Crítica: Initiation (2020) - Sessão do Medo

12 de maio de 2021

Crítica: Initiation (2020)


Lançado em 2011, Pânico 4 (Scream 4) estampava em seu cartaz o inteligente e inesquecível slogan: "Nova década, novas regras.". Chegando 11 anos depois do terceiro filme, a sequência reuniu numa frase o quanto estava consciente do que precisava contextualizar com sua trama. A maneira de pensar estava diferente, as pessoas cheias de tendências e a Internet refletia isso muito bem. O tempo foi certeiro para trazer o reconhecimento para a película. A força do seu slogan serve para lembrar de como as histórias e narrativas se adaptam a um momento, e surge uma questão: o que dá para subverter no terror e em seus subgêneros? Reviravoltas nem sempre serão o ponto alto ou satisfatórias se o caminho até o ápice não acompanhar a lógica ou conseguir convencer. Se tratando do slasher, é notório que, após a alta demanda dos remakes, o nicho recebeu um olhar mais cuidadoso e independente.


A narrativa não quer ser a mesma, e brincar com uma espécie de homenagem como Terror nos Bastidores (The Final Girls) é só um exemplo do quanto o slasher tem se jogado em estilos interessantíssimos, da mesma forma, Christopher Landon investindo na mistura do estilo raiz com outros clássicos da ficção científica e comédia. Erin (Sharni Vinson), de maneira nenhuma aceitou ser a moça em perigo em Você é o Próximo (You’re Next); Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) finalmente recebeu sua justiça depois de ser tão desvalorizada durante a danosa franquia Halloween (1978-2002) e se certificou que Michel Myers não a pegaria mais desprevenida na sequência de 2018. E se um maníaco marcou o Natal em Noite do Terror (Black Christmas, 1974), no segundo remake, Natal Sangrento (Black Christmas, 2019), as alunas da universidade não esperaram ser caçadas para lutar por suas vidas. Todos esses exemplos têm um ponto em comum: o slasher quer subverter  e até a 3ª temporada de Scream apostou na iniciativa. E agora chegamos no filme em questão.



Com uma clara influência da franquia Scream, em 2013, John Berardo lançava seu curioso curta-metragem slasher Dembanger, o qual discutia sobre a falsa privacidade na Internet, e criticava o comportamento desleixado de usuários nas redes sociais. Finalizado em 2019, finalmente podemos conferir Initiation (2020), filme inspirado no seu curta. Se passando seis anos desde o curta, obviamente, os internautas mudaram seus hábitos e Berardo, Brian Frage (Glass People) e Lindsay LaVanchy (que estreou como roteirista e estrelou o longa) estavam atentos a isso para dar um upgrade na ideia inicial e contextualizar o roteiro. A promessa de ser um longa pungente, cativante e subversivo, não alcança o objetivo quando oscila demais para convencer.


Curta "Debanger".

 

É fim de semana, noite de festa entre calouros de uma universidade, e após o início de um jogo perigoso envolvendo o ponto de exclamação nas redes sociais, a paz dos campus é posta a prova quando a morte de um atleta exemplar traz revelações chocantes do passado. Se tinha algum jeito para um filme de terror iniciar, seja com a primeira morte, um episódio traumático, um evento que configure a aura sobrenatural da premissa, Berardo não estava preocupado com isso. Quando adentramos à baderna, bebedice e estética neon da festança e não vemos o assassino mascarado dar as caras, é notável que a atenção que o diretor deseja fisgar é para outro ponto. Talvez na calorosa festa, seria o momento oportuno para a curtição ser transformada com a chegada do killer e os dramas dos adolescentes festeiros tomarem forma no desenvolvimento, mas a festa encontrou seu fim há muito tempo, e uma tragédia é o que define os rumos da trama.

 

Apesar de chegarmos a trinta minutos de filme sem um vilão mascarado, e muito menos a primeira vítima que o slasher tanto preza, o que Berardo idealizou foi uma trama que fizesse jus ao subgênero, conseguisse ser brutal, mas principalmente, valorizasse a mensagem de cunho social que estava tratando, contudo, é fato que entender a intenção não torna o resultado convincente. Enquanto alterna entre um thriller investigativo com ares de telefilme, e uma atmosfera slasher que não consegue durar, a construção apontava para um desfecho que quer ser lembrado por sua mensagem, e não parecer pequena pela fórmula que o subgênero orquestra em seu histórico. No final, o ponto de exclamação se tornou um jogo perigoso também para a narrativa.