quente para descansar ou por morar num lugar sem muita segurança são pequenas demonstrações do esforço materno. Além disso, frases como "quando eu morrer vocês sentirão a minha falta" são palavras que só ouviremos pelas mamães. Pensando na data comemorativa, o oitavo episódio de Into the Dark ousou com a trama criativa, mas pecou com o "terror" previsível.

Tudo o Que Destruímos é mais um dos casos que se destaca pela individualidade, a ponto de se tornar um ponto fora da curva. Marcado por uma narrativa envolvente, nem parecia que se tratava do projeto de telefilmes, visto a ausência do didatismo frequentemente aplicado - como o zoom da câmera evidenciando os "detalhes" despercebidos da cena -, mas como tudo o que é bom dura pouco, a série volta para a mesmice.

Num ano desconhecido, temendo que as tendências psicopatas do filho transforme-o em uma pessoa extremamente perigosa, uma geneticista cria vários clones para evitar que ele machuque com quem se relaciona, ao mesmo tempo que tenta arranjar uma forma de ele interagir sem que sinta vontade de matar toda vez que perceba que não está no controle das situações.

Iniciando de modo chocante, o episódio já lança com um gancho curioso para o espectador: o que levou para tal abertura abrupta e violenta? Se desenrolando sobre uma narrativa dupla, alternando entre o presente e cenas de flashbacks, conhecemos mais dos personagens centrais dessa história futurística. O terror é ter uma mãe investindo a todo tempo para proteger as pessoas das atitudes perversas do filho.

Israel Broussard (A Morte Te Dá Parabéns 2) como Spencer Harris.




Um dos acertos da direção de Chelsa Stardust (assistente em muitas produções do horror, como o recente Sobrenatural - A Última Chave) foi capturar a imensidão de isolamento em que mãe e filho vivem, mesmo que no final das contas isso significasse proteção para todos. Spencer só se sente à vontade estando em lugares calmos, admirando a natureza. Exceto por Victoria, a figura materna, os impulsos do jovem apenas gritam violência para quem conhece.

Sem conseguir demonstrar qualquer afeto pela mãe ao longo dos anos ou ter empatia prolongada por alguém, a indiferença é o que restou nessa relação. Por mais que o exílio fosse por segurança, a consequência foi Victoria esquecer da carreira como médica renomada e criadora de uma grande empresa em nome do medo que a dominava por o filho não ser confiável.

No final, o que fica são os cacos como lembrança, de tudo o que foi destruído e perdido nessa convivência infeliz e desastrosa. Por amor a pessoa que um dia gerou, se levanta a dualidade em eliminar os resquícios do que possa afastá-los, e manter a esperança da mudança de quadro, mesmo que algum deslize aconteça no caminho.

Samantha Mathis (Psicopata Americano) como Victoria Harris.
A vibe diferente de Into the Dark estava funcionando muito bem como um thriller com plano de fundo sobre a maternidade: o vacilo foi abandonar isso e correr para encaixar uma reviravolta previsível de última hora, como se somente desse jeito o episódio ficasse com uma abordagem voltada para o terror.

Além disso, a escolha ruim exemplificou o fato de a série repetir uma fórmula que em plena reta final não é nada inteligente: nem sempre o plot twist engrandece o enredo, tampouco é necessário numa história rica o suficiente (fora que já é clichê para o próprio gênero). Tudo o Que Destruímos abraça uma conclusão fácil assim como o quinto episódio da série.

Ao invés de se apresentar como um projeto de tramas independentes, em suma, a impressão é que as histórias da escuridão não se afastam da mesmice que vemos na maioria dos filmes de terror lançados todos os anos.

Título: Into the Dark 1x08 - All That We Destroy
Ano: 2019
Duração: 85 minutos
Direção: Chelsea Stardust
Roteiro: Sean Keller, Jim Agnew
Elenco: Israel Broussard, Aurora Perrineau, Samatha Mathis, Dora Madison, Frank Whaley