Crítica: Stranger Things | 3ª Temporada (2019) - Sessão do Medo

7 de julho de 2019

Crítica: Stranger Things | 3ª Temporada (2019)


Sejam bem-vindos - de novo - a Hawkins! Chegou na Netflix neste 4º de Julho a terceira temporada de Stranger Things, um dos maiores sucessos da telinha dos últimos anos. Com dois anos muito bem-sucedidos, o terceiro arco do show vem com uma promessa intrigante: Depois desse verão, nada será como antes. E bom, eles não mentiram mesmo. Mas primeiro, vamos recapitular:

Na segunda temporada, enquanto todos acreditavam que estava morta, Eleven (Millie Bobby Brown) se tornou a protegida do Xerife Hopper (David Harbour), seu novo pai. Vivendo escondida em sua cabana isolada, Eleven acaba se revelando para salvar seus amigos e a cidade na missão de fechar um portal aberto no laboratório, antes que o Devorador de Mentes, um novo vilão de outro mundo, consiga atravessá-lo. Com isso feito, a vida parece ter voltado ao normal em Hawkins.

Pulamos para meados de 1985, ano onde a trama da nova temporada se situa: a cidade agora tem uma nova atração comercial com a inauguração do Shopping Starcourt. Após seu reencontro, Eleven e Mike (Finn Wolfhard) estão aproveitando o amor de verão, o que acaba incomodando Hopper. Lucas (Caleb McLaughlin) e Max (Sadie Sink) também são outro casal aproveitando a mesma situação, o que acaba deixando um pouco Will (Noah Schnapp) de escanteio. E onde está Dustin (Gaten Matarazzo), vocês me perguntam? Bom, ele passou as férias num acampamento, onde supostamente arranjou uma namorada "mais bonita que a Phoebe Cates", embora não tenha como provar.

Mas mesmo também se sentindo excluído pela gangue, a amizade dele com Steve (Joe Keery) acaba sendo melhor aproveitada. O rapaz agora trabalha na sorveteria do novo shopping ao lado de Robin (Maya Hawke). Juntos, o trio (também auxiliados por Erica, irmã mais nova de Lucas) acaba entrando numa missão inesperada quando acidentalmente captam um sinal russo suspeito. Enquanto isso, Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton) estão em sua própria missão. Trabalhando como estagiários no jornal local, o casal resolve seguir a pista de uma possível reportagem bombástica quando uma velha senhora reporta uma manifestação de ratos raivosos.


Em Stranger Things 3, o seriado chega ao seu auge quando evoca literalmente o melhor de seu conceito até então. Mesmo que nas temporadas anteriores, a recorrência à nostalgia dos anos 80 tenha sido feita de forma inteligente e atrativa, é aqui que a série finalmente parece ter saído diretamente daquela década. Indo mais além do uso estridente das cores neons, trilha sonora animada, cabelos armados e shorts masculinos curtos, a temporada consegue não apenas transpor toda a energia das aventuras oitentistas mas também todo o coração que aquelas peças cinematográficas que marcaram a infância de muitos carregavam.


Marcando um decisivo ponto de virada na vida dos personagens, a temporada acarreta grandes decisões que vão desde mudar a dinâmica do grupo, afastando alguns de seus participantes (como Will e Dustin) a separações de quebrar o coração, sem falar em outros detalhes que não irei entregar. Mesmo tendo passado pelo que passaram anteriormente, é hora de crescer e isso acaba se provando o maior desafio deles. Os minutos finais do último episódio são emocionantes e garanto que irá arrancar lágrimas.

As tramas desse ano buscam influências bastante inspiradas e bebe da fonte de clássicos como Invasores de Corpos (1978) e até mesmo A Bolha Assassina (1988) - este último resultando em uma incrível sequência cheia de terror situada dentro do hospital. Mais uma vez, a mistura de ficção científica, horror e aventura coming-of-age é realizada de maneira impecável. Ainda há referências à Amanhecer Violento (1984), mesmo que o arco soviético pareça meio off-key em meio a tudo, e até mesmo a'O Exterminador do Futuro (1984), essa se manifestando no papel de um assassino russo que persegue Hopper e Joyce (Winona Ryder).

A união improvável de personagens também resultam em plots incríveis. A amizade de Eleven e Max traz uma interação nova e apaixonante entre personagens que inicialmente eram rivalizadas (mesmo que indiretamente). Outra surpresa é o destaque dado à Erica (Priah Fergunson), irmã caçula de Lucas que roubou a cena no segundo ano e aqui se junta à Dustin, Steve e Robin no plano "anti-comunista", rendendo momentos bastante divertidos.

Ao contrário do erro da temporada passada de introduzir um novo segmento envolvendo a irmã de Eleven num episódio deslocado e totalmente anti-clímax, aqui a série volta ao que faz sua fórmula funcionar também. A urgência do enredo, que normalmente se passa em um curto espaço de tempo, dá mais agilidade, tornando a experiência mais empolgante e envolvente, o que faz com que Stranger Things pareça uma enorme aventura em 8 capítulos.

Uma explosão de energia e emoção, Stranger Things 3 é a série em sua melhor forma e talvez poderia ser perfeitamente a temporada final, mas uma cena pós-créditos garante que o fim está próximo, mas não está aqui ainda. Independente disso, a promessa foi mantida: depois desse verão, nada será mais como antes.

Criada por: The Duffer Brothers
Canal: Netflix
Episódios: 8
Elenco: David Harbour, Millie Bobby Brown, Winona Ryder, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp, Sadie Sink, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Maya Hawke, Dacre Montgomery, Cary Elwes