Crítica: Into the Dark 1x09 - "Estrada Maldita" - Sessão do Medo

19 de junho de 2019

Crítica: Into the Dark 1x09 - "Estrada Maldita"


Ainda que no Brasil seja comemorado no segundo domingo de agosto, em boa parte do mundo O Dia dos Pais é celebrado no terceiro domingo de junho (esse ano no dia 16). O mais recente episódio de Into the Dark trouxe como pano de fundo a homenagem paterna, que apesar da fórmula maçante da leva de filmes, acertou no drama, mas foi genérico no terror psicológico.

Imagine que você tenha uma tarefa muito importante a fazer. Todos os dias dá preferência a coisas pequenas, e procrastina quando lembra que há algo essencial que precisa ser resolvido. É o velho "não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje" se concretizando. Empurrar com a barriga não elimina a recordação constante de que ainda não atingiu os 100%: só se sentirá aliviado quando finalmente tomar a coragem de realizar a atividade que te paralisa.

O feriado poderia ser de grande alegria para Nathan (Clayne Crawford, Recitify) e suas duas filhas, Claire (Josephine Langford, 7 Desejos) e Maggie (Lia McHugh, The Lodge), se a data não carregasse o luto da perda materna que os três não superaram. Escolhendo um lugar especial para se confortarem, a viagem é posta à prova depois que presenças sinistras tiram a paz e a segurança da família.

Se distanciando da mesmice da série, Estrada Maldita (título tirado lá das confusões das traduções) inseriu o suspense moderadamente ao mesmo tempo que desenhava o arco dramático que rodeava os personagens. Assim, foi possível fugir da fórmula de preparar o terreno, introduzir o drama e depois trazer uma reviravolta como se fosse necessária para ter algo de terror no enredo.

Na forma em que cada um arranjou para lidar com o luto, foi se revelando a solidão que os acompanhou na viagem: Claire se afundou na raiva, chegando ao ponto de terceirizar sobre o pai a culpa pelo falecimento da mãe; Maggie se fixou no medo de perder a paternidade, tanto quanto sentia a saudade da mamãe e idealizava através da arte o lar que costumava ter. Já o pai, restou o amor para curar o desalento das filhas.


A relação entre os três já se encontrava bastante estremecida, e eles não precisavam de mais nada para piorar o caso, a não ser a inegável certeza de que teriam que lidar o mais breve possível com o dilema de conflitarem um contra o outro por algo que evitavam encarar: o luto.

Cedo ou tarde, o que tanto tentamos desviar, acaba voltando. Então, não adianta muito procurar um lugar afastado de tudo e com significado, se o coração está cheio de amargura e remorsos. Não se trata de fingir estar bem, mas arrumar um jeito de conversar para o melhor de todos. É aí que entra o terror em They Come Knocking (no original): o temor do desconhecido sendo usado para despertar o afeto e a união, dois alicerces perdidos em tanto desamor.

O modo torto em que cada um se lançou, os mantiveram numa arena de sentimentos travados. O que veio como um refrigério foi a noção do perigo, e a impulsão de se importar e querer lutar um pelo outro.



É louvável o feito certeiro do episódio trazer figuras bizarras para tocar horrores dessa viagem em família. Mesmo mostrando pouco, foram caracterizações notórias que seriam interessantes de ver por mais tempo em tela. Além disso, é curioso também o uso da fotografia azulada compondo a cenografia e a situação atribulada em que pai e filhas passaram - somente superando as desavenças e dor, o show ganhou uma iluminação mais natural, dando o sinal que a fase difícil deu uma trégua.

Apesar do drama pontual, a narrativa não convenceu com o ritmo lento - e em alguns momentos o que precisava ser definido sobre os personagens se mostrou repetitivo -, nisso, o fator terror apelou para uma atmosfera sobrenatural genericamente explorada: o que poderia ganhar mais identidade, foi caindo do didatismo frequente da série.

Com acertos e tropeços, Estrada Maldita ao menos foi um alívio para a reta final de Into the Dark, indicando que podemos ver histórias que valham a pena, muito além da fórmula batida. A série volta dia 04 de julho, com o episódio Culture Shock.


Título: They Come Knocking
Ano: 2019
Duração: 85 minutos
Direção: Adam Mason
Roteiro: Shane e Carey Van Dyke
Elenco: Clayne Crawford, Josephine Langford, Lia McHugh, Robyn Lively, Dwight Hicks