Crítica: Monstro do Pântano 1x01 - Piloto | Primeiras Impressões - Sessão do Medo

5 de junho de 2019

Crítica: Monstro do Pântano 1x01 - Piloto | Primeiras Impressões


É, a DC está mesmo vivenciando uma das suas melhores fases com adaptações na televisão. Chegando para acompanhar as elogiadas Titãs (2018) e Patrulha do Destino (2019), Monstro do Pântano (Swamp Thing, no original) pôde finalmente vista pelo público. Com uma cenografia curiosa e impressionante, não há exagero em definir a série como mais um acerto do DC Universe, o streaming da Detective Comics.

Com produção de Terry Gould (da cancelada série Corrida Sangrenta), a adaptação de Gary Dauberman e Mark Verheiden tem como material de origem um importante personagem na história dos quadrinhos - e muito disso se deve à revolucionária abordagem do criador e escritor Alan Moore e à caracterização que ilustra o monstro vegetal.

Atraída pela investigação de uma grande epidemia que vem assolando o território pantanoso do sul estadunidense,  a Dra. Abby Arcane (Crystal Reed, de A Casa do Medo - Incidente em Ghostland) viaja para Marains, Lousiana. Além de reviver traumas do passado, Abby se dá conta de que averiguar o local em prol de uma solução não será tão simples quanto imaginava.

Preparando bem o seu terreno, Monstro do Pântano começa sua empreitada com o pé direito, e para isso, nada melhor do que apresentar os personagens à medida que se explora o universo da história. Em uma hora de duração, o piloto da série conseguiu fazer o suficiente para mostrar a que veio e gerar interesse.

Nos personagens que deram as caras nesse primeiro episódio, podemos ter um vislumbre do drama que ronda a protagonista. A começar pela própria região em que ela se aloca: só de estar lá, lembranças dolorosas da adolescência despertaram. Em poucos instantes, nos foi estabelecido (pelo menos por um pouco) que isso a assombra a ponto de deixá-la à sombra de uma culpa - e, se depender de Maria Sunderland (Virginia Madsen), o perdão está longe de ser realidade.


Equilibrando-se na ótima relação entre Abby e Alec Holland (Andy Bean, do vindouro It - Capítulo 2), o piloto estabelece uma interessante conexão entre as duas figuras com objetivos em comum. Por mais que parecesse genérico tal desenvolvimento para o início da trama, a direção de Len Wiseman não desperdiçou as brechas para colocar o suspense e o terror em evidência.

Encabeçado por uma atmosfera sombria e misteriosa, o maior feito dessa estreia foi apostar alto na caracterização do "vírus" agindo em seus hospedeiros. Com efeitos absurdamente fascinantes, a sensação de pavor não passa a cada vez que o terror gráfico se faz presente em cena. Para provar que essa introdução não seria uma mera abertura cheia de perguntas e interações clichês, a demonstração do perigo que se estenderá durante a investigação se encaixa perfeitamente com a proposta de horror da série.

 
Desenrolando-se com firmeza, é um atrativo certeiro passar pelos gêneros do drama, terror, da fantasia e mistério sem perder o tom e, acima de tudo, se manter interessante. Desde o drama que envolve Abby, bem como as pessoas da cidade e a forma que se entrelaçam com a protagonista, Monstro do Pântano conseguiu definir subtramas incitantes para os nove episódios restantes.

Ao que tudo indica, a série seguirá por um caminho mais denso (sem vilania sobrenatural à vista), optando por colocar o pântano e cidade como figuras centrais, o que será um prato vantajoso a ser explorado, uma vez que descobriremos o desenrolar das pessoas fazendo de tudo para extrair informações e benefícios do misterioso local, agora ligado a uma mente voltada em defender todo o ambiente.

Como terror, Monstro do Pântano não decepciona; como primeira impressão, uma produção completa de camadas e potencial nos foi apresentada, mas infelizmente essa alçada está com os dias contados, pois o show não voltará para uma segunda temporada. Segundo informações do site Bloody Disgusting, a série tinha perdido o apoio dos executivos antes mesmo de estrear, além disso, divergências criativas também marcaram os batidores: ou seria totalmente atrelada ao terror, ou um procedural (cada episódio com o caso da semana).

Já o site GW  informou que executivos da Warner Media e AT&T não estavam satisfeitos com a direção da série. Sendo assim, o problema não foi a audiência, e a boa recepção da crítica só fez aumentar a atenção para o projeto. Os episódios remanescentes seguirão com a exibição (com o próximo marcado para amanhã) pela DC Universe. Resta esperar que a conclusão valha a pena.

Atualização: Segundo os tweets do jornalista John Gholson, o real motivo do cancelamento foi devido ao acordo feito com a Carolina do Norte, local onde a série foi filmada. Visto que só receberia de volta US$ 14 milhões dos 40 previstos nos impostos pagos pela produção, a DC decidiu não continuar com o show depois que percebeu o erro de documentação. Para evitar mais gastos, a produção foi interrompida, o que afetou até mesmo os números de episódios que a temporada teria, que agora serão 10.


Título: Swamp Thing - Pilot
Ano: 2019
Duração: 59 minutos
Direção:Len Wiseman
Roteiro: Tania Lota, Franklin Jin Rho, Conway Preston
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Andy Bean, Derek Mears, Maria Sten