Por que a série "Scream" ainda deixa a desejar? - Sessão do Medo

17 de julho de 2019

Por que a série "Scream" ainda deixa a desejar?


Há três semanas atrás - ao menos para quem vem acompanhando a trajetória da versão televisiva da franquia de filmes criada por Wes Craven - não contava que um teaser anunciaria a data de estreia para a aguardada 3ª temporada da série Scream. Primeiro prevista para 2017, depois 2018, e com mais da metade do ano presente finalmente podemos conferir a titulada "Scream: Resurrection".

O nome não poderia ser melhor, considerando que o terceiro ano do programa se trata de um reboot além de trazer a icônica máscara de fantasma que marcou a quadrilogia de filmes encerrada em 2011 - vamos manter a esperança que ainda teremos um quinto capítulo. As expectativas estavam altas, e o que colaborava também para isso era o fato de que teríamos apenas seis episódios exibidos num evento de três noites, ou seja, tudo indicava que não encontraríamos enrolação pelo caminho. Mas não foi desta vez.

Se você clicou neste texto e não teve a chance de terminar a atual temporada, temos uma crítica livre de spoilers, agora, se já assistiu tudo, vamos lá revisitar a história de Brandon James e intercalar com o ciclo vigente para entendermos o porquê de "Scream: Tv Series" continuar decepcionando. 


As Aberturas


Como bem falamos na coluna Cenas Marcantes do Terror, Pânico (1996) trouxe uma intensa cena de 13 minutos inspirada no filme Quando um Estranho Chama (1979). Nela, Drew Barrymore interpretou Casey Baker, a primeira vítima do Ghostface. Além da clássica pergunta "Qual o seu filme de terror favorito?", um início muito aterrorizante, foi ali que também ficamos a par da introdução do estilo do filme. Numa era em que as produções slashers não estavam mais atraindo as pessoas para o cinema, o longa roteirizado por Kevin Williamson foi um frescor por recolocar o subgênero no boca a boca.

Eis que em 30 de junho de 2015 pudemos conferir "Red Roses", o piloto da série da MTV baseada na franquia. Para qualquer um que aprecie os filmes, deve ter ficado muito empolgado com o que a emissora faria. Cinco dias antes da estreia, a abertura de 7 minutos foi liberada no canal do Youtube. Trazendo a atriz Bella Throne (A Babá) como Nina (a nova Casey), foi curioso notar como conseguiram entender como o Wes conceituou cada um dos capítulos das façanhas em Woodsboro. 



Bem contemporânea, o killer tratou de intimidar Nina enviando mensagens e pequenos vídeos curtos para provar que a observava. Ao contrário de Casey que queria sair de casa para pedir socorro, ao perceber que o mal estava do lado de fora, a personagem de Bella que relaxava no jacuzzi, fracassa ao tentar chamar a polícia usando a Siri e desesperadamente tenta entrar em sua residência, até que é atacada brutalmente.

Já na segunda temporada, a nova abertura de 7 minutos pegou um pouco da ideia de Pânico 2, e investiu numa aposta mais madura e ousada para o show. No final da season finale do primeiro ano, encerramos a leva de 10 episódios com a suspeita de que Audrey (Bex Taylor-Klaus, Parque do Inferno) era a ajudante de Piper Shaw (Amelia Rose Blaire, True Blood) no massacre em Lakewood. Abrimos o show com a jovem sendo assediada através de mensagens por alguém que sabia desse segredo enquanto encerrava seu turno no cinema local. Inesperadamente, uma garota ainda não tinha ido embora e acontece que sofre um ataque do "assassino". Depois de contra-atacar contra o mascarado o apunhalando no estômago, a Bi-curiosa descobre que participara de uma pegadinha feita por dois adolescentes. A brincadeira acabou em quase morte.


Agora na chamada "Resurrection", a coisa foi mais complicada e mal elaborada. Novamente, tivemos uma refilmagem da morte de Casey. Com participação especial de Paris Jackson (Star) vivendo Becky, dessa vez a referência se estendeu por 1:50, mas banhada na paródia e deboche resultando em algo muito empolgante. Quando o VH1 divulgou a cena no Youtube, muitos especularam que a cena não acabaria ali e que teríamos alguma surpresa. De fato, tivemos, mas não como imaginamos.

Dando seguimento depois que Becky fecha a porta de sua casa, a câmera corta para dois irmãos tentando recuperar os doces arrecadados na noite de Halloween. O problema é que o bully que tomou as balinhas, as jogou na propriedade de alguém temido por ser perigoso: o Homem-Gancho (Tony Todd). Tudo parecia bem quando os garotos pegaram de volta o que os pertencia, mas a ameaça se tornou real depois que o personagem de Todd deu um fim trágico para uma das crianças.

Oito anos depois somos direcionados para o sobrevivente Deion Elliott (RJ Cyler, Power Rangers) correndo mais que atrasado para chegar ao colégio. A parte complicada é que os personagens aparecem usando um modelo de Iphone assim como Becky há quase uma década. E conforme o episódio ia tomando forma, foi ficando evidente que a temporada não estava tão sagaz como mostrou no início. Seria legal ter só o começo do passado de Deion, depois o salto temporal, e por fim o Ghostface dando as boas-vindas a capital de Atlanta visitando a Becky numa sequência mais extensa, tendo um pouco mais da zoeira que parecia ser um caso isolado do que estávamos assistindo.



Os protagonistas


Já estamos carecas de saber que muito do sucesso dos filmes de "Pânico" se deu pelo protagonismo independente, ousado, sombrio e empoderado de Sidney Prescott (Neve Campbell). Nas duas primeiras temporadas da série da MTV, Emma Duval (Willa Fitzgerald, Little Women) não chegou nem perto de ter os traços de Sid, e isso se deu pela falta de cenas em que convocassem a personagem a mostrar seu potencial. Ao menos participar de 22 episódios de um produto inconsistente, possibilitou para a atriz participar de vários projetos desde o fim da trama de Brandon James, em 2016.

Na fase atual, pela primeira vez na história de "Scream" tivemos um protagonista masculino (vale um final boy?), assim como uma oportunidade de ter um cenário menos fictício (como Woodsboro e Lakewood) como fundo do enredo e também o prestígio de ganhar seu próprio espaço longe de comparações com personagens principais. A boa notícia é que o RJ Cyler deu conta e até apresentou uma boa desenvoltura para arcos dramáticos. Enquanto o texto não engrenava, Deion prendia a atenção em suas cenas, ao contrário de Emma que foi vítima de um roteiro fraco em que os coadjuvantes roubavam o estrelato.

Falta de criatividade?


A primeira vez é sempre melhor e memorável. No primeiro encontro de Sidney com o Ghostface, a sequência rendeu um misto de terror e humor graças a personalidade cínica, desafiadora e que ao mesmo tempo sofredora de Sidney. Após o desfecho do ataque do assassino, três coisas ficaram na lembrança: a protagonista com o dedo no nariz contrariando o adversário, a facada cruel que ela levaria se não tivesse dado um chute contra o Ghost, e a última, foi o Billy sendo apontado como o autor dos crimes que estão ruindo a juventude em Woodsboro. Das três ficarei com a segunda.


Partindo para a série, por duas vezes as versões da MTV e VH1 tentaram prestar homenagens ao embate da garota que sobrevive no final, mas fracassaram. O mais engraçado nessa questão é que ambas apelaram para o mesmo elemento para realizar a cena: pesadelos.

Se não se lembra, no início do sexto episódio da primeira temporada, Emma e o namorado Kieran (Amadeus Serafini) foram até a casa de Brandon James em busca de pistas sobre o assassino. Informações aqui e ali, e ela percebe que o mozão não está mais ao seu lado. Seu celular toca e opa, uma chamada de um contato desconhecido e claro, se trata do vilão. Ao pedir que o mascarado poupe a vida do boyfriend, ela se dá conta que está num jogo e a julgar pela facada que recebe na barriga, o truque estava óbvio: era tudo um pesadelo!

Nos últimos segundos antes dela acordar, foi que aconteceu a referência ao possível ataque que Sid receberia: ela tira a máscara do assassino e tem a surpresa de ver o próprio rosto atrás da máscara, e depois da frase "termina com você", a cena termina com a facada em direção ao seu rosto. A sensação depois de assistir a esse começo de episódio, foi de oportunismo e falso suspense visto que a temporada estava entregando poucos momentos de tensão.

Agora, no terceiro capitulo do reboot a coisa voltou a acontecer até de maneira semelhante. Deion e a pretendente amorosa, Liv (Jessica Sula, Skins) se pegam assim como Emma e Kieran, a diferença é que o casal aqui não estava tão próximo para tal momento. Diante da maneira arquitetada que a cena acontece, e depois de Liv aparecer morta ao lado do "namorado", estava mais que nítido que ele estava sonhando. A coisa poderia acabar ali, mas não. O Ghostface visita o protagonista e o ataca de forma brutal (a cena mais pesada da temporada, a propósito).

Mas, novamente, a referência se deu com o Deion tirando a máscara do assassino e descobrindo que se tratava de seu irmão gêmeo Marcus. O que separa da versão de Emma é que ela não tinha uma irmã gêmea, e que a facada resultou no peito dilacerado do jovem.

Além da repetição, pesadelos irrelevantes são feitos que empobrecem a trama, e segundo, a maneira em que as cenas são conduzidas relevam um efeito comum de dar aos personagens momentos em que encontram seus ápices e em seguidas são mortos. Com Emma decidiu enfrentar os maiores medos (nas palavras dela) indo a casa de Brandon e Deion foi ter finalmente um momento de paixão com a garota que é apaixonado.

A metalinguagem


No piloto da série, em uma cena que refilmou o debate sobre violência no cinema e sequências de filmes em Pânico 2, vimos Noah (John Karna, Aventura Perigoso) contextualizar sobre o mundo das séries. De qualquer forma, houve um acerto nesse quesito ainda mais quando o personagem falou algo que definia bastante a missão de "Scream": dos shows como "American Horror Story", "The Walking Dead", fazer uma inspirada no slasher, seria complicado porque nas séries as coisas precisam ser um pouco esticadas - fato inegável, e Harper's Island - O Mistério da Ilha é uma prova disso.

A ironia na fala é que Noah citou exatamente o desafio que o programa enfrentaria para ganhar o seu espaço. Caindo e levantando, a temporada de estreia conseguiu chamar atenção e vencer a balela teen. Já no segundo ano, ficou claro que ao tentar criar o próprio conceito, a atração caía cada vez mais na superficialidade. Verdade que os filmes dirigidos por Wes tiveram um tema debatido relacionado ao subgênero, nisso bebia de referências e contextualizava perante a época que era lançado e no enredo do filme.

O problema da segunda temporada foi nomear os 12 episódios com nomes de grandes clássicos do terror e assim de alguma forma fazer com que o roteiro cassasse com o título. Certo que alguns tiveram seu proveito, como o capítulo de retorno chamado de "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", mas os roteiristas Michael Gans e Richard Register esqueceram que os filmes foram bem mais que meras referências a outros longas - daí o episódio 2x9 se chamou "O Orfanato" e pro nome não ser em vão rolou uma festa num orfanato abandonado - , e que tinham um contexto muito importante sendo trabalhado. Era a fórmula satirizando uma fórmula e criando uma nova pra se chamar de sua.

Assim, ficou mais que evidente que a versão da MTV não estava preocupada em se parecer com os filmes, mas ter seu próprio negócio para ser lembrado - e foi.

Em "Resurrection", as coisas ganharam um novo olhar graças a Beth (Giorgia Whigham, Justiceiro). A fã de filmes de terror assim como Noah e Randy (Jamie Kennedy) mostrou seus conhecimentos para falar dos estereótipos, clichês, as regras, o comportamento do assassino e até o fim dos personagens. Nisso, pudemos ver bons diálogos em tela, como quando debateram sobre a representatividade negra nos filmes de terror.

Ainda que Kym (Keke Palmer, Scream Queens) tenha pegando alguns filmes slashers para assistir de última hora para tentar manjar do sistema do horror, Beth foi o melhor que tivemos no que diz respeito a metalinguagem, uma vez que abandonaram essa característica no Noah.

Pouca tensão, muita inconsistência


Encerro esse texto falando dos personagens, e claro, do que queríamos ver de verdade nessas três temporadas: terror, perseguições, roteiro engajado e mortes. Quem mais brilhou nesse feito?

Pânico 3 e Pânico 4, foram os únicos filmes da franquia que não fizeram questão em ficar apontando suspeitas de quem seria o Ghostface da vez. Apesar disso, os outros títulos fizeram isso de maneira sutil sem atrapalhar o desenvolvimento do texto. Sabe lá o porquê, desde a primeira temporada os roteiristas da série acham que essa coisa de jogar coincidentemente com suspeitas é muito legal. Mas vamos confessar, na primeira vez funcionou.

Em um dos momentos altos da primeira temporada, "Scream" fez valer a soma dos eventos medianos dos dramas de seus personagens - todos ganhando espaço, menos a Emma e o Kieran. Quem diria que depois do fraco "Exposed" (1x05) e o morno "Betrayed" (1x06) "In the Trenches" (1x07) seria um estouro? Nessa fase, os roteiristas conseguiram colocar todos os personagens numa antiga pista de boliche abandonada, e o Ghostface atacando alguns para assim sabermos que todos eram suspeitos.

O final, quando achávamos que o alvoroço não resultaria em nada, o enredo findou com impiedoso jogo do mascarado matando o ex de Emma e a fazendo saber que isso aconteceu por ela perdoar facilmente a traição de Will (Connor Weil, Roadies). A partir daí, o programa conseguiu aproximar a protagonista nos conflitos em que Sidney se via ligada na onda de assassinatos em Woodsboro. Ponto para Brandon James.

Cortando para a era atual, o terceiro episódio foi uma das coisas mais mal escritas de toda a temporada. Bacana que a participação de Tony Todd teve destaque e fez referência ao Candyman, personagem que o ator viveu em 1992, no filme O Mistério de Candyman. Aí na confusa luta entre o Ghostface e o Homem-Gancho, rapidamente nos despedimos dele, com partes da corriqueira morte acontecendo em off-screen. Nesse meio tempo, quatro personagens estão afastados desse cenário, enquanto dois - Liv e Amir (CJ Wallace, Notorius B.I.G.) acompanharam Deion no antigo ferro velho em que Marcus morreu.

Depois de os melhores amigos Kym e Manny (Giullian Yao Gioiello, Punho de Ferro) brigarem, a moça sai com seu carro de pneu furado até ser jogada para fora da estrada prum milharal por um trio de amigos que ela tretou mais cedo. Quando Manny percebeu que sua amiga corria perigo, correu desesperadamente para o local e a Beth tentando alcançá-lo. Depois que o Ghostface o matou, Kym aparece afirmando que estava desacordada, Beth que não conseguia correr com suas botas falava com (PASMEM) o Amir que correu lá do ferro velho e acertou que os companheiros estariam ali, numa plantanção de milho. Não pensaram em jeito melhor de forçar que todos eram suspeitos? O Ghostface não marca dessa vez.

Voltando para os acertos, no 1x10 ("Revelations") tivemos uma cena digna de slasher protagonizada pela Brooke (Carlson Young, que roubava a cena com o drama e cinismo). Em referência a Pânico 4 - quando Sidney e Kirby (Hayden Panettiere) veem as luzes da varanda se apagarem e quando acedem, o Charlie (Rory Culkin) amarrado numa cadeira - , a jovem não quis deixar seu ex-namorado Seth (Bobby Campo) entrar em sua casa, pois desconfiava que ele era o assassino.

No caso da Brooke, quando as se luzes se acedem, o Ghostface dá as caras, sem ter para onde correr, ela entra na garagem e se esconde dentro de um freezer. Bem no estilo de lugares que não deve se esconder, a moça é atacada pelo killer. Também, houve o cruel "The Vanishing" (2x10) em que o Cara de Fantasma prendeu o Noah e Zoe (Kiana Ledé) ambos em caixões separados, colocando Emma e Audrey para salvar a vida de um, sem saberem que enquanto desenterravam Noah, Zoe se afogava dentro de uma caixa de madeira. Ponto para Brandon James.

Para não dizer que o Ghostface não marcou pontos, ao menos nesse terceiro ano não tivemos um assassino teatral que ninguém via nem entrar nem sair - né, Kieran? Na certeira cena do elevador, nunca vimos o opositor de Deion na sua versão mais fria e calculista. Depois de conseguir se esconder no necrotério, Amir corre para escapar da morte, só não contava que seria dilacerado no elevador por um serrote. Depois deste acerto, o que foi a parte em que o protagonista chega na casa de Beth (onde a tragédia ocorreu) e Kym está atrás dele e ainda assim o jumpscare acontece? De novo, não souberam passar a ideia de que dentre os três, qualquer um poderia ter matado Amir.

"só tô esperando ele virar para dar um susto".
Para finalizar, a season finale compensou o que a 2ª temporada não fez: recapitular como Kieran agiu sozinho. Apesar disso, mesmo mostrando quem Jamal 'Jay' (Tyga) matou e posteriormente Beth, as revelações tiveram furos. Ele alegou matar pela hipócrisia das pessoas, exceto por Deion, nenhuma das suas vítimas eram de fato hipócritas: Avery (Patrick Jackson) era machista e racista, Manny tinha um relacionamento secreto com um dos estudantes da sua escola, mas não mentia sobre ser gay e o uber TJ (Nash Grieg) foi só um teste para Jay saber se seria capaz de matar alguém. Teria ele matado essas pessoas pelos erros do meio-irmão?

Beth sempre soube que era sociopata, e não se contentando em assistir filmes de psicopatas, encontrou nas motivações de Jay o momento perfeito para explorar a personalidade assassina que ocultava - tal motivo que desde o primeiro filme a franquia tratou de não culpar os filmes de terror e quem assiste, assim a série prova que só atentou em fazer referências, neste caso a Roman em Pânico 3. O furo foi em dos flashes que revelou suas vítimas. Nos foi mostrado que ela matou o Manny explodindo o carro em que ele estava - curiosamente, ela era a única que fumava cigarro e o Ghostface usou esqueiro duas vezes -, mas como ela se caracterizou da roupa assassina rapidinho no milharal? A roupa estava escondida por lá?

A terceira temporada de "Scream" referenciou: Pânico - e na cena em que tentaram remeter a perseguição de Kym na escola a Tatum na garagem não ficou nada legal, Todo Mundo em Pânico acertou mais - Pânico 2, Pânico 4, Premonição 2, O Iluminado, O Mistério de Candyman, O Clube dos Cinco, Sexta-Feira 13. Até o momento, não foi confirmado se o VH1 continuará com a ideia de antologia num possível quarto ano da série.

Percebeu mais alguma referência? "Resurrection" foi muito injustiçado? Nos conte nos comentários.