Cenas Marcantes do Terror: Pânico 3 (2000) - Sessão do Medo

15 de julho de 2019

Cenas Marcantes do Terror: Pânico 3 (2000)


O último capítulo, o encerramento de uma trilogia, o embate final é sempre o melhor numa franquia de filmes? Pânico 3, prometeu isso, mas entregou um dos capítulos mais divertidos da saga, e também o mais fraco. Vamos relembrar!


Hello, Cotton


Não há como falar da quadrilogia de Pânico e ignorar as cenas inicias dos filmes. A menos criativa, mas não importante se deu no terceiro capítulo da saga. Nela, o agora bem-sucedido Cotton (Liev Schreiber) é o novo alvo do Ghostface.

De um jeito interessante, descobrimos que o Cara de Fantasma adotou um novo método para fisgar sua vítima: em vez da conhecida voz aterrorizante do Roger L. Jackson, o killer primeiro seduz com uma voz familiar para quem irá matar, para depois revelar os jogos.

Na cena, o assassino ameaça matar Catherine (Kelly Rutherford, Gossip Girl) a esposa de Cotton, caso ele não revele o paradeiro de Sidney. Nesse tempo, o psicopata tratou de colocar o casal um contra o outro para depois dar as caras. O resultado foi uma demonstração brutal do mascarado, provando que faria de tudo para conseguir o que quer.

"Era só um jogo. Você devia me dizer onde a Sidney está. Agora, você perdeu".

O filme dentro do filme



O que não fez de Pânico 3 um filme esquecível foi exatamente por trazer uma linguagem para contextualizar. Na vez, a película divertiu ao trazer a produção de "A Apunhalada 3" como o plano de fundo que movimentaria a trama.

Melhor do que isso, foi ver que o elenco escalado foi devidamente escolhido para reproduzir alguns personagens em Pânico. Assim, a nostalgia bateu certeira ao vermos a Jennifer Jolie (Parker Posey, Blade: Trinity) caracterizada como a Gale. A roupa verde abacate, o cabelo curto com luzes e as falas impulsivas só elevaram a ideia.

No encontro entre as duas, enquanto Sarah queria se apresentar para a pessoa que iria interpretar, Gale no melhor estilo de ser não perde tempo para ofender a atriz.

 — Gale Weathers! Nossa! Sei que nunca nos vimos e não ligo de não ter retornado as minhas ligações... mas depois de dois filmes sinto que entrei em sua cabeça!

Então isso explica minhas dores de cabeça.

Vamos ensaiar as falas


A segunda cena porque serviu para pontuar o texto dos diálogos, do que como foi feita. Repetindo o que ocorreu na abertura, o Ghostface primeiro engana Sarah (Jenny McCarthy, Todos Contra John) fingindo ser o diretor de "A Punhalada 3". Visto que é algo visto há poucos minutos, se torna um elemento previsível tirando todo o clímax que deveria ter na subversão, mas ao menos, o falso ensaio revisando as falas da personagem interpretando Candy foi Pânico voltando as origens: destrinchando o slasher.

Não estou feliz porque tenho 35 anos e fazer papel de 21. Não estou feliz por ter de morrer pelada. Não estou feliz feliz por minha personagem ser tão burra e está armada depois de o namorado ter sido despedaçado.

Essas foram as primeiras ponderações da Sarah. Mas ela continua.

— "Alô?"
— "Alô? "
— "Quem fala?"
—  "É a Candy... Espera, vou me vestir."
— Viu? Por que preciso começar a cena no chuveiro? Essa coisa já foi feita no cinema. "Um Corpo que Cai", lembra? E meu namorado acabou de morrer e eu tô tomando banho?

Até quando o killer finge não ser mais o diretor Roman (Scott Foley, True Blood) a cena valeu pela maneira divertida em que Sarah expões as inconsistências de personagens estúpidos, colados em situações estúpidas e duvidosas em filmes de terror.

O fim da moça não é nada legal, pois ao se esconder na sala de figurino, convenientemente, era de lá que o mascarado estava escondido fazendo ligações e dá cabo na vida dela.

O fax



Em uma das ideias mais elaboradas do assassino, Gale, Dewye, Jennifer assim como outros do elenco de "A Apunhalada 3", estão numa casa, até que depois que o Ghostface atacou o segurança do local, a energia desligada e páginas começam a sair do fax da residência da interprete da jornalista fascinada pelos casos em Woodsboro.

As palavras imprensas se trata de uma espécie de roteiro que o próprio assassino está elaborado, pois como dito em algum momento, as mortes estavam acontecendo conformes os personagens morriam no filme que estavam sendo produzido, o detalhe é que haviam três versões do roteiro - para evitar vazamentos na internet - uma curiosidade é que o mesmo aconteceu com o roteiro o original de Pânico 2. Na última página diz "o assassino poupará quem sentir cheiro de gás", nesse momento, no escuro, Tom (Matt Keeslar, Grimm: Contos de Terror), o que cara que viveria Dewye acende um isqueiro para enxergar o texto. KABUM! A casa explode.

A irmã de Randy




Um dos pontos fracos do filme foi o fato da grande protagonista Sidney ter passado boa parte afastada da trama. Mas isso ocorreu porque a Neve Campbell estava gravando o filme Pânico (2000) - que nada tem a ver com a franquia aqui -, ainda assim, conseguiram deixar claro o conflito que a personagem estava passando: com o medo, a jovem passou a viver numa casa de campo isolada ao lado do pai (Lawrence Hecht), e apesar de estar ajudando mulheres em crise, a própria vivia traumatizada e revivendo os ataques que sofreu em Woodsboro.

Após voltar para a antiga cidade, graças a uma chamada que recebeu do Ghostface, a final girl decide então ir para delegacia e enfrentar seu novo inimigo(a). Chegando lá, ela tem uma surpresa: a irmã de Randy, Martha (Heather Matarazzo) estava a sua procura para entregar uma fita do falecido amigo, por conter informações que a ajudariam com o novo massacre.

Como bem escrito que era, a volta de Jamie Kennedy através de uma filmagem foi especial, primeiro por matar a saudade e depois por citar algumas regrinhas e relembrar o papel de Scream 3: ser o desfecho de uma trilogia.

- Isso é outra sequência? Se for, aplica-se a mesma regra. Mas se estiverem lidando com uma história inesperada, então as regras da sequência não se aplicam. Porque não estão dentro de uma agora, mas com o capítulo final de uma trilogia. 

É uma raridade no campo do terror, mas existe. E deve ser levada a sério, porque as trilogias voltam ao começo e descobrem que um fato inicial era falso. "O Poderoso Chefão", "O Retorno de Jedi", revelaram algo que julgávamos verdadeiro, mas não era.

Então, se estão combatendo uma trilogia aqui vão algumas regras:

1) O matador é o Super-Homem. Apunhalar, balear, nada funcionará. Terá que congelar a cabeça dela, decapitá-lo ou explodi-lo.
2) Todos, até o personagem principal, podem morrer.
3) O passado vai voltar para te assombrar. Tudo o que achar que sabe do passado, esqueça! O passado não acabou Pecados cometidos no passado serão revelados e destruirão.


Visita ao set


Mesmo aparecendo pouco, a moça não deixou de protagonizar as famosas cenas de mano a mano contra o Ghostface. Ao visitar o set de filmagens de "Stab 3", ela acabando revirando mais uma vez o passado, uma vez que o cenário remete a antiga casa que vivia e até o primeiro ataque que Billy Loomis executou. O mascarado aparece para se aproveitar desse momento de fragilidade, mas Sidnye é mais forte e faz de tudo para sobreviver ao ataque.

Bem-vindo a Hollywood



O resultado das investigações de Gale e Gale, foi descobrir que as fotos espalhadas de Maureen (mãe de Sidney) pelo assassino quando ela ainda era jovem se trata da época em que trabalhava como atriz com o nome artístico Rina Reynolds.

Nessa fase, mesmo que tenha conseguido participar de três filmes pela Sunrise Studios, ela foi estuprada pelos produtores e próprio dono da companhia enquanto tentava algum papel relevante. Após os ocorridos, a moça sumiu da mídia até voltar aos holofotes depois do seu assassinato.

A essa altura é que entendemos que o enredo de Pânico 3 fazia uma crítica a Hollywood. Além dessa revelação chocante, houve uma cena em que a atriz Carrie Fisher participou interpretando sua sócia e afirmando que não foi a princesa Leia nos filmes Star Wars porque não aceitou dormir com o George Lucas. E ainda tem mais, Emily Mortimer deu vida a Angelina Tyler uma jovem aspirante a atriz que se tornaria Sidney em "Stab 3", e numa cena ela afirmou ter dormindo com o Milton (Lance Henriksen, dono da Sunrise) para ganhar o papel.

Revendo o filme para redigir esse texto, é impossível não lembrar do que desencadeou o movimento #Metoo - e a coisa é ainda mais ironica quando percebemos que o Harvey Weinstein era o dono da companhia que bancou os filmes da franquia e que, nos anos 2000 isso já acontecia nos bastidores.


Quem é você?


Sabe as boas dicas citadas pelo Randy? Pois então, ele estava mais que certo. Felizmente, o final do filme veio para salvar a produção de ser uma decepção. Por mais de 20 minutos, a trama já não estava convencendo: mortes calculadas, conveniências que já sabíamos do que se tratava e o roteiro instindo que dava bom demais para desistir.

O melhor foi que tivemos o embate mais intenso entre Sidney e seu meio-irmão, Roman. Repleto de metalinguagem, a final girl nunca esteve tão forte para lutar enquanto descobria que a pessoa que acabou de conhecer causou todos os estragos que a tiraram de viver em paz e se sentir segura. Se não fosse pelo diretor de "A Apunhalada 3", Billy não teria sido influenciado, o que deu início a matança, por alguém que queria se vingar da irmã por ter recebido a atenção que a mãe não o deu.

Quando Roman descobriu que Maureen 'Rina' Prescott era sua mãe, ela o rejeitou. O que moveu sua psicopatia e vingança. Ao menos o final do filme fez o "encerramento" da trilogia ser o ponto alto. e satisfatório.

Faltou alguma cena? Nos conte nos comentários.