Crítica: Into the Dark - 2x01 - O Jogo dos Segredos - Sessão do Medo

21 de outubro de 2019

Crítica: Into the Dark - 2x01 - O Jogo dos Segredos


Sob uma nuvem de críticas medianas, para todos os efeitos, Into the Dark sobreviveu para novos doze episódios mensais com histórias de terror e discussões sociais. É halloween novamente, e a antológica série do Hulu voltou no seu melhor estilo: aterrorizante - ou ao menos tentou inserir essa pegada numa trama insossa e trivial.  

Mesmo sendo o celebrado Dia das Bruxas, para um grupo de seis amigos, a data do 31 de outubro traz a lembrança da morte de Tony (Avery Bagenstos) e por respeito ao querido amigo, eles decidem aproveitar a noite fazendo o que o falecido mais apreciava: jogos de tabuleiros. Na busca no porão, alguns foram encontrados, mas claro que o escolhido foi justamente o que encabeça o título deste episódio, o chamativo Uncanny Annie (A Estranha Annie). Com certas coisas não se deve mexer, e os jovens jogadores vão descobrir os perigos de um atrativo inofensivo.

Na temporada anterior, o que mais se repetia nos comentários era acerca do fraco terror que se estendeu durante os episódios, enquanto as questões sociais eram mais pontuais. Aqui, bem na estreia do ano vigente, a equipe por trás do programa fez exatamente o oposto: sobressaiu no horror, mas se despencou na subtrama.

Com temas como obsessão, misoginia, agorafobia, hipocrisia vistos anteriormente, a bola da vez se deu com o típico miolo de segredos obscuros. O slasher bem que usa este artifício para movimentar a trama sanguinolenta, e de muito exemplos que poderiam ser citados, o que Uncanny Annie (no inglês) fez aqui foi algo como em Verdade ou Desafio (2018): a mentirinha num efeito dominó em prol da experiência horripilante.


Tais segredos que formou o miolo do enredo não possuem nenhuma originalidade, mas o que de fato soma para Into the Dark foi o mergulho doido disposto a explorar o conceito apresentado - certo que esse mergulho já foi dado em outras praias por aí -, indicando que desta vez o show pretende se levar mais a sério no quesito terror, nem que para isso tenha que parecer uma lenda urbana contada no escuro no intuito de assustar, ainda que a história nem apavore.

Em alguns momentos, a sensação que bate é de riso por estar claro que a atração está tentando fazer valer o nome que tem, mas que ao mesmo tempo soa boba ao querer empurrar inserções manjadas como se fossem geniais e ousadas.

Vergonha alheia a parte, o que tira a graça da coisa foi O Jogo dos Segredos ter iniciado com um suspense desnecessário como paleta demonstrativa do que se sucederia, sendo que, quando a narrativa chegou exatamente na curva que acessaria o universo proposto, a cena de menos de um minuto de duração de outrora teve o efeito contrário do esperado: longe de servir como conexão, simplesmente estragou a surpresa de Annie em ação.


Neste caminho, Uncanny Annie transita por escolhas interessantes que ficariam bem mais engajadas se o show estivesse aplicando na trama a mesma qualidade de terror almeja empenhar.  É como se tivesse um acumulado de boas ideias, mas que na prática, não se combinam para o propósito final.

De qualquer forma, a segunda temporada de Into the Dark indica que será mais apelativa ao terror, podendo aproveitar mais da liberdade que o Hulu promove com o programa. Caso seja assim, pegará o público de jeito, e se não for, teremos mais versões de Annie por onze capítulos: o terror vestido de histórias fracas, resistindo amadurecer para o potencial que não enxerga.

Título: Into the Dark - Uncanny Annie
Ano: 2019
Duração: 80 minutos
Direção: Paul Davis
Roteiro: Alan Bachelor, James Bachelor
Elenco: Adelaide Kane, Georgie Flores, Paige McGhee, Jacques Colimon, Dylan Arnold, Evan Bittencout