Cenas Marcantes do Terror: Pânico 4 (2011) - Sessão do Medo

30 de julho de 2019

Cenas Marcantes do Terror: Pânico 4 (2011)


Onze anos após o encerramento da trilogia original, Ghostface voltou às telonas com Pânico 4, marcando pontos com sua linguagem afiada. Querido para alguns, e odiado por outros, o longa se tornou memorável por se tratar de uma refilmagem do primeiro filme. Vamos relembrar as cenas marcantes dessa pérola!


O filme dentro do filme (novamente)


Mesmo a abertura de Pânico 3 não sendo uma das melhores da franquia, o seu sucessor conseguiu chamar a atenção como Pânico. Seguindo a linguagem do filme dentro do filme (como visto no filme anterior), Pânico 4 abriu sua narrativa de um jeito sagaz, irônico e cômico. 

Repleto de ponderações, há quem diga que a cena alternativa seria bem melhor do que a versão final, assim, teríamos a duração mais curta dentre a quadrilogia. De fato, o que veríamos passaria a sensação do chocante e perturbador em poucos minutos, do mesmo modo que ocorreu com Casey (Drew Barrymore): sem tempo para brincadeirinhas, o Cara de Fantasma iria dar as caras friamente.



Ainda assim, a sequência de onze minutos conseguiu divertir e ser mais explorada do que a cena acima. Trazendo Sherrie (Lucy Hale, Verdade ou Desafio) e Trudie (iZombie), duas amigas conversando sobre filmes de terror. Ao tempo em que Sherrie não deu crédito para a ligação do Ghostface, Trudie recebe mensagens da paquera no Facebook. Depois que as coisas se intensificam, ambas são mortas por dois assassinos. Tudo isso para descobrirmos que se tratava da abertura de "Apunhalada 6" (ou facada) que outras duas amigas assistem no sofá.

Após uma delas (Anna Paquin, True Blood) soltar a língua reclamando da mesmice dos filmes de terror - principalmente as inúmeras sequências dos filmes oriundos dos crimes em Woodsboro -, a segunda (Kristen Bell, Veronica Mars) não aguentando ouvir as crítica aos filmes que tanto gosta - os diálogos compensaram muito -, responde a amiga  a golpeando com duas facadas no estômago. Mas, de novo, não se tratava de Pânico 4, mas agora de "Apunhalada 7".

Sem mais joguinhos, duas novas amigas encerram a sessão do longa enquanto conversavam sobre a estratégia do filme dentro filme (Wes Craven acertando em cheio com a metalinguagem). No que Jenny (Aimme Teegarden, O Chamado 3) tentou pregar uma peça contra Marnie (Britt Robertson. O Espaço Entre Nós), foi quando o assassino decidiu entrar em ação para mostrar que estava de volta a Woodsboro - a perversidade aqui foi nítida, quando por um momento ele deixou Jenny quase escapar, para depois arrastá-la para garagem e usar a faca, com Tatum não foi assim.

Só com essa demonstração, foi possível perceber que ter o Wes retornando para a direção e Kevin Williamson no roteiro, foram as melhores escolhas: assim como em 1996, Wes filmou com a câmera inclinando para o lado em alguns enquadramentos, vide quando o Ghostface atacou Trudie e quando desceu as escadas da garagem na cena com a Jenny, por exemplo.

Estou dentro do armário


Sem dúvidas, essa foi uma das cenas mais bem elaboradas da franquia - mas quem já assistiu dá para notar pistas de quem é o assassino. Estando Kirby (Hayden Panettiere, Heroes) fazendo companhia a Jill (Emma Roberts, Enviada do Mal) prima de Sidney, uma ligação misteriosa direciona um momento entre amigas para uma tragédia.

Numa linha, Jill fala com Olivia (Marielle Jaffe, Percy Jackson e o Ladrão de Raios) e na outra Kirby conversa com Trevor (Nico Tortorella, O Estranho Thomas), ex-namorado de Jill - pelo menos era o que ela acreditava até perceber que estava falando com o killer. A coisa é simples: abra a porta do armário.

O texto foi instigante e assustador, para no final ser cruel: "eu não disse que estava dentro do seu armário". Depois de perceber da distração em que o Cara de Fantasma elaborara, era tarde demais para salvar Olivia de ser brutalmente morta pelo psicopata que saiu do closed.

Ao correr para a casa em frente e se deparar com o corpo desfigurado da jovem, Sidney ainda recebe uma ligação do assassino prometendo que desta vez ela não escaparia. Em menos de 2 minutos, a cena foi intensa, acrescentando também a pequena luta entre o alvo do massacre e o mascarado. Os anos se passaram, mas Sidney não perdeu a forma.




Você é o recado


Após o segundo ataque do Ghostface, Pânico 4 não deu trégua! O que fez Sidney voltar para Woodsboro, foi o lançamento do seu livro "Saindo das Trevas", onde fala sobre superação. Após dispensar sua assistente interesseira, o que ela não esperava era que Rebecca (Alison Brie, GLOW) seria morta como forma de avisar que a matança não pararia.

O resultado foi uma tensa cena num estacionamento de hospital, e depois ter o corpo jogado do alto de uma sacada, em plena conferência do xerife Dewye para a imprensa.

Clube de cinema


Assim como a cena de debate na aula de cinema em Pânico 2, e a fita de Randy em Pânico 3, o longa de 2011 teve sua cena que abordava a contextualização vigente. Na vez, o miolo em meio ao enredo se tratava de uma refilmagem.

Contrariando as possíveis sequências, a ideia central era inverter as regras, enquanto o assassino ainda copiava as mortes de "Apunhalada" e filmava suas matanças, para que desse jeito fosse protagonista do próprio filme. Em cena, os apaixonados por terror Robbie (Erik Knudsen, Jogos Mortais 2) e Charlie (Rory Culkin, Sinais) contracenaram com Gale e Sidney - prestando atenção, tivemos mais uma pista de quem era o killer.

Facadatona


Se aproximando de se desfazer do trio principal de sobreviventes, não conseguindo o que queria na parceria com Charlie e Robbie, Gale recorre para seus métodos antigos e decide agir por contra própria, por isso adentra a um celeiro antigo onde os jovens de Woodsboro se preparam para a “Facadatona” - evento anual em que fãs de slashers exibem os 7 filmes da franquia “Punhalada” numa maratona – e espalha quatro câmeras para supervisionar o local, e assim pegar o Ghostace no flagra.

O que ela não imaginava era que o mascarado já estaria um passo à sua frente, e ao perceber que suas câmeras implantadas estavam sendo “desconectadas”, Gale corre para descobrir o que ocorrera, para então descobrir que foi atraída para uma armadilha que a levaria para o matadouro.

Como bem sabemos, não foi desta vez que a repórter mais pavio curto da história de “Pânico” deu o adeus, mas a facada no ombro poderia resultar em algo mais grave, se Dewye não tivesse empenhado em salvar a pele da esposa. No entanto, a revelação veio depois: antes se ser atacada, Gale notou que não foi a única a colocar câmeras no celeiro, o assassino estava disposto a matá-la e por isso já tinha posicionado uma filmadora para registrar quando abordasse a moça.



Nova década, novas regras


A quarta sequência da franquia foi marcante também por trazer várias participações de famosos no elenco. Em mais uma cena com ótimos diálogos, foi através dos policiais Perkinks (Anthony Anderson) e Hoss (Adam Brody) que Scream 4 (no original) acertou mais uma vez.

“Os policiais vigiando a casa sempre morrem”.

“Tá falando do quê?”

“É uma regra desses filmes. Eu odeio os policiais dos filmes, menos o Bruce Willis”.

“Todos os policias morrem nos filmes”

“Não, mas se fosse o último dia antes de se aposentar você morre. Se for um recruta e sua esposa estiver grávida, você morre. Ou se seu parceiro for mais bonito do que você, você morre”.

“Vou dá uma olhada no local, volto logo... Droga! Já sei, a gente não deve dizer isso, né?”

“É. Nova década, novas regras. Cê pode voltar e me encontrar morto”.

Sempre foi legal ter o Dawye representando os policiais indispensáveis nos filmes de terror e suspense, mas Wes foi pontual ao introduzir no próprio conceito este clichê: os tiras não duram quando o universo é o horror.



Gostou de voltar para casa, Sidney?


Todas ligações entre Sidney e o Cara de Fantasma foram épicas. Depois da visita aos policiais, o Ghostface parte para sua artimanha de intimidação e faz que a autora de “Saindo das Trevas” saiba que Gale quase foi morta. Em seguida a faz saber que antes de matá-la de vez, irá contra a família dela primeiro.

A sequência foi tensa, não estando Jill em casa, na fuga, quem acabou pagando o pato foi Kate (Mary McDonnell), mãe da jovem.


Pera aí, têm regras!


Em outro ataque brutal do Ghostface, Robbie foi a próxima vítima. O fã dos slashers estava fazendo o de costume: filmando tudo com sua webcam e transmitindo no seu site, até que o killer deu as caras.

Tentando apelar para o seu conhecimento, o cara tentou lembrar para o mascarado que no subgênero há regras que precisam ser respeitas, “eu sou gay, isto não conta?”, mas como a volta a Woodsboro estava impiedosa, Robbie não foi poupado.


Soube que você gosta de filmes de terror, Kirby


Depois de descerem para o porão (o mais arrumado em filmes de terror, pelo visto) a fim de se esconderem, Sidney e Kirby acaba sendo surpreendida por Charles pedindo socorro do lado de fora. É incrível que, mesmo no quarto filme, a quadrilogia não perdeu a essência e apelar para o lance de “não sou o assassino, deixe eu entrar” barganhou. Mas desconfiar do moço não foi melhor escolha, por isso Charles foi posto como refém amarrado numa cadeira, enquanto o killer falava com Kirby ao telefone – àla a cena quem Casey vê na varanda que o namorado foi capturado.

Não só Charls e Robbie apreciavam os clássicos do horror, mas Kirby também, sendo assim, o vilão de Woodsboro decide brincar com perguntas e respostas com a jovem, para assim saber se salvará a vida do garoto.

Todo o esforço só valeu para ela descobrir que não conseguiu salvar ninguém, e que Charles era um dos assassinos. Quem era o ajudante?

O ato final


Achávamos que no “Facadatona” seria o cenário ideal para Pânico 4 trilhar até o seu desfecho, mas não, o melhor ainda estava por vir. Foi só nas últimas sequências na casa de Kirby que percebemos melhor as homenagens.

Estava claro que Jill e Trevor era como Sidney e Billy em Pânico, assim como Charlie era Stu e Kirby era Tatum (com um amor meio platônico) mas na vez se tratou de uma refilmagem, então houve uma inversão das coisas: Jill queria ser a nova Sidney, por isso, ela e Charlie matariam todos e eles seriam os novos sobreviventes, e ele o Randy da década atual.

Para que o plano desse certo, Sidney não deveria sobreviver ao massacre. Mais incrível do que ter o final de primeiro filme sendo relembrado, foi ver Emma Roberts dando um show com sua personagem sádica em busca de fãs, a ponto de praticar a automutilação para acreditarem que sofreu muito para sobreviver.



Acompanhando a história de Sidney sabemos que o opositor não sobrevive, com isso, a cena alternativa aconteceu no hospital. Vivendo o estrelado como final girl, Jill não ficou nada contente ao descobrir que sua prima sobrevivera a facada na barriga, assim partiu para se certificar que não existiria mais outra pessoa para dividir os holofotes e que arruinaria o que arquitetou.

Como nos velhos tempos, Gale e Sidney se uniram para derrubar o autor dos crimes, com direito a um desfibrilador e o típico tiro na testa.

Sentiu falta de mais alguma cena? Concordo que Pânico 4 teve um dos melhores finais e foi satisfatório? Participe nos comentários!