Crítica: Into the Dark 1x10 - "Fronteira do Medo" - Sessão do Medo

20 de julho de 2019

Crítica: Into the Dark 1x10 - "Fronteira do Medo"



Em plena data em que se comemorou o dia da independência dos Estados Unidos, entre desfiles e fogos de artifícios, Into the Dark acertou mais uma vez no tema ao trazer o feriado do dia 4 de julho como o percursor do telefilme mensal. Dentro disso, "Fronteira do Medo" embarcou num suspense psicológico com ares "futurísticos" para retratar um problema atual do país: a crise na imigração. De longe, esse décimo episódio está longe de ser o mais fraco, mas ao menos, incapaz de ser inferior ao que a temporada vem apresentado.

Centrando a história em três personagens - com o foco maior na protagonista - acompanhamos Marisol (Martha Higareda, Altered Carbon) uma mexicana grávida, Santo (Richard Cabral, American Crime) um misterioso assassino que deseja chegar ao Texas e Ricky (Ian Inigo, Dilema) um garoto da Guatemala, juntos tentando cruzar a fronteira dos EUA ilegalmente. Além do caminho espinhoso para alcançar tal objetivo, o que eles encontram é um amargo pesadelo.

Pela terceira vez dentro do show, a produção do Hulu trouxe uma diretora para conduzir o enredo. Aqui, assim como fez uma breve participação interpretando Paola, e assinar o roteiro ao lado de Efrén Hernández e James Benson, Gigi Saulo Guerrero foi o talento por trás das câmeras em Culture Shock (no original).

Também mexicana, a cineasta vem um longo histórico no âmbito da direção com curtas-metragens, séries e pouco filmes (ABC's of Death 2.5, por exemplo). O que todos têm em comum é a perspectiva dela em trabalhar com o gênero do terror com pitadas de humor.

Como de praxe, Fronteira do Medo foi explorado dentro de uma fórmula, então não haverá nada fora do comum se percebemos que se trata de uma trama em que os personagens se veem presos num sistema que julgavam normal, até notarem algumas contradições e se rebelarem para saírem ilesos. Aí vem a parte de quem observou tentar avisar para outros, e nisso ter forças para combater. O que sobressaiu nisso, foram as camadas retratadas em Marisol.

Martha Higareda como Marisol.





Se passando em sua maior parte com o idioma espanhol, o melhor acerto deste capítulo foi o arco dramático que envolve o passado de Marisol. Mesmo visando uma condição de vida melhor, é nítido que no oculto dessa meta, a moça sofre com alguns fantasmas. O que justificam a persistência em deixar o seu país: a oportunidade de encarar os traumas de uma vez por todas.

Graças a essa aposta, é fácil criar empatia pela personagem e assim aceitar livremente a narrativa através de sua percepção: o que era para ser um sonho americano, se mostra um campo de estrangeirismo e incertezas. Afinal, que realidade é essa em que vimos a protagonista e os companheiros vivenciarem?

Sensação de paz, bonança, muitas cores, alienação e dúvidas, assim se resume cada dia de Marisol. A área frouxa deste episódio foi por se aventurar numa fórmula sem preocupação em abrir um diferencial e explorar outras óticas do próprio conceito. Com isso fica a impressão do mistério em que o ponto da trama se debruçou ser um tanto genérico. Porém, a edição conseguiu dar um olhar aceitável e tornar as rasas descobertas compreensíveis.


Depois disso, a direção se permitiu encaixar num ritmo mais desenfreado intercalando um pouco de tensão e ficção científica, mas bem no seu ato final, fica claro que Culture Shock não foge de saídas comuns e arquitetadas para definir o desfecho dessa história de experiências perturbadoras para os personagens.

O que sobra é um desenho esperado para entregar os grandes momentos após a complicada trajetória que os imigrantes passaram, o que tirou um pouco da emoção, visto a rapidez em que tudo precisa acontecer nos últimos minutos. Ao menos, o encontro decisivo em que Marisol se viu para lidar com todas as questões que a assombrava funcionou devido ao cuidado de Gigi em apresentar personagens femininas fortes e independentes.

Fronteira do Medo pode não ter sido o ponto fora da curva para a primeira temporada de Into the Dark, porém, foi divertido e interessante a ideia que desenvolveram, e perante o feito exemplar da diretora, conseguiu contar a sua trama, movida numa fórmula, sem ser maçante.



Título: Into the Dark - Fronteira do Medo
Duração: 91 minutos
Ano: 2019
Direção: Gigi Saul Guerrero
Roteiro: Efrén Hernández, James Benson, Gigi Saul Guerrero
Elenco: Martha Higareda, Richard Cabral, Barbara Crampton, Felipe de Lara, Shawn Ashmore