Crítica: Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019) - Sessão do Medo

22 de setembro de 2019

Crítica: Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019)


É curioso ver como, em apenas dois filmes, o diretor Ari Aster já vai construindo um estilo, uma marca própria. Assim como seu primeiro longa, Hereditário (2018), Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (2019) tem seita, rituais, paganismo, sacrifício, uma protagonista lidando com o luto familiar e doses de loucura entre seus ingredientes. O resultado também é muito parecido: um longa angustiante que confirma Aster como um nome a ser acompanhado de perto. 

Na história, Dani (Florence Pugh) acaba de passar por uma tragédia pessoal quando vai viajar com o namorado Christian (Jack Reynor) e os amigos dele para um festival de verão em um remoto povoado na Suécia. O que poderia ser uma oportunidade para relaxar ganha contornos macabros à medida que o grupo de visitantes vai conhecendo os rituais e planos dos misteriosos habitantes da vila. 

A primeira coisa que chama a atenção em Midsommar é a beleza do filme, que vai das locações em campos verdes à fotografia. Um clima bucólico e agradável que poderia lembrar até mesmo a vila dos hobbits da trilogia Senhor dos Anéis, mas que esconde um terror invisível por trás de sua simpatia. Assim como diz o subtítulo nacional, o longa de Aster concentra 90% das suas ações em plena luz do dia - algo raro de se ver no gênero, que normalmente escolhe a noite como cenário para o terror. 


O elenco está bastante afiado, começando pela talentosa e até então semi-desconhecida Florence Pugh. A atriz britânica interpreta com realismo Dani, uma protagonista psicologicamente instável que vive um relacionamento distante com o namorado interpretador pelo também excelente Jack Reynor. Quem também se destaca é Vilhelm Blomgren, o intérprete de Pelle, o amigo que atrai os personagens para o povoado sueco e exala tranquilidade e confiança com sua fala mansa. É só uma pena que o personagem perca relevância da metade para o final do longa. Acaba sendo uma decepção para quem esperava uma participação e uma relevância maior dele. 

O roteiro entrega um pacote satisfatório de tensão, mistério, violência, erotismo e gore - Aster mais uma vez cria uma cena perturbadora envolvendo cabeças, assim como já tinha feito em Hereditário. A sequência inicial também dispensa comentários, com uma trilha sonora empolgante que não se repete depois. Com muitos simbolismos que não são explicados, não é de se esperar que todo o longa seja entendido de primeira. Não há problema nenhum em sair do cinema sem entender 100% da história, o que motiva uma revisitada daqui a um tempo. Surpreende o fato de que, mesmo se tratando de um filme com quase duas horas e meia, o tempo passa relativamente rápido, como se fosse uma experiência de 100 minutos.


Claro que há alguns problemas e situações que poderiam facilmente sair do roteiro, como a rixa entre Christian e Josh (William Jackson Harper) pela tese do doutorado. Um elemento que não acrescenta praticamente nada. Incomoda também a reação de alguns espectadores que soltaram gargalhadas em uma cena erótica que obviamente nada tinha de engraçada, quebrando totalmente a atmosfera de tensão do filme. 

Inteligente e intrigante, Midsommar provavelmente vai dividir opiniões e gerar discussões. É um erro entrar na sala de cinema esperando um terror convencional, com sustos e uma trama mastigada. Quem for assistir esperando ver algo na linha de Mãe! (2017) e A Bruxa (2016) certamente vai ter uma experiência muito melhor.


Título Original: Midsommar
Ano: 2019
Duração: 147 minutos
Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Florence Pugh, Jack Reynor, Will Poulter, Vilhelm Blomgren, William Jackson Harper