Crítica: Predadores Assassinos (2019) - Sessão do Medo

1 de outubro de 2019

Crítica: Predadores Assassinos (2019)


Se você não vai até a água, ela vai até você. Com alguns títulos de terror e suspense em sua filmografia, o cineasta Alexandre Aja fez boas escolhas como diretor - nomes como Alta Tensão (2003) e o remake Viagem Maldita (2006) são excelentes exemplos disso. O interessante é que apesar de poucos, é curioso notar a desenvoltura de Aja para construir com ensejo o que o gênero pede. Não ficando de fora da referência eficaz do francês, Predadores Assassinos se configura com um atrativo tenso e excitante. 

Ambientada na Flórida, a trama dá seu pontapé depois que o estado é atingido por uma forte enchente. A ordem foi que todos evacuassem da área afetada e se abrigassem, o que não impediu Haley (Kaya Scodelario) de ignorar os avisos e procurar pelo pai, Dave (Barry Pepper), que não respondia suas mensagens. Mas logo se dão conta que, pior do que estarem cercados por água, é serem alvos de crocodilos famintos.

Apesar do terror na água nunca ter deixado de estar em pauta, mesmo com as tosquices, tivemos películas que se destacaram. Pânico no Lago já carrega seis filmes em sua franquia estranha com crocodilos, porém, foram os tubarões que vem recebendo os holofotes com histórias independentes e atraentes. Ao passo que o chamativo Black Water: Abyss não chega as telonas, ao menos podemos dizer que os répteis apareceram em boa forma depois de muito tempo, graças a Predadores Assassinos.

Barry Pepper e Kaya Scodelario em cena.
O que mais fascina no filme foi a capacidade de prender a atenção e se tornar envolvente com facilidade. O lugar escolhido para localizar os crocodilos grita por claustrofobia, desespero e isolamento a medida que Aja explorava com inteligência e agilidade as ameaças iminentes para pai e filha: o espaço sendo cada vez mais tomado pela água e a presença de seres rastejantes prontos para tragarem novas vítimas. A luta por sobrevivência estava decretada. 

Mantendo a linha de aflição, Crawl (no original) ainda encontra espaço para inserir a brutalidade sem parecer deslocado do que a trama está desenvolvendo. Certo que poderia quebrar a atmosfera construída, mas direcionar o terror para uma vibe mais violenta funciona, de igual modo, serviu para desviar do cenário em que os protagonistas se encontravam e provar que o perigo ali era real.

Que o terror gradativamente vai tomando forma e assumindo o controle da história, isso não resta dúvida, contudo, o filme depende de um arco dramático em que os personagens estão envoltos. A ideia de que momentos extremos requer atitudes extremas quando há um bem maior entre conflitos inacabados é muito boa, mas é exatamente nesse ponto que Predadores Assassinos deixa a desejar pele inserção de um problema familiar genérico, aplicando o porquê de torcermos pela salvação de Haley e Dave.


Tal adição não empolga e tampouco parece fazer diferença visto a forma esquematizada que surge e é resolvida: não importa a gravidade, são águas passadas, basta o momento oportuno para o choro que numa conversa a mágoa se resolve. A partir daí, o longa abraça o seu ápice para o desfecho. Lutar ou morrer. Tudo ou nada. 

Cenas mais coreografadas se fazem presentes e o que antes parecia se tratar de uma abordagem bem elaborada, abre o leque para sequências que não mais pretendiam ser criativas, e sim exageradas, a ponto de não ter mais para onde inundar. 

Predadores Assassinos foi ambicioso e astuto por mostrar as formas incitantes que o terror pode ser explorado. Ainda que lembre um pouco a premissa de Bait (2012), a vilania se deu por um crocodilo numa trama que sabe ser familiar e causar tensão, mesmo rastejando.


Título: Predadores Assassinos (Crawl)
Ano: 2019
Duração: 88 minutos
Direção: Alejandre Aja
Roteiro: Michael Rasmussen, Shawn Rasmussen
Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson, Jose Palma